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Por que algumas áreas do conhecimento tem a maioria dos profissionais de um determinado espectro político?
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Por que algumas áreas do conhecimento tem a maioria dos profissionais de um determinado espectro político?

Há uma doutrinação nas universidades que condiciona os alunos a seguir determinado espectro político?

u/PowerThanos — 3 hours ago
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O que seria melhor, garantir a felicidade mesmo que a ignorância seja o único meio ou sempre buscar o máximo de aventuras possíveis, e morrer fazendo o que queria?

Eu penso sobra a felicidade de cada um.

Alguns tem um trabalho mediano, vivem sem entender quase nada de política, pagam suas contas, ficam vendo séries e não saem direito de casa, e se sentem felizes com sua realidade, mesmo sendo rodeada de problemas e dificuldades, só que sua ignorância impede de se importar com isso.

Já o outro busca viver o máximo, sai do emprego, viaja pra onde quer e passa fome por não ter uma fonte de renda estável, mas ainda sim vive várias aventuras, no final o mesmo morre aos 45 anos decorrente de vários problemas de saúde ou uma vida desregrada.

Os dois foram tiveram sua felicidade, mas a sociedade atual e a mentalidade positiva das redes sociais afirma que o primeiro nunca foi realmente feliz.

Mas, é necessário que todos tenham a felicidade a sua maneira, ou sempre busquem ter o máximo de experiências possíveis, mesmo acarretando em problemas?

Ainda tenho dúvidas, pois são múltiplos casos, múltiplas culturas e vivências próprias, mas acho certo que esses dois são o principal exemplo da base social

u/Malfoso_madyver — 9 hours ago

É impressão minha ou o egoísmo se tornou uma virtude positiva?

Eu sei que o egoísmo, a necessidade de pensar apenas nos próprios interesses não é algo recente e que sempre existiu na história da raça humana. Mas eu não sei, sinto que o egoísmo se tornou algo "bom", pode ser coisa da minha cabeça, mas eu sinto isso. Sei que não devemos deixar que as pessoas explorarem a gente e deixar que elas façam o que elas quiserem com a gente. Mas não sei, é algo que queria botar pra fora e achei que aqui fosse o melhor lugar. Desculpe-me se não deu pra entender nada

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u/sistema148 — 8 hours ago

A vida provavelmente é única

Tava aqui refletindo na possibilidade de outra vida além da morte e provavelmente não há outra vida, vê se isso faz sentido: "morrer pra viver de novo", isso não tem sentido lógico, porque é contra intuitivo.

Se a vida é única, logo temos que vivê-la intensamente valorizando cada momento bom.

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u/mitomitoso — 14 hours ago

Estou com dificuldade para entender o Tao (caminho), Te (virtude) e Li (ritos) no confucionismo. Acho que preciso de ajuda.

Comecei recentemente a ler Os Analectos e empaquei nas primeiras páginas, com relações a esses conceitos fundamentais. Tentei ler artigos, assitir vídeos, e usar o chatgpt, mas até agr não entendi: O Tao é um conceito? Uma meta de vida? Uma força universal? O Te é a aplicação do Tao, ou é a manifestação do Tao no dia a dia? E o Li? É uma uma forma de praticar e cultivar o Tao?

u/Dan_Med82 — 10 hours ago

Para a crítica da não-monogamia

Este texto não é uma defesa da monogamia. Tampouco uma acusação moral à não-monogamia. A crítica aqui é estrutural. Ela se dirige às condições sob as quais esse modelo opera e às formas específicas pelas quais pode reorganizar dinâmicas de assimetria, comparação e instrumentalização já presentes nas relações contemporâneas.

A não-monogamia não é promiscuidade. Essa associação é rasa e pouco analítica. O problema não está na multiplicidade de vínculos em si, mas na forma como desejo, tempo e disponibilidade emocional passam a ser distribuídos em um sistema relacional aberto. A abertura não cria essas variáveis, mas altera suas condições de operação.

Sob o termo não-monogamia coexistem arranjos distintos, como relacionamentos abertos, poliamor, anarquia relacional e práticas ocasionais. Suas dinâmicas variam, mas compartilham, em determinados contextos, mecanismos estruturais semelhantes, especialmente quando envolvem múltiplos vínculos simultâneos e gestão contínua de desejo e atenção.

Dinâmicas como negligência afetiva, assimetria de investimento e uso instrumental do outro não são exclusivas da não-monogamia. Elas também existem na monogamia. A diferença está no modo como são organizadas. Em contextos não-monogâmicos, a ampliação do campo relacional aumenta a comparabilidade entre experiências, flexibiliza a responsabilidade afetiva e torna mais instável a distribuição de atenção, desejo e cuidado.

Diferentes arranjos não-monogâmicos produzem efeitos distintos, mas não operam como universos isolados. Há mecanismos recorrentes que atravessam essas formas, ainda que com intensidades e configurações diferentes.

Em arranjos como anarquia relacional e poliamor, e em menor grau em relacionamentos abertos, pode emergir uma pressão implícita para a performance da liberdade. A abertura relacional deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a funcionar como um campo de validação. Não exercer essa liberdade pode ser interpretado como limitação, insegurança ou inadequação, mesmo quando não há imposição direta.

A lógica de um portfólio afetivo não se restringe a um modelo específico. Ela não diz respeito à multiplicidade de amores, mas à formação de um campo de experiências onde corpos, atenção e desejo são continuamente comparados, avaliados e distribuídos. Não se trata apenas de vínculo, mas de valor percebido em experiências concretas.

Em qualquer arranjo que permita experiências sexuais externas, há a possibilidade de redistribuição da intimidade. A satisfação obtida fora da relação pode alterar, de forma não necessariamente explícita, a frequência, a intensidade e a centralidade do contato íntimo interno. Essa alteração não precisa ser intencional para produzir efeitos no vínculo principal.

Um exemplo ajuda a evidenciar esses mecanismos. Um parceiro mais reservado, pouco inclinado à busca ativa, que não transita bem em aplicativos ou dinâmicas de conquista. Em um arranjo não-monogâmico, o sexo dentro do vínculo principal pode se tornar raro ou intermitente, não por rejeição direta, mas porque o outro parceiro já se encontra sexualmente satisfeito por experiências externas. O que ocorre não é ruptura, mas redistribuição de desejo.

Esse indivíduo passa a viver uma dupla pressão. Por um lado, perde a previsibilidade da intimidade dentro do vínculo principal. Por outro, é inserido em um campo onde a não participação ativa pode ser interpretada como inadequação, carência ou perda de valor. A liberdade formal de buscar outros vínculos se converte, na prática, em um campo de validação contínua.

A instrumentalização aparece de forma mais difusa nesse contexto. Não apenas como uso direto do outro, mas como uma tendência à funcionalização dos vínculos. Pessoas passam a ocupar posições diferenciadas dentro de uma rede. Uma supre desejo sexual, outra oferece escuta, outra companhia, outra validação. O que se organiza não é um conjunto de amores equivalentes, mas um campo de experiências onde corpos, atenção e desejo são continuamente comparados, produzindo hierarquias implícitas.

Um argumento comum em defesa da não-monogamia é que ela permitiria redistribuir afeto, reduzir dependência de um único parceiro e ampliar a autonomia individual. Essa possibilidade existe. No entanto, sua realização depende de condições materiais e sociais específicas. A redistribuição afetiva não ocorre em um campo neutro, mas em um ambiente marcado por desigualdades de tempo, capital social, atratividade e habilidades de interação.

Esse ponto se conecta a um recorte de classe raramente explicitado. A não-monogamia, especialmente em suas formas mais estruturadas, tende a aparecer com mais frequência em contextos de maior escolaridade, capital cultural e poder aquisitivo. Isso não é casual. A gestão de múltiplos vínculos exige tempo relativamente maleável, autonomia sobre a própria rotina e menor pressão material imediata. Esses recursos não estão igualmente distribuídos. Em contextos de exaustão, instabilidade econômica e jornadas rígidas, a abertura relacional não elimina essas limitações, mas passa a operar dentro delas, frequentemente reproduzindo as mesmas assimetrias que afirma superar.

A comparação, nesse cenário, deixa de ser episódica e se torna estrutural. Não se trata de falha moral ou imaturidade, mas de um mecanismo cognitivo básico. Em um sistema com múltiplos vínculos ativos, cada experiência externa cria parâmetros implícitos de avaliação. Intensidade, desejo, atenção e cuidado passam a operar como referências que organizam a percepção de valor dentro da rede.

Padrões sociais mais amplos atravessam esse processo. Normas de beleza, capital cultural e habilidades sociais influenciam diretamente quem é mais demandado, mais valorizado e mais visível. Isso pode gerar uma distribuição desigual de experiências dentro do mesmo arranjo relacional, reforçando hierarquias que o modelo, em tese, buscaria flexibilizar.

Há ainda um fator pouco explicitado. A não-monogamia exige alta capacidade de gestão afetiva. Comunicação constante, negociação de limites, administração de tempo e manutenção de múltiplos vínculos não são demandas triviais. Esse modelo tende a funcionar de maneira mais estável em contextos onde há maior flexibilidade de tempo, segurança material e capital social. Em condições de exaustão, instabilidade econômica e jornadas rígidas, a abertura relacional pode reproduzir a lógica produtivista. O afeto se torna mais uma esfera de desempenho.

Isso não invalida a não-monogamia como possibilidade relacional. Mas indica que sua viabilidade e seus efeitos não podem ser analisados fora das condições concretas em que é praticada. O modelo não opera no vazio.

Questões práticas como saúde sexual e reprodutiva também exigem uma análise menos simplista. O fato de muitas infecções ocorrerem em relações monogâmicas está mais relacionado à baixa educação sexual do que à estrutura do modelo. Ainda assim, a multiplicidade de vínculos aumenta a complexidade da gestão de riscos. Infecções assintomáticas, doenças de pele e a possibilidade de gravidez introduzem camadas adicionais de vulnerabilidade que precisam ser consideradas como parte da estrutura, e não como exceções.

Criticar a não-monogamia não é defender a monogamia. É recusar a ideia de que a abertura relacional, por si só, resolve problemas estruturais das relações. Em determinadas condições, ela pode apenas reorganizar essas mesmas dinâmicas, ampliando comparações, redistribuindo assimetrias e tornando mais difusa a responsabilização dentro dos vínculos.

No limite, sob determinadas condições sociais, a não-monogamia pode ser coadunada a um discurso neoliberal que desloca para o indivíduo a responsabilidade por administrar afetivamente um mundo atravessado por desigualdades materiais, hierarquias simbólicas e exaustão crônica. O que são problemas estruturais passa a aparecer como falhas pessoais e morais de adaptação.

Isso recoloca uma questão frequentemente assumida, mas raramente examinada com rigor: em que medida a não-monogamia opera, de fato, como um movimento de emancipação dos corpos, especialmente das mulheres, e em que medida pode apenas reconfigurar, sob outra linguagem, formas já existentes de exposição, comparação e desigualdade dentro do campo relacional.

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u/Maleficent-Writer761 — 15 hours ago

A Marca Humana

“Eu fui despejar uma água lá fora e ele saiu direto pela porta afora e foi pras árvores. Daí a uns minutos tinha três ou quatro corvos com ele. Cercando o Príncipe na árvore. E estavam enlouquecidos. Atormentando o Príncipe. Batendo nas costas dele. Gritando. Pintando o sete com ele. Foi uma questão de minutos. O problema é a voz dele. Ele não fala a língua dos corvos. Os outros não gostam dele. Ele acabou pousando em mim, porque eu estava lá fora. Os outros iam acabar matando o Príncipe.”

“Isso é que dá ser criado de mamadeira”, disse Faunia. “Isso é que dá passar a vida andando com gente como a gente. A marca humana”, disse ela, sem repulsa nem desprezo nem condenação. Nem mesmo tristeza. É assim que é — à sua maneira seca, era o que Faunia estava dizendo à moça que dava de comer à cobra: nós deixamos uma marca, uma trilha, um vestígio. Impureza, crueldade, maus-tratos, erros, excrementos, esperma — não tem jeito de não deixar. Não é uma questão de desobediência. Não tem nada a ver com graça nem salvação nem redenção. Está em todo mundo. Por dentro. Inerente. Definidora. A marca que está lá antes do seu sinal. Mesmo sem nenhum sinal ela está lá. A marca é tão intrínseca que não precisa de sinal. A marca que precede a desobediência, que abrange a desobediência e confunde qualquer explicação e qualquer entendimento. Por isso toda essa purificação é uma piada. E uma piada grotesca ainda por cima. A fantasia da pureza é um horror. É uma loucura. Porque essa busca da purificação não passa de mais impureza. Tudo o que Faunia estava dizendo sobre a marca era que ela é inevitável. É claro que é assim que Faunia vê as coisas: criaturas inevitavelmente marcadas pela impureza que somos. Resignadas com a imperfeição horrível e fundamental. Ela é como os gregos, os gregos de Coleman. Como os deuses deles. Eles são mesquinhos. Brigam. Lutam. Odeiam. Matam. Trepam. A única coisa que Zeus quer fazer é trepar — pode ser deusa, mortal, vaca, ursa —, e não só na forma verdadeira dele mas também, o que é mais excitante ainda, em forma de animal. Comer uma mulher na forma de um touro enorme. Penetrar uma mulher do modo mais estranho, na forma de um cisne branco. Para o rei dos deuses, carne nunca é demais, perversão nunca é demais. Toda essa loucura que o desejo traz. A dissipação. A depravação. Os prazeres mais grosseiros. E a fúria da esposa dele, que vê tudo.

Não é o Deus dos hebreus, infinitamente solitário, infinitamente obscuro, com sua monomania de ser o único deus que existe, que já existiu e que há de existir, e só se preocupa com os judeus e mais nada. E também não o homem-deus totalmente assexuado dos cristãos, com sua mãe imaculada e toda aquela culpa e vergonha que essa perfeição celestial inspira. Não, o Zeus dos gregos, sempre metido em aventuras, de uma expressividade tão viva, volúvel, sensual, apaixonadamente envolvido em sua existência tão rica, nem um pouco solitário, nem um pouco oculto. Nada disso: a marca divina. Seria uma religião bem ligada à realidade para Faunia Farley, se, por meio de Coleman, ela soubesse alguma coisa a respeito. Tal como dita a fantasia orgulhosa, feitos à imagem de Deus, sim, mas não do nosso — do deles. Deus depravado. Deus corrompido. Um deus da vida, como nenhum outro. Deus à imagem do homem.

“É. Isso é que é a tragédia de um corvo ser criado por gente”, respondeu a moça, não entendendo exatamente aonde Faunia queria chegar, porém pescando alguma coisa assim mesmo. “Eles não reconhecem sua própria espécie. Ele não reconhece. Mas devia. É o tal do imprinting”, disse a moça. “O Príncipe é um corvo que não sabe ser corvo.”

A Marca Humana, Philip Roth.

u/AgeExtension5980 — 4 hours ago
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O ser humano é capaz de absorver completamente uma obra que esteja fora da sua realidade?

Há um tempo, uma mulher tinha postado em algum sub sobre o porquê de Clarisse Lispector ser considerada "literatura feminina", apesar de abarcar na sua obras aspectos da própria experiência humana, universal. Recentemente acabei vento um post de um sujeito falando que mulheres não conseguiriam entender uma obra X.

Por conta disso, eu fiquei em dúvida, será que existem experiências na literatura e no cinema que são impossíveis de serem universalmente compreendida por todas as pessoas?

Por exemplo, um filme sobre o holocausto vai ter um impacto diferente entre um judeu e um não-judeu? Existe algo na catarse que o judeu sente que o não-judeu é incapaz de sentir?

E isso se extende pra qualquer obra que trata de certas particularidades.

Evidente que existem aspectos humanos que são comuns à todos, mas cada um tem uma experiência inteiramente diferente, ou existem aspectos dessa obra que são literalmente inteligíveis para outras pessoas?

Por uma psicologia científica e responsável

Se a questão da prática clínica responsável é de interesse conjunto, ela precisa se alinhar ao padrão de ciência cumulativa. O ponto é simples: quando você intervém na vida de alguém, você precisa saber com razoável certeza (baseado em evidências e não apenas em crenças) que sua intervenção funciona.

Ao integrar melhor evidência empírica disponível no estado da arte científico, a abordagem da PBE, utilizando de modelos da psicologia matemática e sociofísica, consegue produzir ensaios controlados, meta-análises e revisão contínua no mesmo espírito metodológico que sustenta áreas como a Medicina.

A psicofísica e a psicologia matemática reforçam esse compromisso ao mostrar que processos psicológicos podem ser formalizados e testados. Por exemplo, a relação entre estímulo e percepção é tratada como uma função mensurável assim como modelos matemáticos de decisão permitem gerar previsões claras que podem ser confirmadas ou refutadas empiricamente.

Agora, vamos comparar com o núcleo tradicional da psicanálise em que seus conceitos centrais tipo inconsciente dinâmico, repressão ou complexos são difíceis operacionalizar de forma independente do próprio enquadre teórico. Quando uma teoria explica qualquer resultado possível ela perde falseabilidade e quando opera como uma função many-to-one (muitos estados/causas diferentes levando à mesma explicação ou interpretação) pode ser análoga ao sistema de horóscopo.

Portanto, sustentar uma prática clínica que não se submeta a esses critérios não criaria um problema de responsabilidade com o paciente?

u/NaturaeAxis — 10 hours ago

O Rio e as Pedras

Duas pessoas, uma jovem e uma velha, estavam sentadas à beira de um rio. A água corria, e haviam pedras espalhadas, de uma margem à outra. A pessoa mais velha ficou admirando o rio por algum tempo, sem falar nada.

— Você já reparou como essas pedras se movem? — perguntou.

A jovem olhou.

— Parecem paradas.

A jovem ficou observando. Devagar, percebeu. As pedras oscilavam. Não muito. Mas oscilavam. O rio as empurrava, e elas se mexiam um pouco, mas também resistiam. Deslocavam-se.

— É verdade — disse. — Mas pouco.

— Algumas muito pouco. Outras mais. Depende da pedra. Mas nenhuma está completamente parada. O rio não permite.

— Viver é estar no meio desse rio, saltando de pedra em pedra. Você nasce em uma margem, e morre na outra, mas no meio só há o rio e as pedras. Não existe chão firme. Não existe pausa. Desde o primeiro dia, até o último, você está pulando.

— Mas as pessoas param, "em cima de algumas pedras", não?

— Mas o rio não para. E a pedra embaixo dos pés não para. Você pode ficar parado, por algum tempo, mas a pedra continua se movendo, ainda que você esteja parado, sobre ela. O rio continua empurrando os dois. Ficar parado não é parar. É só não perceber que está em movimento.

— E o que acontece com quem fica parado?

A velha apontou para uma pedra grande e plana, quase no centro do rio. Mal se movia.

— Veja aquela.

— É a mais estável de todas -- disse a jovem.

— Por enquanto — disse a velha. — Mas o que acontece com uma pedra que quase não se move, dentro de um rio?

A jovem pensou.

— Fica mais próxima de afundar?

— Exato. Ela pode parecer estável. Mas as pedras que parecem mais firmes são as que estão estão mais próximas de perder o movimento. As pedras que continuarão sendo carregadas pela água, por mais tempo, são justamente as que, à primeira vista, "tremem mais".

— Então as pedras instáveis são melhores?

— São mais vivas — disse a velha. — Ainda estão sendo disputadas pelo rio. Ainda estão em conversa com a correnteza.

— E quem fica parado nas pedras, sem saltar — disse a jovem, pensando em voz alta — está afundando com elas?

— Está. No rio, quando uma pessoa tenta parar de saltar — para de pensar, para de interpretar o que está acontecendo ao redor — ela vai se aproximando do leito. Ela remove o movimento, até das pedras mais instáveis, e rapidamente. Mas, ao final, ela vai ter que saltar, porque...

— Não somos como os peixes. Temos que ficar sobre pedras. E somos obrigados a continuar saltando, de uma margem à outra.

— Precisamente. Para nós, não existe outra forma de viver. A única pergunta é se você salta "bem", ou salta "mal".

A jovem ficou olhando para as pedras.

— Mas como se salta bem?

— Não é questão de saltar melhor ou pior, propriamente, mas de entender a dinâmica dos saltos. A maioria das pessoas escolhe a pedra maior. A mais larga, a mais plana, a que quase não treme. Parece óbvio. Parece seguro.

— E não é?

— É seguro, para a aterrisagem. Mas a pedra grande e plana, que quase não treme, está mais perto de afundar. E quando você está sobre ela, confortável, sem precisar se equilibrar, está exatamente no lugar mais perigoso. Está sobre um chão que já estava cedendo, sobre uma pedra que já estava parando, antes de você pisar.

— A pedra que treme ainda está sendo carregada com muita velocidade, pelo rio. Está muito viva. É difícil ficar em cima dela, porque você vai tremer junto, quando aterrisar. Mas ela não está indo tão rápido para o fundo, porque ainda está em maior sintonia com o fluxo.

A jovem ficou em silêncio.

— Então o bom saltador escolhe as pedras que tremem?

— O "bom" saltador aprendeu que o tremido é sinal de que a pedra conversa melhor com o rio. E prefere estar onde essa conversa acontece.

— Mas há pessoas que ficam paradas, ou escolhem apenas pedras estáveis, e parecem bem — disse a jovem. — Parecem até mais seguras do que quem está sempre tremendo, ao aterrisar.

— Parecem — concordou a velha. — Mas elas simplesmente não percebem que estão perdendo movimento.

— E quando percebem?

— Quando a pedra já estiver se aproximando do leito. Quando for mais difícil saltar, porque o que era fluxo agora é sentido como resistência da água, que sobe aos calcanhares. Lembre-se: não saltar não é uma opção. Podemos nos demorar mais ou menos, para escolher o próximo salto. Mas entre uma margem e outra...

A jovem olhou para o rio com uma expressão diferente.

— Isso não é um pouco angustiante? Não ter como parar?

— É a natureza do rio. Ele não existe para nos confortar.

— E quem salta "bem"? — perguntou a jovem. — Como é esse saltador?

— Você conhece pessoas assim.

A jovem pensou.

— São as pessoas que não entram em pânico, quando o chão treme? Que não ficam procurando a pedra perfeita? Que continuam em movimento, mesmo sem saber exatamente para onde?

— Isso — disse a velha. — O bom saltador não busca a pedra que não se move. Ele aprendeu, de algum jeito, que essa pedra não existe. E, mais do que isso, aprendeu que buscá-la não é garantia de segurança.

— Como se aprende isso?

— Alguns aprendem sem nunca ter pensado no assunto. Aprendem saltando, ao invés de procurar as melhores pedras. Eles simplesmente saltam, com uma leveza que os mais estudiosos frequentemente não conseguem imitar. Nunca quiseram perder a sensação de que estão no rio. Sabem que o movimento é normal. Que saltar é o que se faz.

— E os outros? Se, de uma forma ou outra, enquanto estivermos vivos, continuaremos saltando, o que acontece com eles?

— Os outros passam a vida inteira buscando a pedra grande, plana e estável. A melhor resposta para o próximo salto. Ou passam a vida tentando viver parados, saltando apenas no último momento possível. Vivem molhando os calcanhares, de pedra à pedra, e abraçando a inércia, de uma margem à outra. Às vezes, parece até que já chegaram à outra margem, antecipadamente. Parece que não gostam de saltar.

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u/Temporary_Image_6999 — 10 hours ago

Se vocês pudessem falar com Jesus e ele talvez dissesse que está cansado, o que faria?

Jesus passou a eternidade reinando a humanidade perversa, e se Jesus tivesse vontade de se fazer homem por deleitou-se com a simplicidade e efêmera vida do homem, para fugir, nem que seja um pouco, do peso da responsabilidade que carrega. O que você faria?

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u/JohnnyMcLovin — 23 hours ago

Escala de trabalho regressiva. Sua opinião ?

Obs: As folgas seriam no início de cada novo mês devido a última semana do mês anterior, pois caso contrário daria mais de 6 dias consecutivos sem descanso. E também não existiria folga em feriado.

u/Thell-Vadamm — 1 day ago

Apenas uma mini filosifia minha.

Sei que para alguns, a morte é o todo, a morte a alguns é o nada, e a morte a outros são a vida, mas basta olhar para cima, e lentamente para baixo, que verás, que nem a morte iria pensar nisso tudo, um olho que tudo vê, a saúde como um todo, e um amor esplêndido.

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u/Brilliant_Froyo9016 — 9 hours ago

Bizarro como nós normalizamos a existência.

Normalmente nós não temos tempo ou energia para pensar sobre isso, mas a existência é uma coisa muito estranha. Por algum motivo há um universo inteiro ao invés do nada, nós existimos em um corpo que interage com o ambiente, experienciamos emoções, pensamentos e sensações físicas e não fazemos ideia do porque sequer isso acontece (problema difícil da consciência).

Às vezes eu paro para observar a natureza, as pessoas vivendo e basicamente tudo acontecendo ao meu redor e fico admirada que eu estou experienciando tudo isso em primeira pessoa. Parece surreal demais.

E é bizarro como normalizamos. Eu sinto que é natural esquecer o quão surreal é, por causa das obrigações, da rotina do dia a dia e dos problemas, mas acho que todo mundo deveria parar por um minuto no dia e pensar sobre.

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u/miss--angel — 1 day ago

cheguei em duas conclusões originais e vi que respectivamente dois filósofos pensaram a mesma coisa, só que melhor.

Tava na escola entediado, comecei a pensar sobre o tempo, o que é o tempo? Mano, cheguei numa conclusão original (original no sentido de que veio das vozes da minha mente sem estudar nada): Depois de muito tempo pensando, cheguei na conclusão que o tempo é a passagem de movimento, só entendemos o tempo por que as coisas estão em movimento, o sol se movimenta no céu e assim medimos a passagem do tempo. Se eu der um passo pra frente, o que está acontecendo é um monte de movimentos, e seu cérebro cria referências de antes e depois e isso é o tempo, então se tudo no universo ficasse estático do nada, parado, o tempo não ia existir mais. Bem, aí fui pesquisar na internet pra ver se alguém pensava igual eu, e descobri que um filósofo chamado Aristóteles pensou a mesma coisa que eu, só que de uma forma muito mais inteligente porque tinha mais detalhes do que é o tempo, só que a premissa é a mesma. Outro dia tmb pensei o que é a morte? O que acontece depois da morte? Cheguei numa conclusão original tmb mas igual eu uns 10 mil nego já penso igual, ent deixa pra la, mas o filósofo que pensou a mesma coisa que eu sobre a morte só que muito mais inteligente foi o Epicuro. Po, fiquei horas pensando nesses assuntos, principalmente do tempo, e alguém pensou a mesma coisa que eu milhares de anos atrás, sinistro.

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u/MyCatCalledGuerreiro — 15 hours ago
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Existe mesmo um ‘eu’ fixo ao longo da vida?

Se nossas preferências, decisões e valores mudam com o tempo, faz sentido dizer que existe um “eu” fixo tomando decisões ao longo da vida? Ou isso é só uma narrativa que usamos para dar coerência à nossa experiência?

u/CrackComMucilon — 2 days ago

A Alegoria do Fardo

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A gente costuma pensar: o homem é infeliz porque tem uma racionalidade diferente dos outros animais. Na natureza, eles seguem a lógica do mais forte e tudo funciona em harmonia. Então, se alguém tivesse um botão mágico capaz de remover a racionalidade de todos os humanos, essa pessoa apertaria? Isso seria um ato egoísta ou uma atitude boa?

A questão é que, sem a racionalidade, também não existe o "eu". E sem o "eu", faz alguma diferença existir felicidade ou infelicidade? Ou será que essa pessoa, querendo se livrar do peso de manter a própria moral, estaria apenas passando esse fardo adiante? E se ela resolvesse guardar esse botão mágico por um tempo... será que a pressão faria ela apertar uma hora?

Uma escolha dessas tem um peso enorme. Mesmo se houvesse a chance de todos serem felizes sem a razão, ninguém gostaria de verdade, porque nada mais faria sentido. No fundo, todos sabemos que a dor e a infelicidade também trazem a lógica; é com o sofrimento que a gente aprende e se adapta.

Mas, e se cada indivíduo do mundo tivesse um botão para remover apenas a *sua* racionalidade? Quantos apertariam? E se só uma parte da população apertasse, buscando essa suposta felicidade... o que os que ainda têm racionalidade fariam com eles? Iriam escravizá-los? Ou separariam terras para essa nova "raça" inferior? No fim das contas, a humanidade ainda seria uma só?

— Samuel.R.Marinho Silva.

O que acham dessa ideia para alegoria? criada por mim. Quero reescrever umas vezes para criar algo à mercê da perfeição.

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u/MyrstenDoctorrobert — 12 hours ago
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Com o ano de eleição, alguma alma boa para me ajudar a decidir em quem votar?

Pelo texto, provavelmente alguns ja acham que eu sou um completo alienado. Não ta totalmente errado, minha família nunca foi de discutir sobre política e minha mãe nunca me introduziu esse tema. Sei que a política brasileira é uma bagunça acobertada por uma guerra entre direita e esquerda, porém, ssse ano eu tenho que votar e não sei quem é o candidato menos pior. Podem me ajudar? Além disso, se não for pedir muito, gostaria de entender como decidir se sou de direita, centro, esquerda e como não ultrapassar a linha extremista dessa ideologia

u/RealityNo4826 — 2 days ago

O papel da União Soviética na formação científica dos países de "terceiro mundo"

Fundada em 1946, a Mir Publishers foi uma das principais editoras científicas da União Soviética com o objetivo bem definido: difundir ciência, matemática e engenharia para o mundo inteiro que, para além de uma editora, fazia parte de um projeto maior de divulgação científica da Academia de Ciências da URSS e do Estado soviético.

Graças a sua acessibilidade, algo estrutural do plano de educação e divulgação científica dos Soviéticos, países da América Latina, África e Ásia entraram em contato com livros técnicos, outrora de difícil acesso no mundo ocidental, e o estado da arte científico, dando a oportunidade de estudantes conseguirem estudar nível universitário avançado sem depender de centros ricos.

Como os livros da Mir eram basicamente cursos completos e não só divulgação superficial, ela impulsionou a formação de físicos teóricos, engenheiros com forte base matemática e professores que se formaram usando esses materiais.

Como a postura soviética referente a ciência, seguindo a doutrina de Marx, era de que "ciência = instrumento de transformação material", os livros da editora ao formar capacidade técnica, pretendiam acelerar o desenvolvimento material, contribuindo indiretamente para projetos de autonomia tecnológica básica tal qual desenvolvimento industrial.

No Brasil, a Mir Publishers influenciou uma geração de físico, engenheiros e matemáticos sendo muitas vezes mais acessíveis e claros que os clássicos ocidentais.

u/NaturaeAxis — 1 day ago