
Por uma psicologia científica e responsável
Se a questão da prática clínica responsável é de interesse conjunto, ela precisa se alinhar ao padrão de ciência cumulativa. O ponto é simples: quando você intervém na vida de alguém, você precisa saber com razoável certeza (baseado em evidências e não apenas em crenças) que sua intervenção funciona.
Ao integrar melhor evidência empírica disponível no estado da arte científico, a abordagem da PBE, utilizando de modelos da psicologia matemática e sociofísica, consegue produzir ensaios controlados, meta-análises e revisão contínua no mesmo espírito metodológico que sustenta áreas como a Medicina.
A psicofísica e a psicologia matemática reforçam esse compromisso ao mostrar que processos psicológicos podem ser formalizados e testados. Por exemplo, a relação entre estímulo e percepção é tratada como uma função mensurável assim como modelos matemáticos de decisão permitem gerar previsões claras que podem ser confirmadas ou refutadas empiricamente.
Agora, vamos comparar com o núcleo tradicional da psicanálise em que seus conceitos centrais tipo inconsciente dinâmico, repressão ou complexos são difíceis operacionalizar de forma independente do próprio enquadre teórico. Quando uma teoria explica qualquer resultado possível ela perde falseabilidade e quando opera como uma função many-to-one (muitos estados/causas diferentes levando à mesma explicação ou interpretação) pode ser análoga ao sistema de horóscopo.
Portanto, sustentar uma prática clínica que não se submeta a esses critérios não criaria um problema de responsabilidade com o paciente?