





Normalmente nós não temos tempo ou energia para pensar sobre isso, mas a existência é uma coisa muito estranha. Por algum motivo há um universo inteiro ao invés do nada, nós existimos em um corpo que interage com o ambiente, experienciamos emoções, pensamentos e sensações físicas e não fazemos ideia do porque sequer isso acontece (problema difícil da consciência).
Às vezes eu paro para observar a natureza, as pessoas vivendo e basicamente tudo acontecendo ao meu redor e fico admirada que eu estou experienciando tudo isso em primeira pessoa. Parece surreal demais.
E é bizarro como normalizamos. Eu sinto que é natural esquecer o quão surreal é, por causa das obrigações, da rotina do dia a dia e dos problemas, mas acho que todo mundo deveria parar por um minuto no dia e pensar sobre.
“Homens que se reúnem por meio de aplicativos de mensagens para trocar informações e dicas sobre como dopar e estuprar suas próprias mulheres. A prática não é nova, o que se intensifica é o grau de organização e circulação. Em grupos de Telegram, alguns com nomes como “Zzzzzzz”, usuários compartilham orientações sobre como cometer o crime, quais substâncias utilizar e até onde assistir a vídeos de outros homens abusando de suas companheiras.
A dinâmica não se limita a conversas privadas. O site pornográfico Motherless reúne cerca de 20 mil videos com cenas de estupro e registrou, apenas em fevereiro, 62 milhões de acessos.
Nos conteúdos, homens chegam a levantar as pálpebras das vítimas para comprovar que estão sedadas antes de iniciar a violência, segundo relatou a jornalista Milly Lacombe em reportagem para o UOL.
Nos grupos, circulam também instruções sobre como fazer com que os efeitos das drogas desapareçam rapidamente do organismo, dificultando a produção de provas, além de recomendações para evitar a morte das vítimas.
Há ainda quem tenha transformado essa prática em negócio: usuários vendem substâncias para sedação, monetizam videos e trocam elogios pelas "performances"
O que mais chama atenção é que muitos desses homens mantêm relações estáveis com as vítimas. São casamentos de 10, 20 ou 30 anos, com filhos e rotinas compartilhadas, o que evidencia o caráter estrutural da violência.”
Sinceramente. Nem sei o que falar sobre uma notícia dessa. Mas hoje em dia tem que ter muita coragem para se relacionar com homem.
Me causa uma agonia enorme perceber uma movimentação crescente (não sei se é impressão minha) de discursos anti-trans, mas não apenas em bolhas conservadoras, mas também feministas. Mesmo pessoas de esquerda estão tendo concepções muito problemáticas em relação ao gênero e muitas realmente acreditam que mulheres trans são “homens querendo invadir o espaço de mulheres” e que na verdade mulheres são “fêmeas humanas adultas” e baboseiras como essas.
É impressionante como esse discurso de que “mulher é fêmea humana adulta” se alinha com a visão conservadora sobre o tema e mesmo assim muitas mulheres cis e pessoas de esquerda não conectam os pontos. O essencialismo biológico – essa ideia de que ser mulher ou homem envolve uma realidade biológica rígida – é historicamente base para misoginia: a mulher foi, por muito tempo, reduzida à sua capacidade biológica. A submissão feminina foi justificada com base em uma suposta “natureza feminina”, então é basicamente um tiro no pé defender esse mesmíssimo discurso hoje em dia, mesmo que com propósitos diferentes.
Para que seja mantido uma hierarquia de gênero em uma sociedade patriarcal, é *necessário* que as categorias de gênero sejam imutáveis e fixas. Se a fronteira entre “homem” e “mulher” na verdade for flexível, como se sustenta a ideia de que um é inerentemente superior ao outro?
Pessoas trans incomodam justamente porque desafiam essa lógica do patriarcado: elas são a prova viva de que a linha que separa os gêneros na verdade é fluida. Mulheres trans incomodam especialmente porque elas foram atribuídas como homens, mas se “rebaixaram” a categoria mulher.
Aliás, também é muito discutido como mulheres trans não podem ser incluídas na pauta feminista porque elas não sofrem com a socialização feminina. Bem, talvez não na infância, mas elas sofrem e muito no momento que elas se alinham com a figura feminina. A partir do momento que isso acontece, elas estão sob o risco de sofrer violência física, psicológica e sexual da mesma forma. Existe um termo chamado “transmisoginia” que seria uma forma de opressão em que a pessoa sofre tanto com misoginia, como com transfobia. Não sobra nenhum resquício de privilégio masculino ali. As estatísticas mostram inclusive, dados alarmantes sobre a violência, exclusão, desemprego e saúde mental desse grupo de pessoas. Eu só acho que não faz sentido nenhum contribuir para a opressão delas, que já sofrem muito.
Enfim, apenas algumas reflexões minhas.