u/miss--angel

Bizarro como nós normalizamos a existência.

Normalmente nós não temos tempo ou energia para pensar sobre isso, mas a existência é uma coisa muito estranha. Por algum motivo há um universo inteiro ao invés do nada, nós existimos em um corpo que interage com o ambiente, experienciamos emoções, pensamentos e sensações físicas e não fazemos ideia do porque sequer isso acontece (problema difícil da consciência).

Às vezes eu paro para observar a natureza, as pessoas vivendo e basicamente tudo acontecendo ao meu redor e fico admirada que eu estou experienciando tudo isso em primeira pessoa. Parece surreal demais.

E é bizarro como normalizamos. Eu sinto que é natural esquecer o quão surreal é, por causa das obrigações, da rotina do dia a dia e dos problemas, mas acho que todo mundo deveria parar por um minuto no dia e pensar sobre.

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u/miss--angel — 1 day ago

Reportagem da CNN expõe “academia de estupro” com 62 milhões de visualizações.

“Homens que se reúnem por meio de aplicativos de mensagens para trocar informações e dicas sobre como dopar e estuprar suas próprias mulheres. A prática não é nova, o que se intensifica é o grau de organização e circulação. Em grupos de Telegram, alguns com nomes como “Zzzzzzz”, usuários compartilham orientações sobre como cometer o crime, quais substâncias utilizar e até onde assistir a vídeos de outros homens abusando de suas companheiras.

A dinâmica não se limita a conversas privadas. O site pornográfico Motherless reúne cerca de 20 mil videos com cenas de estupro e registrou, apenas em fevereiro, 62 milhões de acessos.

Nos conteúdos, homens chegam a levantar as pálpebras das vítimas para comprovar que estão sedadas antes de iniciar a violência, segundo relatou a jornalista Milly Lacombe em reportagem para o UOL.

Nos grupos, circulam também instruções sobre como fazer com que os efeitos das drogas desapareçam rapidamente do organismo, dificultando a produção de provas, além de recomendações para evitar a morte das vítimas.

Há ainda quem tenha transformado essa prática em negócio: usuários vendem substâncias para sedação, monetizam videos e trocam elogios pelas "performances"

O que mais chama atenção é que muitos desses homens mantêm relações estáveis com as vítimas. São casamentos de 10, 20 ou 30 anos, com filhos e rotinas compartilhadas, o que evidencia o caráter estrutural da violência.”

Sinceramente. Nem sei o que falar sobre uma notícia dessa. Mas hoje em dia tem que ter muita coragem para se relacionar com homem.

u/miss--angel — 1 day ago
🔥 Hot ▲ 64 r/ClubeDaLuluzinha

A transfobia tem tudo a ver com misoginia e hierarquia de gênero.

Me causa uma agonia enorme perceber uma movimentação crescente (não sei se é impressão minha) de discursos anti-trans, mas não apenas em bolhas conservadoras, mas também feministas. Mesmo pessoas de esquerda estão tendo concepções muito problemáticas em relação ao gênero e muitas realmente acreditam que mulheres trans são “homens querendo invadir o espaço de mulheres” e que na verdade mulheres são “fêmeas humanas adultas” e baboseiras como essas.

É impressionante como esse discurso de que “mulher é fêmea humana adulta” se alinha com a visão conservadora sobre o tema e mesmo assim muitas mulheres cis e pessoas de esquerda não conectam os pontos. O essencialismo biológico – essa ideia de que ser mulher ou homem envolve uma realidade biológica rígida – é historicamente base para misoginia: a mulher foi, por muito tempo, reduzida à sua capacidade biológica. A submissão feminina foi justificada com base em uma suposta “natureza feminina”, então é basicamente um tiro no pé defender esse mesmíssimo discurso hoje em dia, mesmo que com propósitos diferentes.

Para que seja mantido uma hierarquia de gênero em uma sociedade patriarcal, é *necessário* que as categorias de gênero sejam imutáveis e fixas. Se a fronteira entre “homem” e “mulher” na verdade for flexível, como se sustenta a ideia de que um é inerentemente superior ao outro?

Pessoas trans incomodam justamente porque desafiam essa lógica do patriarcado: elas são a prova viva de que a linha que separa os gêneros na verdade é fluida. Mulheres trans incomodam especialmente porque elas foram atribuídas como homens, mas se “rebaixaram” a categoria mulher.

Aliás, também é muito discutido como mulheres trans não podem ser incluídas na pauta feminista porque elas não sofrem com a socialização feminina. Bem, talvez não na infância, mas elas sofrem e muito no momento que elas se alinham com a figura feminina. A partir do momento que isso acontece, elas estão sob o risco de sofrer violência física, psicológica e sexual da mesma forma. Existe um termo chamado “transmisoginia” que seria uma forma de opressão em que a pessoa sofre tanto com misoginia, como com transfobia. Não sobra nenhum resquício de privilégio masculino ali. As estatísticas mostram inclusive, dados alarmantes sobre a violência, exclusão, desemprego e saúde mental desse grupo de pessoas. Eu só acho que não faz sentido nenhum contribuir para a opressão delas, que já sofrem muito.

Enfim, apenas algumas reflexões minhas.

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u/miss--angel — 3 days ago