
Kathrine Switzer e a Maratonda de Boston
Realiza-se hoje, dia 20 de abril, a Maratona de Boston, uma das mais conceituadas maratonas de todo o mundo. Esta é a segunda das sete "Majors" que serão realizadas em 2026. Além dela, Tóquio, Londres, Sydney, Berlim, Chicago e Nova York compõem o restante circuito, no qual participam os melhores atletas do mundo na atualidade.
A Maratona de Boston existe desde 1897, tendo sido realizada, pela primeira vez no dia 19 de abril daquele ano, inspirada na maratona dos primeiros Jogos Olímpicos modernos (Atenas 1896). É a maratona anual mais antiga do mundo e uma das mais prestigiadas do atletismo. A prova na capital de Massachusetts é a segunda maior da temporada, com mais de 32.000 participantes. Nesta edição de 2026, são esperadas cerca de 14.000 mulheres, o que representa aproximadamente 43% dos participantes! Mas nem sempre foi assim…
A participação feminina na Maratona de Boston foi proibida até 1972, sobretudo por normas culturais e científicas ultrapassadas da época. Muitos médicos e dirigentes desportivos defendiam que as mulheres não deveriam correr longas distâncias, alegando que isso poderia “danificar o útero”, afetar a fertilidade ou ser perigoso para a sua saúde. O desporto de resistência era considerado “impróprio” para mulheres, habitualmente associadas a uma maior fragilidade e a papéis sociais domésticos. Embora nem sempre estivesse formalmente escrito, as entidades organizadoras da maratona seguiam estas ideias e não permitiam inscrições femininas oficiais.
A primeira participação feminina na Maratona de Boston aconteceu em 1967, com Kathrine Switzer. Ela inscreveu-se usando somente as iniciais “K. V. Switzer” e conseguiu alinhar oficialmente na prova, tornando-se a primeira mulher a correr a maratona com dorsal (261) e inscrição válida, ainda antes da proibição ter sido levantada. Durante a corrida, um oficial tentou expulsá-la à força, mas ela continuou e terminou a prova, marcando um momento histórico na luta pela inclusão das mulheres no atletismo.