Ela gostou de saborear-me o mangalho; júbilo, enfim
Eu perguntei se ela gostaria de saborear o meu mangalho. Isso foi logo após o jantar, às 23h07 de uma quarta-feira de neblina. Ela havia planejado minuciosamente as vestimentas provocantes, deixando a borboleta roxa explícita entre os seios, uma tatuagem que me convidava à lembrança e à entrega lasciva.
Pensei comigo se minha mente suportaria os dias intempéries que se seguiriam. Me perguntei se a culpa de permitir o entrecoito não me assombraria durante a semana e o expediente. Permaneci incerto, dei o gole final na taça do vinho mais barato do restaurante e fiz a pergunta da noite. Ela já me observava com um sorriso frouxo, e levantava a sobrancelha esquerda à mais simples frase que eu dissesse. Decerto, ela já fantasiava com o grande obelisco.
Ela saboreou ali mesmo, no estacionamento do Morello, do banco do carona para a degustação da carne. A vida é curta para se viver reprimido.
Talvez a diversão do mangalho seja, enfim, a felicidade do espírito.