Boymoders, com que frequência se referem à você no feminino?
aconteceu duas vezes há 5 meses + uma vez hoje. Estou transicionando no armário desde início/metade do ano passado (uns 11 meses). Queria que acontecesse com mais frequência...
aconteceu duas vezes há 5 meses + uma vez hoje. Estou transicionando no armário desde início/metade do ano passado (uns 11 meses). Queria que acontecesse com mais frequência...
(translated from my portuguese post)
I was just sitting there waiting for my turn when an older lady walked by, looked at the floor, and said: "You dropped this little paper. Is it yours, miss?". I was jumping with joy on the inside for a while lmao. I mean, my voice probably shattered her perception of me two seconds later, but yea
Then, the receptionist who calls the patients over saw me and asked if I had a preferred name. I froze for a second. I was kind of startled/scared because >>in theory<< I’m ✨boymoding✨, and I wasn't mentally prepared for that at all. I ended up panicking and saying I didn't have one 😭 😭 😭
Maybe my boymode isn't as "boy" as I thought, but since most people still use masculine terms for me, I guess it still counts!!!
Eu esperando minha vez. Uma senhora passa, olha pro chão e diz "Caiu esse papelzinho. É seu moçA?". Eu dei pulinhos internos de alegria ksksks Tudo bem que minha voz deve ter desfeito a percepção dela, mas acontece.
Depois, a outra moça do lugar, que trabalha ali e chama os pacientes, pergunta se eu tenho nome social. Eu gelei brevemente e tive uma reação meio de susto/medo, porque >>na teoria<< eu estou ✨boymodando✨, e eu não tava psicologicamente preparada pra isso acontecer, e daí acabei dizendo que não tinha 😭😭😭.
Talvez meu boymode não esteja tão boy, mas a maioria das pessoas ainda me chamam no masculino, então ainda tá valendo!!!
Inclusive, o médico ficou naquela coisa masculina de chamar pelo nome no aumentativo. Incrível como a maioria dos homens fazem isso. Eu to longe de ser passável, ainda mais no boymode, mas pelo amor de deus olha minha cara. Eu tenho cara de "Fulanão"?? (insira deadname)
Acho que uma das coisas que mais vemos é falarem que "Ah, mas seus cromossos/genes vão sempre ser os mesmos!", e minha resposta honesta é "tá, mas... e daí?".
Afinal, parem pra pensar. Esse argumento não é necessariamente apenas sobre genes ou cromossomos. A pessoa está afirmando que existe um certo marcador, registro ou coisa, efetivamente oculta e inacessível, que é imutável...
E é justamente o fato de ser efetivamente oculto e inacessível - ninguém consegue verificar o tal marcador no dia a dia - que o torna tão irrelevante. O modo com que dizem e repetem esse argumento chega a parecer um apelo ao metafísico - algo invisível, imutável e místico que define a "verdade" de alguém, independentemente de qualquer outra coisa.
Eu me sinto presa.
E eu queria poder falar isso mais alto. Mais claro.
Os pensamentos parecem não conseguir deixar a minha cabeça.
Eu queria poder libertá-los tal como eu queria me libertar.
Eu vivo reclusa do real. Interpreto uma máscara frágil em um mundo estranho. Sinto medo de deixá-la cair.
Certas noites eu considero em deixar de pensar sobre isso. Me expor de uma vez.
Mas pensar parece ser a única coisa que sei fazer.
Eu penso em mundos criados constantemente, no parque da minha mente. Imagino cenários, anseio cenários e fico ansiosa com cenários.
Esse ruído parece nunca acabar.
Me sinto presa.
Numa prisão com apenas uma barra de ferro à minha frente. Simbólica. Nela eu enxergo todo o meu transtorno. Toda a minha dificuldade. Como se me hipnotizasse. Eu não consigo ver que é só contorná-la e sair dali.
É apenas uma única barra.
Me sinto fraca.
Não tenho a coragem de viver a minha verdade.
Não tenho coragem de expor a minha verdade.
Eu vivo em um armário pequeno e abafado.
Eu ouço vozes de fora. A maioria parece ser gentil.
Eu quero que isso seja verdade.
Mas eu já conheço cada canto desse pequeno lugar. Me entristece, mas é anestesiante. É confortável quando não penso na dor. Talvez eu tenha me acostumado a ficar sentada aqui dentro, na mesma posição.
Eu tenho medo de levantar e abrir essa porta. De sentir a dor nas minhas pernas que ficaram tanto tempo paradas. Paralisadas. De sentir a dor de uma luz que meus olhos não estão acostumados.
Gostaria que essas paredes desabassem sozinhas.
Minha pele já está pálida. Eu só queria sentir um pouco de sol.
Mas por ora aqui fico. Reclinada, na mesma posição de sempre.
Me sinto esperando.
Enquanto tento olhar pela fresta desta porta.
Uma tênue luz que um dia me espera lá fora.
Acho que eu tô num ponto estranho da TH, mas de forma geral a leitura final das pessoas ainda tende a ser masculina por eu estar no boymode...
Tem momentos de altos e baixos e dessa vez está sendo de baixos.
Primeiro, eu quase não consigo conter a inveja das minhas amigas trans. Todas elas ou já são passáveis ou estão ficando passáveis muito mais rápido do que eu. Tenho uma que já é chamada no feminino com certa frequência toda semana, sendo que ela ainda fica no "boymode" e está há menos tempo de TH do que eu. E pra piorar, ela se descobriu trans 1 a 2 anos depois de mim e já saiu do armário publicamente, enquanto eu fico reclusa de medo até hoje.
Segundo, quando eu me sinto um pouco mais feminina, tudo decai em seguida porque percebo que mesmo sendo bem mais feminina do que o cara médio da minha idade, 99% das garotas são extremamente mais femininas em rosto e corpo.
É muito triste isso... e olha que ontem eu estava me maquiando no meu quarto pela primeira vez em meses e me sentindo linda, e agora hoje estou me sentindo horrível...