Não entendo a pauta das cotas trans, alguém poderia explicar?
Eu genuinamente nao entendo o motivo da universidade (e das outras universidades no geral) adotarem cotas trans.
Entendo que essa é uma população vulnerabilizada e vi muitos aqui falando "ah, é que a maioria dos trans nao consegue nem concluir o ensino médio pois sao expulsos de casa"
Eu entendo que isso é horrível, mas se for por isso, não deveríamos ter cota pra pessoas órfãs?
E vamos fazer um comparativo com as cotas raciais (apesar que num mundo ideal, as cotas raciais nao deveriam existir pois negros e brancos teriam a mesma oportunidade, mas sabemos que nao e assim!!)
Bom vamos lá;
A questão é que antes dos anos 2000 quando as cotas não existiam, só uns 2% dos pretos e pardos conseguiam acessar o ensino superior.
E bem..... A população brasileira é composta de 60% pretos/pardos (e eu pessoalmente acredito que sejam muito mais, tá cheio de gente com lata whindersson Nunes e Neymar se achando branco)
Enquanto pessoas trans no Brasil sao menos de 1% das pessoas.
A desigualdade racial é bem mais severa que a trans no contexto brasileiro, onde mais da METADE da população nao tinha acesso ao superior.
Não seria legal reivindicar uma cota PCD?
Não quero ser transfobica nem nada, só um questionamento mesmo. Pq se a justificativa da cota trans é "muitos sao expulsos de casa e nao concluem os estudos" então faz sentido dar cota pra qualquer um que não tenha apoio familiar..
edit: também tenho dúvidas de como funcionaria o processo de heteroidentificacao, pois de acordo com muitos, pra ser trans nao é necessário sentir disforia de gênero, então tudo bem eu me declarar NB alinhado ao masculino enquanto digo que não sinto disforia e ao mesmo tempo usufruo do privilégio de mulher cis.
Mas se pra ser trans nao precisa transacionar nem sentir disforia, como vão saber quem realmente é quem, e quem quer cota??
se até as cotas raciais sao fáceis de fraudar.
até o Papfe tem gente que frauda...