u/socanblyat

Pergunta e reflexão sincera para quem se dispor:

- Antes de tudo: entendo totalmente a questão psicológica da imigração (distância da família, xenofobia, adaptação). Não há o que discutir em relação a isso e, como não morei fora, não tenho a perspectiva prática das reais dificuldades. Mas estou iniciando um processo de preparação para imigração (estipulando uns 2 anos para firmar idioma, currículo, etc). Sou do setor de Dados e minha esposa é do Comercial. Visamos a Alemanha.

- O meu intuito aqui não é desqualificar o relato pessoal de quem fez o caminho de volta ao Brasil. Mas, analisando de forma fria, não consigo entender em que ponto o custo de vida entra como um real empecilho ao cogitar viver fora.

- Não sou totalmente leigo. Entendo o peso da carga tributária alemã, a concorrência no mercado, os salários líquidos menores, os custos de aluguel e até os problemas estruturais de lá que são de conhecimento de todos. Mas, ao trazer a perspectiva para cá, ainda assim parece que no pior dos cenários há uma distância grotesca.

- Digo isso pois nosso objetivo de vida é ter filhos e oferecer a eles aquilo que eu e minha esposa não tivemos. E educação entra como algo indiscutível nesse sentido.

- Hoje nós temos uma condição acima da média para os padrões do Brasil, e damos muito valor a isso. Mas ao colocar no papel os custos reais de se assumir filhos aqui, chega a ser assustador. Moramos em Curitiba e sei que, caso eu foque em uma educação de excelência, terei de arcar com algo entre R$ 5k a R$ 10k mensais para dois filhos — somente em termos de escola. Isso levando em consideração o nosso consenso de que gostaríamos que minha esposa passasse a fase inicial da criação em função deles. E a escola seria apenas uma das facetas do custo total.

- Um detalhe importante: somos pessoas simples e não visamos luxo. O básico é e sempre será suficiente para nós. Mas é justamente em cima disso que não consigo entender o que não estou enxergando ao comparar as diferenças de custo de vida.

- Entendo a possibilidade de trabalhar para fora estando aqui no Brasil (ganhar em dólar/euro e manter o padrão). Mas também assumo que não gostaria de viver em função de trabalho. Sinceramente, caso o Estado me garanta o básico bem feito lá fora, me imagino tendo a possibilidade de ter mais tempo para viver em função da minha família.

Espero que tenha ficado claro o meu ponto. O que estou deixando passar nessa matemática? Quaisquer relatos pessoais e perspectivas são bem-vindos.

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u/socanblyat — 8 days ago