


Why is there country "balls" that are not balls?
I understand Nepal, but what about German Empire ou Israel?



I understand Nepal, but what about German Empire ou Israel?
Eu sei que já está saturado o paradoxo aqui no sub, mas ninguém postou a refutação ainda, então eu tenho que fazer. Eu vou primeiro definir corretamente os conceitos presentes e daí vou para cada ponto do argumento.
O mal como privação do bem.
Para Santo Agostinho, o mal não tem "ser". Ele não é uma substância e menos ainda criado por Deus, ele é a privação do bem, uma imperfeição. O mal existe tanto quanto a escuridão, que é apenas a ausência luz.
A permissão do mal e o "bem maior".
Agora que sabemos que o mal é apenas uma privação, porque Deus permite essa privação? Segundo São Tomás de Aquino, Deus é tão bom e poderoso que é capaz de extrair o bem do próprio mal. E alguns dos bens ou virtudes extraídos só poderiam logicamente existir se o mal é permitido, como a Justiça e a Caridade, e isso aumenta a perfeição do Universo. Portanto Deus não quer o mal, ele o permite para extrair bem dele, como uma mancha escura em um quadro que é feia de perto, mas é necessária para harmonia do quadro, pois dá destaque a luz deste mesmo quadro.
A onipotência e a lógica
Para São Tomás de Aquino, a Onipotência divina significa que Deus pode fazer tudo o que é possível, ou seja, tudo aquilo que não carrega uma contradição lógica. Deus não pode criar um "triangulo de 4 lados" ou um "solteiro casado", pois estes não são coisas, não podem ser trazidos à realidade, são pseudoproposições.
O Livre-Arbítrio
"Por que Deus não criou seres livres, mas que são incapazes de escolher o mal?" Porque isso seria, novamente, uma contradição. O Livre-Arbítrio é a capacidade da vontade de se dirigir a um bem escolhido. Se Deus determinasse que a vontade só pudesse seguir um único caminho (o bem), ela não seria "vontade", seria um "instinto" ou uma "programação". Um "ser livre que não pode escolher" é uma contradição lógica, e portanto, não pode existir. Então o mal moral causado pelo Livre-Arbítrio não é um erro de execução, mas sim uma que a liberdade é real. Deus nos deu o Livre-Arbítrio para que possamos alcançar o maior de todos os bens, o Amor. E o Amor, por definição, só é amor se for um ato livre e não um processo automatizado. O mal moral, então, é o resultado do mau uso de um bem (a liberdade) por parte da criatura, e não uma falha do Criador.
Agora vamos os pontos do paradoxo.
O mal Existe?
Depende da definição, se você diz existir como uma substância como um atomo, a consciência, o Livre-Arbítrio ou o Amor, NÃO. O mal é como o frio, ele não é algo, é só a ausência do calor, ele é a ausência do bem. Mas para a proposta desse debate, digamos que o mal "existe" como uma falta ou uma imperfeição na ordem das coisas.
Deus sabe que o mal existe?
Sim, sendo onisciente ele sabe que mal existe. Assim como um maestro sabe que uma nota está faltando na música, Deus sabe onde o bem está faltando, e portanto há o mal.
Deus pode acabar com o mal?
Sim, Deus tem o poder de acabar com toda e qualquer privação. Mas precisamos usar o conceito da onipotência lógica de São Tomás de Aquino. Deus poderia acabar com o mal agora? Sim, poderia. Mas para fazer isso de forma imediata e mecânica, Ele teria que:
Anular o Livre-Arbítrio, pois o mal moral surge das escolhas das criaturas.
Violar a Ordem Natural, pois o mal natural faz parte de um sistema de causas e efeitos que gera bens maiores (Como a paciência e a coragem).
Portanto, Deus "pode" acabar com o mal, mas Ele escolheu um caminho onde o mal é vencido sem destruir a liberdade. Ele acaba com o mal através da Providência e da História, e não através de um grande delete que apagaria nossa humanidade e nos transformaria em marionetes.
Deus quer acabar com o mal?
Sim, e Ele o fará. Mas Ele não quer apenas destruir o mal, quer vencê-lo de forma justa. E São Tomás de Aquino divide a vontade de Deus em duas:
Vontade antecedente (o ideal), Deus, por natureza, quer apenas o bem e a perfeição de todas as coisas. Nesse sentido, Ele "quer" o fim de todo o sofrimento.
Vontade consequente (o plano real), Deus permite o mal para que um bem maior aconteça.
Se Deus acabasse com o mal num estalar de dedos agora mesmo, Ele teria que destruir todos os seres que cometem falhas (incluindo eu e você) ou nos transformar em robôs sem vontade. Deus "quer" acabar com o mal, mas Ele escolheu o caminho da História. Ele quer que o mal seja vencido através da nossa cooperação e do nosso amadurecimento. Ele permite o mal por um tempo para que, no final, o bem que surja seja um bem escolhido e não imposto.
Então porque o mal existe?
O mal existe como uma permissão divina para que a estrutura da realidade seja preservada. Ele não existe como uma criação, mas precisa ser permitido como um custo para 3 grandes bens muito maiores que Deus não quer anular, e só poderiam existir, logicamente, se o mal é permitido. Estes são:
A Liberdade Humana, Para que o nosso amor e a nossa virtude sejam reais, e não programados.
A Ordem Natural, Para que o universo tenha leis estáveis (onde causas geram efeitos), permitindo o desenvolvimento da vida e do intelecto.
A Vitória da Virtude, Para que bens como a coragem, a misericórdia, o sacrifício e o perdão possam ser exercidos.
O mal é, portanto, um vazio temporário em um mundo que ainda está em construção.
Deus poderia ter criado um universo com livre-arbítrio e sem o mal?
Não, e não é uma limitação de poder, faz parte da definição de onipotência. O que é pedido é uma impossibilidade lógica, pois a existência do Livre-Arbítrio exige a possibilidade do mal. Se Deus programasse o Livre-Arbítrio para ele sempre acerte, ele deixaria de ser o que é e viraria um código ou instinto. Pedir Livre-Arbítrio sem o mal é o mesmo que pedir para casar e continuar solteiro, é uma impossibilidade lógica. Não é que Deus "não consegue" fazer, é que a pergunta é um absurdo linguístico que não descreve nada que possa existir.