Primeiro que, sim, há muitas polêmicas e controvérsias ao redor do cara sobre ser chato e o ego em pessoa, sobre ele ser apoiador dos milicos, essa história tem uma narrativa torta e quebrada pra caralho que é francamente difícil de acreditar, considerando o quão amigo o Roberto era e ainda é com artistas que foram caçados pela ditadura e exilados(vulgo, Caetano).
Mas cara, eu simplesmente queimei minha língua em achar que Roberto Carlos não poderia falar de mais nada em suas músicas a não ser só música de amor pra tia e véia curtir, não bicho, esses 2 álbuns de 71 e 72 eu agora compreendo o porque são considerados classicos da música brasileira, Roberto Carlos falando de tópicos mais sérios em Todos Estão Surdos, um protesto sutil e sublime em confortar outro amigo artista em Debaixo Dos Caracóis De Seus Cabelos pro Caetano.
Mas bicho, nada estava me preparando pra faixa Traumas, um elogio fúnebre, doloroso e sensível a uma memória de um evento tão terrível e assustador ao acidente fatal que o Roberto sofreu quando criança e o quanto esse momento ainda o assombra até hoje, embora o Rei e cobiçado por várias mulheres e homens querendo ser como ele, o bicho aqui da a cara a tapa a seus antigos medos e traumas como forma de buscar força em um choro de ajuda e fé.
Só pra no álbum seguinte ser uma reflexão introspectiva de como se é ser um adulto, mesmo que com uma vida estável, essas dores e dias cinzas ainda fazem parte do grande mosaico que são nossas vidas, por mais que hajam cores vividas, sucesso, amor, tudo que há de positivo e iluminado, o RC vê que, aqueles tons cinzas daqueles dias jamais irão embora, então ele só simplesmente faz as pazes com esse fato e segue em frente(eu finalmente entendo pq o Sérgio Sampaio admirava tanto o Roberto Carlos, eu finalmente entendo meu capixaba!).