Quando falamos em sistemas de defesa pessoal, é comum encontrar uma tendência curiosa: o foco em golpes traumáticos em pontos sensíveis como olhos, ouvidos (sistema vestibular), garganta, genitais, joelhos, rins e coluna vertebral; assim como projeções e chaves de articulação em dedos, pulso e cervical.
Essas técnicas de fato são eficientes, e algumas até mesmo ensinadas em sistemas de combatives policial e militar; porém, o treinamento focando essas técnicas como recurso principal, em vez de última opção, tende a gerar uma falsa confiança, pois essas regiões citadas são tão sensíveis que não é prático treinar com resistência. Assim, o praticante tende a treinar somente drills, aparadores e modalidade de semi-contato, em vez de algo mais próximo a uma situação real, onde o parceiro de treino está continuamente reagindo e atacando com um pouco de força.
E mesmo utilizando equipamento de proteção, não reduziria as limitações da técnica em si; por exemplo, um golpe de acertar os olhos com os dedos é naturalmente arriscado de acertar a testa (osso frontal do crânio), ou uma chave de pulso gera menos controle que chaves de ombro ou cotovelo, como uma kimura ou mir lock.
Em contrapartida, em modalidades de esportes de combate, desde a primeira semana no jiu-jitsu brasileiro você tem a experiência de tentar derrubar e controlar alguém no chão; tipo no karatê kyokushin, muay thai e sanda onde você realmente vai lidar com a pressão de ter alguém lhe chutando e socando com força. O praticante dessas artes tem muito menos chance de congelar (flinch / startle response) e terá experiência para adaptar as técnicas esportivas para esses pontos sensíveis: o pisão frontal (teep) no quadril muda para o joelho, clinch de lado acertando rins, cruzado abaixo da orelha, crossface (forçar extensão ou rotação cervical) para projeção ou controle no chão...
O professor dessas modalidades de combate que tira uma aula da semana para ensinar o aluno a bater e bloquear sem luva, assim como algumas “maldades”, contextualiza para situações de defesa.
Estive desenvolvendo essa ideia e gostaria da opnião e sugestões de vocês