


Acidentes Rodoviários // Acidentes // Vítimas
A propósito da famigerada petição que por aí anda, clamando pela proibição de condução na faixa etária acima dos setenta e cinco anos.
Os dados não parecem bater certo. De acordo com o Relatório Anual da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (2024 — o último relatório anual disponível), os jovens são os mais envolvidos na sinistralidade.
Ademais, se for para retirar a carta por faixa etária, sexo, idade, etc., os homens, num todo, ficariam sem carta de imediato. Vide, p. ex., esta peça do Público. Ou, então, até retiraríamos a carta a grupos inteiros só por usarem uma determinada categoria de veículo.
O direito à carta é, por enquanto (sou dos que acham que, dentro de cinquenta anos, talvez seja diferente; mas a exclusão não pode ser feita em bloco), inalianável. Esforçamo-nos imensos por não a tirar, mesmo quando a malta merece. E no dia em que decidirmos começar a tirar a carta às pessoas preventivamente e com base em estatística probabilística (ao estilo de seguros de saúde), certamente que os velhotes não serão os primeiros a ficar sem ela.
É claro que o direito não é absoluto. Muito menos o valor da "independência" pode passar por cima da segurança pública. Mas, se é para lançar medidas para o debate público, que se proponham exames periódicos exigentes de dez em dez anos, p. ex. Não uma exclusão preventiva e em bloco.