
(eu prometo que também tô falando de estudos religiosos ok, vou chegar lá)
Eu digo que falta filosofia num sentido social, na verdade: vejo, inclusive nesse sub, muitas conversas baseadas uma experiência pessoal mas que falham em entender conceitos sociais (que dependem de muitos indivíduos participando pra acontecer, ou que compõem a própria relação entre os indivíduos) e conceitos abstratos (a diferenciação entre uma situação literal e uma situação hipotética, assim como a diferenciação entre um sistema por escrito e o mesmo sistema na prática, mesmo que eles sejam diretamente equivalentes).
Quero dar um exemplo minimamente tangível pra ficar claro a situação que eu tô criticando: em conversas na internet sobre "pessoas trans nos esportes", é comum a pessoa A dar um exemplo do tipo "imagina se o Shaquille O'Neal transicionasse e fosse lutar MMA com a Ana Maria Braga, seria injusto né?", e sim seria injusto, assim como seria injusto colocar o O'Neal pra lutar com o Manny Pacquiao. Esse Pacquiao é campeão de diversos torneios e desenvolveu algumas técnicas modernas, ele é uma referência gigante no MMA, porém tem 1,65 de altura e luta na categoria peso-pena. Essa é a materialidade da situação. O O'Neal tem 2,16 de altura. Sério, olha o tamanho de uma garrafinha de 500ML na mão desse corno na imagem do post.
A desproporcionalidade desse exemplo não tá no gênero ou no sexo, tá na categoria de peso. Se a gente der o mesmo exemplo, mas proporcional a esse critério, a situação fica menos absurda: caso transicionasse, o Pacquiao cairia na mesma categoria de peso da Ana Maria Braga, e aí sim poderia ter uma luta de MMA mais justa.
Esse exemplo, apesar de ser uma situação cômica pelo tamanho do Shaquille O'Neal, é um hipotético que as pessoas realmente dão pra falar sobre acesso a esportes. Eu não tô aqui pra debater esse exemplo hoje, mas pra apontar a não-análise que ele propõe: a estética de achar absurdo uma luta entre o O'Neal e a Ana Maria é suficiente pra muita gente nem perceber que eles nunca cairiam na mesma categoria e aceitar defender um ponto que não tem como ser real.
Eu tentei dar um exemplo impessoal à demografia do sub, acho que se eu desse um exemplo ácido demais eu afastaria mt gente da conversa, mas essa não-análise acontece em outros lugares (tipo cristão defendendo o Bolsonaro quando ele disse que ia atirar em indígena e petista nas eleições, assim como sendo a favor da pena de morte. Não vi acontecer nesse sub, mas é uma contradição real na população brasileira e no ocidente)
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Tentando trazer o assunto pra um ponto mais sério, essa não-análise se torna preocupante quando ela é o comum e não apenas um erro pontual: isso inclui quando a gente diz que quer causar o bem mas participa da manutenção do mal, quando a gente diz que está seguindo a Jesus mas não não entendeu como "buscar a verdade", quando a gente se preocupa mais em se identificar como conservador/progressista do que com botar à prova se as propostas do nosso próprio grupo conseguem causar o resultado que prometem.
Eu não acho que eu consiga resolver isso ou estudar caso a caso com cada pessoa do grupo, mas uma coisa que eu posso tentar fazer é ajudar a gente a enteder os métodos de análise que existem e a origem de conceitos que nós usamos hoje. Por exemplo, vejo muitas conversas que seriam inteiramente diferentes se os envolvidos tivessem um conhecimento sobre "contrato social" ou sobre conceitos de comunicação. Então aos poucos tô ficando mais interessado em tentar trazer esses conceitos pra gente debater e se informar, muitos deles não são tão complexos e aos poucos eles dão um repertório muito funcional pra causar resultados positivos no mundo.
Nesse post eu tô meio que só desabafando essa ideia, mas quero saber sobre conceitos que vocês acham úteis / funcionais / querem entender melhor (tanto sociológicos quanto litúrgicos e ritualísticos), assim como levantar a bola pra mais gente se organizar ao redor dessa ideia caso queira, inclusive se a ideia der certo era bom até pedir um masterpost pros mods compilarem as conversas que já aconteceram.