u/Future_Leg_4059

▲ 36 r/Maromba

lê o post inteiro. Prometo que não é negacionismo, é o oposto, e sim, calorias existem mas não são métrica para humanos.

A caloria alimentar foi definida no século XIX usando um calorímetro de bomba, você literalmente queima o alimento numa câmara selada, mede o calor liberado e chama isso de valor calórico. O problema fundamental é que você não é uma câmara de combustão. Seu corpo não queima nada. Ele fermenta, hidrolisa, fosforila e oxida substratos através de cascatas enzimáticas com eficiência variável dependendo de dezenas de fatores. Chamar esses dois processos de equivalentes é a mesma coisa que dizer que um motor a explosão e uma célula fotovoltaica são a mesma coisa porque ambos usam energia.

Os fatores que usamos hoje pra calcular caloria de proteína, gordura e carboidrato foram estabelecidos por Wilbur Atwater entre 1887 e 1902. O homem fez um trabalho sério para a época. O problema é que estamos em 2026 e ainda usamos os mesmos coeficientes como se fossem lei da física.

Atwater assumiu absorção média. Mas a absorção não é média é individual, depende do microbioma, do estado da mucosa intestinal, da matriz alimentar e do processamento do alimento. Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition mostrou que amêndoas cruas entregam cerca de 30% menos energia absorvível do que o valor calórico no rótulo indica. O rótulo diz 170kcal. Você absorve em torno de 120kcal. Essa diferença de 30% aplicada a uma dieta inteira é absurda.

500kcal de glicose pura e 500kcal de gordura saturada disparam cascatas hormonais opostas. A glicose estimula insulina, que inibe lipólise, que redireciona partículas de LDL, que altera sinalização de leptina. A gordura entra em beta-oxidação mitocondrial por caminho completamente diferente, com rendimento de ATP distinto e sem resposta insulínica relevante. O número 500kcal descreve o calor de combustão. Não descreve o que acontece dentro de você. São dois eventos biológicos completamente distintos sendo colapsados num único número como se fossem equivalentes.

Proteína tem efeito térmico de 25-30%. Carboidrato 6-8%. Gordura 2-3%. Isso significa que de cada 100kcal de proteína que você ingere, seu corpo gasta até 30kcal só pra processar. Esse custo metabólico não aparece em nenhum aplicativo de contagem. Os aplicativos de medir caloria tratam 100kcal de peito de frango igual a 100kcal de açúcar. São coisas fundamentalmente diferentes sendo medidas com a mesma régua quebrada.

"Mas as pessoas emagrecem contando caloria"...

Emagrecem. E também emagrecem cortando carboidrato sem contar nada, fazendo jejum intermitente sem contar nada, mudando qualidade alimentar sem contar nada. A contagem de caloria funciona como proxy ruim de um comportamento útil, comer menos porcaria processada e prestar atenção no que come. O mecanismo não é o déficit calórico. É a mudança hormonal, a redução de insulina, a melhora do microbioma e a maior saciedade. A caloria levou o crédito do trabalho que a qualidade alimentar fez.

u/Future_Leg_4059 — 9 days ago
▲ 77 r/Maromba

Quem comprava whey em 2022/23 lembra que dava pra achar sachê de 900g de marca nacional por R$80-100. Hoje o mesmo produto tá entre R$140 e R$200 dependendo da marca e do ponto de venda. Isso é uma alta de mais de 80% em menos de três anos.

As justificativas que as marcas jogam na nossa cara são sempre as mesmas: dólar, custo do leite importado, logística. E sim, parte disso é real. O whey concentrado e o isolado que chegam aqui vêm majoritariamente dos EUA, Europa e Nova Zelândia. Com o câmbio destruído e o custo do frete ainda alto, a margem comprimiu. Só que alguém esqueceu de avisar pras marcas que a margem delas não comprimiu nada, os relatórios de algumas empresas do setor mostram lucro crescendo inclusive, enquanto o bolso do consumidor sangra.

Existe uma proposta tramitando no legislativo para reclassificar e regulamentar suplementos alimentares de forma muito mais rígida no Brasil. O argumento oficial é proteção ao consumidor, padronização e segurança. Bonito no papel. (fonte no blog dos malditos)

O problema é o que vem junto. Quando você aumenta o nível de exigência regulatória de um produto, você automaticamente eleva a barreira de entrada para produtores menores e aumenta o custo de compliance para todos. Quem absorve esse custo? Você, que compra o pote todo mês.

O Félix Bonfim até fez vídeo comentando sobre: veja aqui

No fim, o que vai sobrar pra classe média é proteína da ervilha e no máximo uma albumina.

u/Future_Leg_4059 — 10 days ago