Por que TEAs são tão hostilizados?
Minha namorada foi diagnosticada com TEA nível 1 há quatro anos, enquanto estávamos nos conhecendo. Eu era residente e ela estudante na mesma federal. Este ano ela passou numa residência concorrida pelas cotas PcD e desde o começo me diz que sofre bastante hostilidade por parte dos colegas e preceptores (destes é mais velado).
Ela sempre foi uma menina mais introspectiva, tranquila, não curte muito sair, fica em casa lendo e estudando na companhia do nosso gato. É bem educada e querida por quem entende ela, mas passa longe de ser sociável. Ela não tem estereotipias muito visíveis, mas alguma rigidez cognitiva e é bem apegada a rotina. No começo do nosso namoro ela até se esforçou bastante para me acompanhar nas festas (sou bem agitado, adoro uma bagunça), mas quando vi que isso não fazia bem a ela, e que era ela que eu queria pra ser minha companheira, me adaptei mais ao estilo dela e somos felizes desde então.
Ela estava em dúvida se prestava as provas de residência pelas cotas PcD porque se achava “normal demais para ser vista como PcD, mas estranha demais para ser normal” (sic), mas eu dei força e falei que era um direito dela, que ela não tinha culpa de ter nascido com esta característica. Acontece que desde que ela entrou na residência (na mesma especialidade que fiz) a vida dela ficou muito difícil pela hostilidade dos pares e staffs e estou me sentindo parcialmente culpado por isso.
Acho que vivo numa bolha, porque todos os poucos neuroatípicos que conheço são tratados pela maior parte dos colegas com a equidade que eu esperava que ela seria tratada.