falta de empatia e orgulho no relacionamento
Eu tenho 29 anos. Sou mulher.
Namoro há quase 5 anos com um homem (27 anos) que eu amo muito, mas estou começando a me sentir emocionalmente exausta da forma como nossas brigas acontecem.
A situação dessa semana foi “simples”: ele esqueceu a aliança em casa justamente agora que vamos passar a semana longe pela segunda vez, porque ele começou a trabalhar em outra cidade durante a semana. Eu fiquei chateada porque, pra mim, a aliança tem um peso simbólico importante nesse contexto.
Em nenhum momento eu disse que ele fez por mal. Inclusive reconheci várias vezes que foi um acaso e que em quase 5 anos isso nunca aconteceu.
O problema começou quando tentei expressar meu sentimento, depois dele dizer que não queria que eu enviasse pelo correio, algo de grande valor para ele. O que eu entendi, mas fiquei chateada mesmo assim, porque sou humana também, mas eu via que tinha sido sem querer.
Ele pediu desculpas, mas logo depois começou a dizer coisas como:
“você é completamente incapaz de compreender o acaso”
“eu não vou abaixar a cabeça pra você”
“vou falar mesmo que isso doa em você”
e chegou a usar a palavra “subserviente”, como se eu estivesse esperando submissão dele só porque eu queria acolhimento emocional.
Depois, quando tentei explicar que me senti invalidada emocionalmente, ele disse que NÃO me invalidou porque pediu desculpas antes, e que não vai pedir desculpas pelo resto do que falou.
Mas é justamente isso que me deixa confusa e machucada. Porque, pra mim, pedir desculpas e logo em seguida transformar minha reação em “incapacidade de compreender o acaso” invalida completamente o acolhimento daquele pedido de desculpas.
Eu sinto como se estivesse falando com um advogado, usando "subserviente", tentando ganhar um caso, não com alguém tentando me compreender emocionalmente. É um jeito muito "palestrinha", muito racionalizador, como se tudo precisasse virar tese, argumento e lógica, enquanto eu só estou machucada querendo conexão.
Mas o que me confunde é que ele NÃO é assim o tempo todo.
Eu tenho plena certeza de que, em momentos em que ele está emocionalmente menos ativado ou menos defensivo, ele consegue me ouvir, me acolher e me compreender. Existem momentos muito bonitos entre a gente. Existem conversas em que ele é sensível, carinhoso e presente emocionalmente.
Só que, durante conflitos, parece que ele vira outra pessoa. Como se entrasse num modo extremamente defensivo, rígido e inflexível. E aí tudo vira lógica, argumento, orgulho e necessidade de provar um ponto.
E isso acontece em MUITAS das nossas brigas. Não é algo isolado de hoje. Em uns 40% das vezes ele consegue me ouvir de verdade e reconhecer, mas para isso a gente tem que ter conversado e eu apresentado inúmeros pontos, e isso ta me deixando exausta emocionalmente. No resto, eu termino me sentindo emocionalmente sozinha dentro da conversa, porque o clima fica horrível e eu tenho que esperar o tempo passar para melhorar.
Eu o amo muito. E tenho mania de passar por cima dos meus próprios sentimentos pra restaurar a conexão entre a gente. Sou sempre eu dizendo “vai ficar tudo bem”, “eu te amo”, “vamos deixar isso pra lá”, mesmo quando ainda estou machucada.
Só que dessa vez eu senti um cansaço diferente.
Eu realmente não sei se estou exagerando por ser muito sensível, ou se isso realmente é uma falta de empatia emocional séria dentro da relação.
Queria opiniões sinceras:
isso é incompatibilidade emocional?
orgulho?
falta de maturidade emocional?
ou eu estou esperando acolhimento demais?
Edit: Acho que muita gente entendeu a aliança como o problema central, mas ela foi só o gatilho da conversa.
Eu dei um recorte do relacionamento, não um resumo completo dele. Nós já tivemos brigas muito mais sérias do que essa. O que começou a me preocupar não foi “a aliança esquecida”, e sim perceber como ele reage emocionalmente quando existe conflito.
Eu comecei a perceber uma dificuldade muito grande dele em acolher, ser gentil e validar sentimentos durante discussões. Parece que ele entra automaticamente num lugar defensivo, racional e com muita dificuldade de pedir desculpas sem transformar a conversa numa disputa lógica.
E o mais louco é que eu só consegui enxergar esse padrão claramente agora, numa briga aparentemente boba.
Porque no fim, pra mim, o ponto nunca foi a aliança. Eu fiquei chateada, ele poderia simplesmente acolher isso e seguir a vida. Mas no meio disso vieram falas me diminuindo emocionalmente e transformando minha reação em “incapacidade de compreender o acaso”. E isso não aconteceu só dessa vez.