u/Fancy_Impact_1677

  1. Existe um lobby em alguns discursos digitais voltados para homens que busca demonizar o consumo de pornografia, não porque a indústria pornográfica tem vários problemas e prejudica sobretudo mulheres, mas vendendo a ideia de que o consumo de pornografia estaria inerentemente prejudicando os homens que a consomem, emasculando-os de alguma maneira. Coincidentemente, a maioria esmagadora das pessoas que acreditam ser viciadas em pornografia são homens, embora mulheres consumam pornografia em uma proporção que é um pouco menor, mas não tão menor assim.

  2. Em vários estudos feitos com pessoas que alegam consumir pornografia, observou-se uma tendência: os que alegam vício em pornografia quase sempre tem o mesmo perfil. Homens jovens religiosos ou que tiveram uma criação religiosa. Pessoas não religiosas tendem muito menos a descrever o consumo de pornografia como patológico, mesmo consumindo pornografia com a mesma frequência e regularidade. Isso sugere que o entendimento do consumo em pornografia como prejudicial está muito relacionado a um sentimento moral de culpa e angústia que indivíduos religiosos tendem muito mais a sentir, por entenderem certas formas de exercer a sexualidade como pecaminosas.

  3. Em uma perspectiva não religiosa, segundo a ciencia, masturbação é algo saudável e o consumo de pornografia, em si mesmo, não é prejudicial (lembrando que pornografia é qualquer estímulo visual, imagético ou literário, não estando necessariamente associado a uma indústria). O que ocorre é um terrorismo moralista que ajuda a produzir a percepção de vício e inverte o problema da indústria pornográfica, vilanizando as verdadeiras vítimas dessa indústria (ocorre muita exploração sexual e fomentação de padrões irreais que recaem sobretudo sobre mulheres) e "vitimizando" os homens que consomem a pornografia dessa indústria, como se o problema fosse que isso de alguma maneira os prejudica.

Uma das inúmeras fontes que falam sobre isso:

"Crenças morais ou religiosas podem levar algumas pessoas a acreditarem que são viciadas em pornografia, mesmo quando seu consumo é baixo ou moderado, de acordo com uma nova pesquisa publicada pela Associação Americana de Psicologia."

“O vício em pornografia, segundo relatos dos próprios indivíduos, provavelmente está profundamente ligado a crenças religiosas e morais”, afirmou o pesquisador principal Joshua B. Grubbs, PhD, professor assistente de psicologia na Bowling Green State University. “Quando as pessoas desaprovam moralmente a pornografia, mas ainda assim a consomem, é mais provável que relatem que a pornografia está interferindo em suas vidas.”

https://www.apa.org/news/press/releases/2020/02/religious-moral-porn-addiction

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u/Fancy_Impact_1677 — 9 days ago

Nietzsche propõe a figura do Ubermensch como uma meta a ser alcançada, um horizonte que representa a superação da moralidade de rebanho e da má consciência moral. Entendo que esse indivíduo soberano é um tipo psicológico imaginado, e nomeá-lo assim funciona como um recurso imagético para visualizar esse tipo psicológico. Mas quando o Ubermensch é descrito como uma "meta" que "um dia nascerá" me parece que ele está propondo um humano idealizado, quase uma transcendência: como se o real tivesse que ser superado a partir de um horizonte idealizado. E isso parece se contradizer com a proposta de amor fati, de abraçar a realidade como ela é, e parece se contradizer com a crítica ao idealismo tão presente em seus escritos. Alguém consegue explicar como o Ubermensch não seria um ideal e não seria um tipo de transcendência? Sinto que estou perdendo algo

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u/Fancy_Impact_1677 — 10 days ago