Existe um lobby em alguns discursos digitais voltados para homens que busca demonizar o consumo de pornografia, não porque a indústria pornográfica tem vários problemas e prejudica sobretudo mulheres, mas vendendo a ideia de que o consumo de pornografia estaria inerentemente prejudicando os homens que a consomem, emasculando-os de alguma maneira. Coincidentemente, a maioria esmagadora das pessoas que acreditam ser viciadas em pornografia são homens, embora mulheres consumam pornografia em uma proporção que é um pouco menor, mas não tão menor assim.
Em vários estudos feitos com pessoas que alegam consumir pornografia, observou-se uma tendência: os que alegam vício em pornografia quase sempre tem o mesmo perfil. Homens jovens religiosos ou que tiveram uma criação religiosa. Pessoas não religiosas tendem muito menos a descrever o consumo de pornografia como patológico, mesmo consumindo pornografia com a mesma frequência e regularidade. Isso sugere que o entendimento do consumo em pornografia como prejudicial está muito relacionado a um sentimento moral de culpa e angústia que indivíduos religiosos tendem muito mais a sentir, por entenderem certas formas de exercer a sexualidade como pecaminosas.
Em uma perspectiva não religiosa, segundo a ciencia, masturbação é algo saudável e o consumo de pornografia, em si mesmo, não é prejudicial (lembrando que pornografia é qualquer estímulo visual, imagético ou literário, não estando necessariamente associado a uma indústria). O que ocorre é um terrorismo moralista que ajuda a produzir a percepção de vício e inverte o problema da indústria pornográfica, vilanizando as verdadeiras vítimas dessa indústria (ocorre muita exploração sexual e fomentação de padrões irreais que recaem sobretudo sobre mulheres) e "vitimizando" os homens que consomem a pornografia dessa indústria, como se o problema fosse que isso de alguma maneira os prejudica.
Uma das inúmeras fontes que falam sobre isso:
"Crenças morais ou religiosas podem levar algumas pessoas a acreditarem que são viciadas em pornografia, mesmo quando seu consumo é baixo ou moderado, de acordo com uma nova pesquisa publicada pela Associação Americana de Psicologia."
“O vício em pornografia, segundo relatos dos próprios indivíduos, provavelmente está profundamente ligado a crenças religiosas e morais”, afirmou o pesquisador principal Joshua B. Grubbs, PhD, professor assistente de psicologia na Bowling Green State University. “Quando as pessoas desaprovam moralmente a pornografia, mas ainda assim a consomem, é mais provável que relatem que a pornografia está interferindo em suas vidas.”
https://www.apa.org/news/press/releases/2020/02/religious-moral-porn-addiction