Tua medicina
Se as respostas de todas as tuas dores
estiverem costuradas em meus calcanhares,
em largas estrofes irregulares
escritas em uma língua assassinada vulgar e rebuscada,
pouco quero além de que você
tire seu sustento de mim.
Se o que você busca estiver debaixo de minhas unhas
minhas veias abertas
entre batidas de meu coração
eu te digo que teu bisturi não é meu inimigo
ele é o castigo que eu sei que cabe a mim.
Quero que na autópsia segures minha mão
e a lamber minha carne faça de meus ossos testemunha
desse grande tormento que foi ser inteiramente tua
e se for minha medula a tua cura
me devora por favor
pois eu já nem sei o que mais eu sou
se não uma oferenda para teu apetite saciar,
e quando terminares de me mastigar
cospe o que sobrar
e na com tua saliva
uma última vez tentarei me sentir viva
e se for insensatez
que seja,
que com meu cadáver apodreça
essa ânsia de ser tua.
... Esse é um dos poeminhas que publiquei uns anos atrás, e pelo qual eu tenho muito carinho. É bastante gotiquice e drama e ele sempre faz eu me sentir meio catártica.