Estou cansada da minha rotina. Minha escrita é motivada por diversos fatores. Eu trabalho de 7h30 às 17h30 e faço faculdade à noite, estou tendo diversos trabalhos escritos, então decidi juntar o útil ao agradável: escrever sobre minha vida com diversas reflexões, para que consequentemente eu melhore academicamente. Mas isso já é o meu primeiro ponto. Me peguei fazendo uma conexão, talvez não muito coerente, entre Frieren e a vida humana. A vida élfica (ou qualquer ser que viva muito ou eternamente) é muito fascinante para mim. Ela tem tanto tempo de vida que não importa perder anos estudando, meses procurando uma flor. Himmel, como humano, não tem a mesma percepção e sabe disso. Mas o que pensei foi: a vida humana é tão curta e nossa aprendizagem é tão demorada. Claro, aprendemos um conteúdo e consolidamos. Mas o estudo é eterno, pois é infinito, portanto nos limitamos a poucas áreas. Eu decidi me limitar a área da matemática, educação matemática. Entretanto, é uma contradição frustrante. Aprender e consolidar conhecimentos de maneira aprofundada é demorado (e nunca é possível atingir um conhecimento total). Mesmo assim, tudo é tão corrido. Na faculdade temos diversas disciplinas tão curtas, de 50 ou 60 horas, e diversos trabalhos, muitas vezes tão rasos. A vida adulta é difícil e frustrante. Preciso trabalhar o dia todo, estudar nos únicos tempos livres, sacrificar meu sono e lazer para me formar, para “mudar minha vida”. Recentemente em uma aula, a professora falou que os estudantes tem que aceitar que não terão mais uma vida. Não quero me sentir culpada por querer dormir e descansar, mas me sinto. Precisamos ser produtivos 100% do nosso tempo. É impossível ignorar a raiz política dessa problemática. Dentro do capitalismo, as pessoas são individualizadas e nos é incutido a ideia de meritocracia. Precisamos nos esforçar, trabalhar, estudar o tempo todo na esperança de que alguma hora a vida dê certo. Ter sucesso na vida está relacionado a sua formação acadêmica, profissão e dinheiro. Isso ocorre porque o centro de tudo é o lucro. Lucra quem tem condições de ter um meio de produção, uma parcela mínima da sociedade. Quem não tem meio de produção, vende sua força de trabalho. Alcançar o sucesso é hipervalorizado a ponto de superar a vida como um todo. Essa realidade vai nos moldando e minando aos poucos nossa sanidade, tirando o sentido da nossa vida. Não podemos viver de forma leve e no nosso tempo e tudo tem que ser acelerado o tempo todo, com trabalho, estudos, milhões de tarefas, e conciliar isso com organização, alimentação, uma rotina de exercícios, cuidar da saúde, fazer terapia, ter lazer e socializar é simplesmente impossível. Focamos no que é "mais importante". O tempo passa e nos perdemos no meio de tantas coisas. Passamos a nos vigiar frequentemente, não podemos ter folgas, adoecer e principalmente não podemos nos permitir ficar mentalmente instável. Fico refletindo se no fim realmente vale a pena. A minha saúde está ruim, estou sedentária e com uma alimentação ruim, não tenho tempo para me exercitar. Eu também não tenho tempo para cuidar da minha cabeça. Me sinto presa nesse ciclo eterno, presa na minha própria mente. Sinto que nada do que estou fazendo vai me deixar feliz. Sinto que vou fracassar. E mesmo que não fracasse, mesmo que eu me forme, seja professora, ganhe um salário razoável, não acho que serei feliz, porque já me desgastei tanto e ainda tem tanto pra fazer e sempre vai ter. Eu sempre me sinto a beira de colapsar, com tanto estresse. Penso em desistir, mas também não consigo, porque vai ser pior ainda. Estou sem saída. Eu estou em uma depressão tão profunda, por tantas razões, que não sei se consigo sair mais dela.
u/EntreOsDias
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u/EntreOsDias — 8 days ago