Benfica comido de cebolada. Os factos.
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Há uma coisa que o Benfica precisa de assumir sem rodeios: foi comido de cebolada nas nomeações para a Liga e para a FPF.
Durante anos venderam-nos a ideia do “consenso”, da “pacificação do futebol português”, do “sentar à mesa”, do “não incendiar”. Rui Costa, ingénuo que nem uma porta, acreditou nessa conversa.
O problema é que, enquanto o Benfica ia todo sorridente para o jantar institucional, outros já tinham escolhido o menu, o cozinheiro e quem pagava no fim a conta.
Olhem para a fotografia do poder: Pedro Proença na FPF. Luciano Gonçalves na arbitragem. Reinaldo Teixeira na Liga. Rui Caeiro, antigo dirigente do Sporting, metido na engrenagem. E depois há toda uma constelação de nomes, direções, conselhos, vogais e cargos onde o Benfica aparece sempre como o adulto responsável da sala — mas raramente como quem manda em alguma coisa.
E o resultado está à vista.
Desde então, cada semana parece uma experiência sociológica: até onde se pode empurrar o Benfica sem que o Benfica reaja? Golos anulados ao milímetro, critérios elásticos, castigos em modo freestyle, comunicações institucionais sempre muito serenas, e o Benfica ali, a acreditar que se portar bem dá pontos no campeonato.
Não dá.
O Sporting percebeu isto muito antes: o futebol português não se joga só dentro do relvado. Joga-se nas nomeações, nas comissões, nos regulamentos, nos bastidores, nas relações certas e nos lugares certos. O Benfica achou que bastava ter razão. Mas neste futebol, ter razão sem ter poder é quase uma forma elegante de perder.
Rui Costa não pode continuar a fazer de conta que isto é azar, ruído ou “ambiente exterior”. O Benfica foi ingénuo. Foi enganado. E, pior do que isso, continua a comportar-se como se ainda estivesse a tempo de ser respeitado por quem lucra precisamente com a sua passividade.
Chega de fair play institucional enquanto nos fazem de parvos!
O Benfica não precisa de gritar todos os dias. Mas precisa de acordar. Porque enquanto nós discutimos comunicados, outros ocupam cadeiras. E depois ficamos muito surpreendidos quando essas cadeiras decidem sempre da mesma maneira.