u/Brilliant-Pumpkin661

Quero "aposentar" minha mãe para tirá-la da sobrecarga, mas a irresponsabilidade do meu pai está virando um obstáculo.

Oi, pessoal. Fiz um desabafo aqui recentemente sobre meu pai, mas as coisas evoluíram e eu precisava organizar meus pensamentos.

Sou M(23), desenvolvedora (ganho R$ 9k bruto / R$ 7k líquido) e sou autista nível 2 de suporte. Por conta das minhas necessidades de regulação, crises e despesas médicas/faculdade, ainda moro com meus pais e meu irmão. A gente divide todas as contas, eu deixo meu VA/VR pra casa, pago faxineira e ajudo além da minha parte sempre que posso.

O ponto é: minha mãe está no limite físico e mental. Ela trabalha em serviço braçal, chega em casa moída de dor nos braços e nas costas, e ainda precisa dar conta da grande parte da rotina doméstica (já que eu trabalho e faço faculdade). Além disso, ela é a "âncora" da família: meus três avós (dois por parte de pai e um por parte de mãe) estão em idade de exames e consultas constantes, e é sempre ela quem acompanha todos, muitas vezes precisando faltar ou se desdobrar no trabalho para cuidar deles.

Meu plano é: eu quero dar uma "mesada" de R$ 600,00 (sei que não é muito, mas cara, eu realmente tenho muitas despesas com meu tratamento e darei a ela mais caso eu sentir que consigo) por mês para ela sair do emprego e ficar só em casa, cuidando das coisas dela, da casa (sem pressão) e dos meus avós com calma, pois eu entendo que, ela ficando como "gestora da casa", ela também está TRABALHANDO. Meu irmão e meu pai assumiriam o INSS dela e a parte dela nas contas fixas.

O problema: Meu pai é o completo oposto dela. Recebe quase 3k e nunca sabe para onde o dinheiro vai. Ele não se planeja, gasta tudo e eu virei o "banco de emergência" dele.

Recentemente me pediu R$ 2.000,00 para o carro (que ele nem usa para trabalhar). Antes era minha mãe quem cobria as irresponsabilidades dele, agora sou eu, percebi que, como ganho bem, o velho tá gastando de forma inconsequente pois sabe que terá >>Eu<<.

Sinto que estou sendo "parentificada". Quero proporcionar dignidade para a minha mãe, que é super controlada e dedicada, mas tenho medo de que qualquer dinheiro que eu coloque na mão dela ou que eu economize para ajudá-la, acabe sendo sugado pelo descontrole do meu pai.

Não quero ser a "filha ruim", mas como autista, eu preciso de previsibilidade financeira. Meu dinheiro não é "sobra", é minha segurança para medicamentos, terapias e meu futuro caso eu não consiga sustentar esse ritmo de trabalho algum dia, pois guardo dinheiro para emergência, já que a qualquer momento, posso ser afastada e/ou demitida do trabalho.

Queria dar um basta nas contas do meu pai para conseguir realizar esse plano da minha mãe, mas ele é cabeça dura e sempre vem em mim primeiro quando o calo aperta.

Recentemente, ele sairá do trabalho e receberá o FGTS dos anos do trabalho, pois a empresa está mudando (ele não ficará desempregado, está sendo demitido para entrar na outra empresa), o plano seria:

\* Ele usar o FGTS pra pagar o restante das parcelas do carro, pagar todo mundo que ele deve e se livrar dessa porra pra ajudar em casa, pois ele NÃO está fazendo isso e me preocupa quando eu sair de casa para morar com meu namorado, o que vai acontecer com minha mãe?

Mas sabe os planos do meu pai? Deixar o dinheiro guardado pra comprar uma SAVEIRO e continuar pagando as parcelas do outro carro que só irá aumentar, e cara ele nem sai com o golzin dele direito, PRA QUE ele precisa de uma Saveiro? Que pra piorar, irá aumentar de custos de manutenção, estou EXTREMAMENTE estressada com isso e não sei como abordar todo esse assunto sem ser uma pessoa ignorante, já estou de SACO CHEIO disso.

Como vocês lidariam com essa dinâmica sem desestruturar a casa (já que sair daqui agora não é uma opção segura para mim)?

Edit: Esqueci de mencionar que ela desabafou o quanto está sobrecarregada com isso e falei sobre os 600 reais e etc, minha mãe queria apenas 300 reais, o que acho que não é nada, coitada, ela está achando que vai depender de mim e não quero que ela pense isso.

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u/Brilliant-Pumpkin661 — 4 days ago

Postei isso em um outro sub e fiquei muito feliz em saber que existe um sub voltado para mulheres e queria compartilhar esse desabafo. :)

Sou M(23) e entendo que talvez seja muito julgada pelo título.

Mas vamos a uma explicação:

Basicamente, tenho um sentimento de ódio por homens. Isso piorou quando, com as redes sociais, foi normalizado o consumo excessivo de informações negativas. E, infelizmente, minha timeline está cheia delas. Não é como o ódio dos homens às mulheres, que gira em torno principalmente de:

- Humilhação

- Rejeição

- Traição

Eu entendo que os homens têm medo do que uma mulher pode fazer com eles emocionalmente, mas a mulher tem medo do que os homens podem fazer a elas fisicamente. O pior é que, depois de uma violência física, ainda corremos o risco de ficarmos vivas, tendo que conviver, talvez, com sequelas físicas e danos emocionais.

O ódio que eles sentem muitas vezes é por não terem o que querem das mulheres. O meu ódio é por eles poderem tirar de mim o que eu tenho de mais básico: minha integridade física e minha vida. E, sim, considero esse ódio deles bem pequeno perto do fato de eu simplesmente ter mais medo de ser estuprada do que morta em um assalto.

O meu ódio é muito mais por saber que, se um homem quiser me violentar e me matar quando chego da faculdade às 23h, ele pode simplesmente fazê-lo. Ele tem força física para tal e eu não tenho defesa alguma contra ele. Eu sinto que, basicamente, dependo da boa vontade do homem de não fazer isso.

Eu associo muito a violência a homens. Não que mulheres também não possam ser violentas, mas, estatisticamente, homens são mais violentos:

- Nos estupram, matam, torturam e nos controlam, desde SEMPRE.

- Não obstante, estupram crianças, animais e idosos.

- Matam inocentes e podem ser COMPLETAMENTE BRUTAIS ao fazer isso, inclusive com outros homens também.

Eu tenho um ódio que nasce da opressão e não da vontade de oprimir. Eu não quero matar, humilhar e nem fazer nada violento com homens. Mas tenho ódio deles por saber que, em uma situação qualquer de violência, eles teriam a vantagem e se aproveitariam disso.

O fato de um homem ter biologicamente mais força física que eu, sem que eu escolhesse, sempre me lembra o quão vulnerável eu sou.

Eu tenho pai presente, irmão, tios, primos, amigos e namorado e, basicamente, coloco eles em uma categoria de "não homens", para conseguir amar e ser amada.

Mas vivo em constante vigilância, sabendo que o meu "não", por mais educado que seja, pode resultar em minha morte. E o fato de o feminicídio ter disparado tanto nos últimos anos me deixa em um estado constante de hipervigilância e alimenta ainda mais o meu ódio.

Eu sei que "nem todos os homens são iguais", mas qualquer um deles pode escolher ser totalmente brutal se quiser, e o fato de homens poderem escolher livremente entre um ou outro me deixa revoltada.

Eu não consigo relaxar quando saio de casa. Por isso questiono onde termina a prudência e começa meu ódio contra homens. Estou sempre hipervigilante, mapeando qualquer ameaça possível e me contorcendo pelo simples fato de precisar fazer isso, porque sim, um homem, com sua força física, pode simplesmente fazer o que quiser comigo, sem precisar estar armado.

Eu evito contato com QUALQUER homem que não faça parte da minha "caixinha de não homens". Não sou mal-educada ou hostil, mas me afasto ou mantenho contato sempre com "uma pulga atrás da orelha"; eu desconfio de qualquer bondade ou ajuda.

A hipervigilância é cansativa e estressante, e eu não precisaria fazer isso se, pelo menos, minha força física e capacidade de brutalidade fossem iguais às de um homem.

Ter que mapear ameaças é um trabalho não remunerado e exaustivo que as mulheres fazem 24h por dia.

Até homens têm medo de outros homens, quando eles falam para uma mulher que importa para eles "ter cuidado" é quase 100% das vezes, cuidado com outros homens.

E é isso. 🙂

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u/Brilliant-Pumpkin661 — 10 days ago