Quero "aposentar" minha mãe para tirá-la da sobrecarga, mas a irresponsabilidade do meu pai está virando um obstáculo.
Oi, pessoal. Fiz um desabafo aqui recentemente sobre meu pai, mas as coisas evoluíram e eu precisava organizar meus pensamentos.
Sou M(23), desenvolvedora (ganho R$ 9k bruto / R$ 7k líquido) e sou autista nível 2 de suporte. Por conta das minhas necessidades de regulação, crises e despesas médicas/faculdade, ainda moro com meus pais e meu irmão. A gente divide todas as contas, eu deixo meu VA/VR pra casa, pago faxineira e ajudo além da minha parte sempre que posso.
O ponto é: minha mãe está no limite físico e mental. Ela trabalha em serviço braçal, chega em casa moída de dor nos braços e nas costas, e ainda precisa dar conta da grande parte da rotina doméstica (já que eu trabalho e faço faculdade). Além disso, ela é a "âncora" da família: meus três avós (dois por parte de pai e um por parte de mãe) estão em idade de exames e consultas constantes, e é sempre ela quem acompanha todos, muitas vezes precisando faltar ou se desdobrar no trabalho para cuidar deles.
Meu plano é: eu quero dar uma "mesada" de R$ 600,00 (sei que não é muito, mas cara, eu realmente tenho muitas despesas com meu tratamento e darei a ela mais caso eu sentir que consigo) por mês para ela sair do emprego e ficar só em casa, cuidando das coisas dela, da casa (sem pressão) e dos meus avós com calma, pois eu entendo que, ela ficando como "gestora da casa", ela também está TRABALHANDO. Meu irmão e meu pai assumiriam o INSS dela e a parte dela nas contas fixas.
O problema: Meu pai é o completo oposto dela. Recebe quase 3k e nunca sabe para onde o dinheiro vai. Ele não se planeja, gasta tudo e eu virei o "banco de emergência" dele.
Recentemente me pediu R$ 2.000,00 para o carro (que ele nem usa para trabalhar). Antes era minha mãe quem cobria as irresponsabilidades dele, agora sou eu, percebi que, como ganho bem, o velho tá gastando de forma inconsequente pois sabe que terá >>Eu<<.
Sinto que estou sendo "parentificada". Quero proporcionar dignidade para a minha mãe, que é super controlada e dedicada, mas tenho medo de que qualquer dinheiro que eu coloque na mão dela ou que eu economize para ajudá-la, acabe sendo sugado pelo descontrole do meu pai.
Não quero ser a "filha ruim", mas como autista, eu preciso de previsibilidade financeira. Meu dinheiro não é "sobra", é minha segurança para medicamentos, terapias e meu futuro caso eu não consiga sustentar esse ritmo de trabalho algum dia, pois guardo dinheiro para emergência, já que a qualquer momento, posso ser afastada e/ou demitida do trabalho.
Queria dar um basta nas contas do meu pai para conseguir realizar esse plano da minha mãe, mas ele é cabeça dura e sempre vem em mim primeiro quando o calo aperta.
Recentemente, ele sairá do trabalho e receberá o FGTS dos anos do trabalho, pois a empresa está mudando (ele não ficará desempregado, está sendo demitido para entrar na outra empresa), o plano seria:
\* Ele usar o FGTS pra pagar o restante das parcelas do carro, pagar todo mundo que ele deve e se livrar dessa porra pra ajudar em casa, pois ele NÃO está fazendo isso e me preocupa quando eu sair de casa para morar com meu namorado, o que vai acontecer com minha mãe?
Mas sabe os planos do meu pai? Deixar o dinheiro guardado pra comprar uma SAVEIRO e continuar pagando as parcelas do outro carro que só irá aumentar, e cara ele nem sai com o golzin dele direito, PRA QUE ele precisa de uma Saveiro? Que pra piorar, irá aumentar de custos de manutenção, estou EXTREMAMENTE estressada com isso e não sei como abordar todo esse assunto sem ser uma pessoa ignorante, já estou de SACO CHEIO disso.
Como vocês lidariam com essa dinâmica sem desestruturar a casa (já que sair daqui agora não é uma opção segura para mim)?
Edit: Esqueci de mencionar que ela desabafou o quanto está sobrecarregada com isso e falei sobre os 600 reais e etc, minha mãe queria apenas 300 reais, o que acho que não é nada, coitada, ela está achando que vai depender de mim e não quero que ela pense isso.