Sou uma mulher lésbica desfem em que os únicos dois relacionamentos que eu tive na vida terminaram com as minhas exs com homens. A minha primeira namorada foi justamente um relacionamento de 6 anos. Não tenho uma vírgula a falar do relacionamento, porque ela era extremamente parceira. Tínhamos um relacionamento muito legal que, ao longo do tempo, foi se transformando mais em uma amizade do que em um relacionamento amoroso. Inicialmente, eu me culpei muito, achava que a culpa de o relacionamento ter se tornado isso era minha.
Porém, dias antes de terminarmos de fato, ela me falou que a equipe do TI havia a chamado para ir a um bar conversar sobre trabalho; era um grupo de 4 rapazes. Não desconfiei de nada, pois ela sempre deixou muito claro que era lésbica e que não tinha nenhum tipo de curiosidade, e eu nunca me importei dela sair independente pra onde fosse. Ela foi para esse barzinho. No dia seguinte, tínhamos um compromisso em conjunto ao qual ela não pôde ir, pois disse que estava com dor de cabeça.
Enfim, passou uma semana e nós terminamos, não por isso, mas porque entendíamos que não dava mais. Pouco tempo depois, uma amiga minha fez uma tiragem no tarô, e a mesa estava muito confusa, sempre saindo carta de homem. Passaram-se os dias, e o tio dela enviou uma foto na qual esse rapaz, o mesmo que tinha chamado ela para ir ao bar, estava sentado ao lado da minha ex na mesa da família dela, comemorando o aniversário de uma tia (em 6 anos nunca fui assumida oficialmente, sempre convivi com a família, mas nunca apresentada como namorada. só a tia dela que sabia de fato que éramos um casal). Fiquei triste, porque entendi que houve uma abertura emocional antes, não sei o que aconteceu nesse bar, mas obviamente houve abertura emocional entre eles, mas vida que segue.
Passado um ano, uma mulher apareceu na minha vida com uma intensidade extrema. Eu estava melhor, mas ainda cautelosa sobre relacionamentos. Depois de nos conhecermos e a família me conhecer, minha família também a conhecer, ela me pediu em namoro. Ela era uma pessoa que se dizia lésbica e não acreditava que a sexualidade era tão fluida; dizia que não fazia sentido para ela, pois os dois sexos são extremamente diferentes. Esse era o discurso dela. Todos que a conheciam diziam que ela era lésbica; parecia até que queriam reforçar isso, não sei. Tivemos um pequeno desentendimento porque havia um amigo dela que eu achava lindo, mas só de aparência, pois sou lésbica, e ela me questionou se eu não era bi, porque isso deixava ela insegura, eu disse que não, mas ela ainda ficou meio "magoada", sabe?
Essa mulher, depois de me bombardear de carinho, em pouco tempo começou a mudar. Foi ficando distante, fria, repetindo comportamentos que ela julgava antes. Nisso, eu me senti muito sozinha, e toda vez que íamos conversar não parecia haver tanta abertura. Por fim, terminamos. Fiquei extremamente frustrada, porque foi um relacionamento muito curto que bagunçou a minha cabeça toda por conta de toda idealização que eu criei a partir do discurso dela. Depois de ter tido um relacionamento de 6 anos, eu não queria entrar em outro pra ficar 5 meses, queria algo concreto, estável e construtivo. Terminamos também de forma muito suspensa: na nossa última conversa, ela me prometeu que queria conversar e me falar as coisas com calma, e que viesse realmente do coração, mas essa conversa nunca veio dela. Então, o término foi assim, sem ser muito definido.
Tudo isso aconteceu ali entre os dias 16 e 24 de março. Quando foi no começo de abril, eu fiquei sabendo que ela estava com um rapaz.
Tínhamos uma playlist no Spotify que eu ainda escutava. Quando entrei para escutar, era como se eu tivesse sido bloqueada, foi o único lugar em que fui bloqueada. Minhas amigas depois descobriram que existia uma playlist super romântica com um rapaz, que era alimentada por ela e por ele.
As mesmas coisas que ela me presenteou quando nos conhecemos, ela também presenteou ele. Quando nos conhecemos, ela havia me dado um trevo de quatro folhas e me pediu para guardar na capinha do celular. No Instagram, tem uma foto da capinha do rapaz com um trevo também, que ela deu. No Natal, eu havia comprado uma vela para ela dar para a mãe; em uma das fotos deles, essa vela estava na mesa em um jantar romântico dos dois.
Eu entendo que o relacionamento acabou e que ficar vendo essas coisas não é bom, é direito e vida dela, porém isso me faz questionar se o que eu vivi foi real, porque, no dia 24, ela me disse que me amava muito, que amava demais e que a nossa conexão não iria existir igual. E, no início de março, já estava com o rapaz.
O primeiro relacionamento eu consegui desenvolver mentalmente melhor, mas esse segundo tem me atormentado.