u/Betelge

Alright, everyone. Start saving up some money.

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I understand that things are crazy nowadays, so I’d like to clarify that grass is green: yes, this is a meme, sarcasm, or irony; however you prefer to interpret it. This post is not official.

u/Betelge — 3 days ago

O nordetino é fortemente visto até os dias de hoje como um ser que precisa de "salvação". Por mais que neguem, mesmo os cidadãos naturais do Centro-Sul do país, ao ver um nordestino jamais vão imaginá-lo como um grande empresário, um potencial engenheiro, um potencial cientista, etc. É mais fácil terem esse pensamento, por exemplo; sobre um paulista, um carioca, ou paranaense. Falou "nordestino", na cabeça da esmagadora maioria da sociedade brasileira já vem: "empregada doméstica", "porteiro", "catador de lixo" e/ou "gari", "servente de pedreiro", "Cortador de cana-de-açúcar", "coletor de laranja", "coletor de uvas", etc. Não que essas profissões não sejam dignas, porém, mal remuneradas e de menor prestígio. É como se houvesse um lugar “natural” do nordestino na estrutura ocupacional do país. Ao mesmo tempo, quando se imagina um grande empresário, engenheiro ou cientista, o repertório simbólico dominante tende a puxar mais facilmente para outras regiões do Brasil, especialmente do Centro-Sul.

Essa construção não depende apenas de declarações explícitas de preconceito. Ela também se reproduz de forma sutil, naquilo que é esperado antes mesmo de qualquer interação concreta. Em certos contextos, até marcadores como o sotaque podem funcionar como sinais sociais que influenciam percepções de status, competência ou “adequação” a determinados espaços, mesmo quando isso não é verbalizado.

Um exemplo canônico dessa lógica é o programa “De Volta para Minha Terra”, exibido na televisão brasileira sob comando do Gugu, que trazia o retorno de nordestinos que migraram para São Paulo de volta às suas cidades de origem. O recorte recorrente em torno do migrante nordestino reforçava, para muitos, uma narrativa específica de deslocamento e retorno, algo que raramente era explorado com outros grupos regionais na mesma intensidade. Por exemplo, se colocar duas pessoas para concorrer a uma vaga de diretor financeiro numa empresa hipotética na Faria Lima, desconhecendo a origem delas, porém o recrutar diz "Boa noite" e ambos os entrevistados respondem: "Boua noitche" e/ou "Boa noiti", acabou para o segundo. O "Boua noitche" tem a vaga. Não à toa que são desencorajados a perder seu sotaque se quiser crescer em grande cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, BH, etc.) no Centro-Sul.

O ponto central é que, mesmo com avanços sociais e educacionais, ainda persiste no Brasil uma forma de hierarquização simbólica regional. Ela não se expressa necessariamente como uma regra declarada, mas como um conjunto de expectativas e estereótipos que continuam circulando e influenciando percepções, muitas vezes de maneira silenciosa e difícil de admitir. É equivalente ao racismo estrutural (talvez eu possa estar exagerando).

reddit.com
u/Betelge — 6 days ago

Cite um único país rico e industrializado onde 90% da mão de obra qualificada venha das ciências humanas? Não existe. O Brasil é o exemplo vivo desse descompasso: uma nação de potencial enorme, mas onde a juventude é constantemente empurrada para carreiras de humanas em vez de exatas. Sem engenheiros, matemáticos, físicos, estatísticos e etc. nenhuma nação prospera. Embora essenciais para a sociedade, advogados, psicólogos ou bacharéis em letras não produzem bens de alto valor agregado nem otimizam cadeias produtivas. O Brasil não enriquece exportando diplomas de Direito ou Ciências Sociais.

As potências como a China, a Coreia do Sul, EUA e a Rússia inundam o mercado global com uma geração massiva de engenheiros, físicos e cientistas da computação, o Brasil insiste em uma matriz educacional voltada quase exclusivamente para o setor de serviços e burocracia. Na China, a prioridade é formar quem projeta semicondutores e infraestrutura; no Brasil, estimulamos a juventude a seguir carreiras que apenas orbitam a riqueza já existente, sem criar nada de novo. E o resultado disso é meio evidente. Repito: não existe um único país no mundo que tenha alcançado o topo do desenvolvimento tendo 90% de sua mão de obra qualificada vinda das ciências humanas. Diplomas de humanas podem gerar bem-estar social, mas são os diplomas de exatas que garantem a soberania econômica.

Infelizmente, aceitamos o destino de ser apenas o "fazendão" do mundo, enquanto desperdiçamos o potencial intelectual dos nossos jovens em áreas já saturadas que não geram retorno real ao PIB.

u/Betelge — 11 days ago

Primeiro foi com o ator Juliano Cazarré, acusando-o de “promover encontro de disseminação do machismo e da cultura da misoginia”, além de correlacionar o evento dele com os números de feminicídios etc. E agora vem essa em cima de Edson Gomes, que, do nada, recebe uma falsa acusação e ainda tem que se defender da “turma do amor” em rede nacional.

A mesma esquerda cirandeira que adora dizer que a direita é mais militante, cutuca a onça com vara curta, e depois vem às redes sociais dizer que reagir à canalhice dos canhotos, expondo toda sua hipocrisia, é “militância da extrema-direita”; " a extrema-direita é mais militante que a esquerda". Hahahahahah!

u/Betelge — 12 days ago

A formação filosófica ganharia mais consistência se fosse construída sobre uma base prévia de matemática, como já sugeria Platão ao valorizar a geometria na Academia de Platão. A matemática desenvolve precisão, disciplina lógica e clareza argumentativa, qualidades essenciais para lidar com problemas abstratos sem cair em ambiguidades. Ao priorizar esse preparo, a filosofia deixaria de depender de opiniões vagas e passaria a operar com maior rigor, fortalecendo sua capacidade de investigar questões fundamentais de forma mais estruturada e confiável.

Além disso, a imagem contemporânea do estudante de filosofia frequentemente oscila entre alguém imerso em abstrações linguísticas e alguém engajado em debates éticos que parecem desconectados da realidade concreta. No entanto, se recuarmos à Atenas de 387 a.C., encontraremos um cenário bastante distinto, marcado por uma exigência intelectual rigorosa já na entrada da Academia de Platão, onde se lia a advertência inequívoca de Platão: “Que ninguém ignorante em geometria entre aqui”. Longe de ser um capricho, essa exigência refletia uma convicção profunda de que a matemática não era um complemento opcional, mas um critério fundamental de sanidade intelectual e preparo filosófico.

Transformar o estudo da filosofia em uma etapa posterior à formação matemática não seria um gesto de exclusão, mas de aprimoramento intelectual. O debate filosófico ganharia densidade ao substituir opiniões vagas por argumentos estruturados, nos quais conclusões se seguem logicamente de premissas claras. Imaginar uma estrutura acadêmica em que a filosofia seja abordada após uma formação sólida em áreas como cálculo, álgebra linear e topologia permite vislumbrar um campo mais preciso e menos sujeito a ambiguidades. Não se trata de elitismo, mas de eficiência na formação do pensamento. Se a filosofia aspira a investigar os fundamentos do conhecimento e da realidade, faz sentido que seus praticantes dominem previamente ferramentas que promovam clareza, consistência e rigor.

u/Betelge — 14 days ago