Primeiras batalhas
Engolia o choro
sim, todos os dias,
barriga doía,
já era a maior
do mundo todinho.
Essa dor de sempre
essa é sempre forte
aperta meu corte
Seguia engolindo
comidas, sapos
no fim, até cloro.
Sem outro abrigo
ouvia estampidos
de pratos batidos
na mesa do almoço
Então mastiguei
palavras de vidro
de pratos feridos
na mesa do almoço
Me descem à goela
mil sapos e choros
e gritos dos outros
na mesa do almoço
Mas não digeri
mudei, explodi
Terror ruminei
palavras duras, tantas
— banquete intragável —
novamente pratos gritam
então vozes tilintam
onde mastiguei
cacos por dentro
que fiz muralha
cuspi nessa mesa
desgosto servido:
— Para sempre, não!