Onde está Portugal?
Não na terra.
Não no mapa.
Está na língua,
onde a memória não dorme.
Portugal não está fixo, move-se
em quem o diz.
Na palavra que atravessa o mar
e não regressa igual.
Na voz que muda de corpo
sem perder o sopro antigo.
No erro, na variação, no desvio,
onde a língua volta a nascer.
Não império.
Não centro.
Acontece num mar de vozes.