

Ultroid, left-wing communism is a european colonist thing; if you're a third-world proletarian you need to be a maoist-pol-potist
I swear, all those "communists" are nothing more than keynesians with nationalist tendencies.


I swear, all those "communists" are nothing more than keynesians with nationalist tendencies.
Fizeram uma postagem sobre dificuldade em encontrar obras escolhidas de principais autores e isso me fez pensar em quão pouca ficção pró-esquerda radical é comentada.
De cabeça só consigo pensar na Ursula K Le Guin, Jack London, Bertolt Bretch, China Miéville, Jorge Amado...
Perdão pelo texto enorme.
Por muito percebo dois erros (entre muitos outros) sendo os mais cometidos acerca da teoria marxista por próprios marxistas, não penso que fazem por revisionismo ou falsificação, mas por pura ignorância.
Decidi então fazer essa postagem com o intuito de esclarecer essas questões.
1) Ditadura Do Proletariado, Socialismo/Comunismo e Etapismo
Acho que não existe discurso mais desgastado no movimento comunista que tratar o socialismo como não apenas um período de transição, mas também confudir socialismo com a própria ditadura do proletariado. Ambas as interpretações estão incorretas e infelizmente muito difundidas.
Em toda a obra de Marx a ditadura do proletariado é mostrada como um período distinto do socialismo, e este outro termo sendo usado de maneira intercambiável com comunismo (Assim como também humanismo positivo, associação livre de produtores, individualidade livre).
"a luta de classes leva necessariamente à ditadura do proletariado, que esta ditadura em si só constitui a transição para a abolição de todas as classes e para uma sociedade sem classes."
"O proletariado usará a sua supremacia política para arrancar, gradualmente, todo o capital da burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado como classe dominante; e aumentar o total das forças produtivas o mais rapidamente possível. É claro que, no início, isto não pode ser efectuado excepto através de incursões despóticas nos direitos de propriedade e nas condições da produção burguesa; por meio de medidas, portanto, que parecem economicamente insuficientes e insustentáveis, mas que, no curso do movimento, se superam, necessitam de novas incursões na velha ordem social e são inevitáveis como meio de revolucionar inteiramente o modo de produção."
A ditadura do proletariado nos termos de Marx então é o período transitório originado após a revolução onde o proletariado destrói o estado burguês e suas instituições, substituindo-o por um estado de caráter proletário que deve espalhar as sementes por onde o comunismo germinará.
Em outro trecho, Marx define o socialismo:
"Uma sociedade comunista, não como ela se desenvolveu em suas próprias bases, mas, ao contrário, exatamente como ela emerge da sociedade capitalista; que, portanto, em todos os aspectos, econômica, moral e intelectualmente, ainda está marcada pelas marcas de nascimento da velha sociedade de cujo ventre emerge. Portanto, o produtor individual recebe de volta da sociedade – depois que as deduções foram feitas – exatamente o que ele lhe dá. O que ele deu a ela é sua quantidade individual de trabalho. Por exemplo, a jornada de trabalho social consiste na soma das horas de trabalho individuais; o tempo de trabalho individual do produtor individual é a parte da jornada de trabalho social contribuída por ele, sua participação nela. Ele recebe um certificado da sociedade de que forneceu tal e tal quantidade de trabalho (depois de deduzido seu trabalho para os fundos comuns); e com este certificado, ele retira do estoque social de meios de consumo tanto quanto o mesmo montante de trabalho custou. A mesma quantidade de trabalho que ele deu à sociedade em uma forma, ele recebe de volta em outra. Aqui, obviamente, prevalece o mesmo princípio que regula a troca de mercadorias, na medida em que esta é troca de valores iguais. Conteúdo e forma são alterados, porque sob as circunstâncias alteradas ninguém pode dar nada além de seu trabalho, e porque, por outro lado, nada pode passar para a propriedade de indivíduos, exceto meios de consumo individuais. Mas no que diz respeito à distribuição destes entre os produtores individuais, prevalece o mesmo princípio que na troca de equivalentes de mercadorias: uma determinada quantidade de trabalho em uma forma é trocada por uma quantidade igual de trabalho em outra forma. Portanto, a igualdade de direitos aqui ainda é em princípio – direito burguês, embora princípio e prática não estejam mais em desacordo, enquanto a troca de equivalentes na troca de mercadorias existe apenas em média e não no caso individual. Apesar deste avanço, este direito igual é ainda constantemente estigmatizado por uma limitação burguesa. O direito dos produtores é proporcional ao trabalho que fornecem; a igualdade consiste no fato de que a medição é feita com um padrão igual, o trabalho..."
O socialismo, estágio inferior do comunismo, seria os frutos imaturos que se viriam após uma revolução internacional e o fim das classes e do estado. Não podendo existir isoladamente em um só país, como postula Marx, em A Ideolgia Alemã:
"O proletariado só pode existir, portanto, historicamente em nível mundial, assim como o comunismo, sua atividade, só pode ter uma existência “histórica mundial”. Existência histórica mundial de indivíduos significa existência de indivíduos diretamente ligada à história mundial."
Mas se estes conceitos estão esclarecidos na obra de Marx, de onde os marxistas vulgares arranjaram esse equívoco? Bem, dos soviéticos!
Isso traça suas rotas até o fracasso da revolução alemã em 1919 e 1923, onde se fragilizou a esperança em uma revolução internacional para o Poltiburo soviético, como solução o Centro começou a se denominar de socialistas para se manterem no poder, dizendo que já estavam nesse estágio revolucionário e demonstrando suas engatinhadas industrializações como grandes transformações socialistas.
Dá pra perceber essa mudança de visão nos trabalhos de Stalin, que inicialmente apresentavam socialismo em termos corretos, mas passam a distorcer esse conceito para se adequar na visão política soviética.
Veja:
"Introduzir o socialismo significa abolir a produção de mercadorias, abolir o sistema monetário, destruir o capitalismo até seus alicerces e socializar todos os meios de produção." - Joseph Stalin, A Questão Agrária
(Existe um quê de ironia nisso, vendo em retrospecto)
Agora compare com este outro texto do Stalin escrito depois de 1923:
"A produção de mercadorias leva ao capitalismo somente se houver propriedade privada dos meios de produção, se a força de trabalho aparecer no mercado como uma mercadoria que pode ser comprada pelo capitalista e explorada no processo de produção, e se, consequentemente, o sistema de exploração de trabalhadores assalariados por capitalistas existir no país. A produção capitalista começa quando os meios de produção estão concentrados em mãos privadas, e quando os trabalhadores estão desprovidos de meios de produção e são forçados a vender sua força de trabalho como uma mercadoria. Sem isso, não existe o que se chama de produção capitalista."
Isso é tremendamente incompatível com a análise marxista, para aceitar isso você precisar se livrar de muito do marxismo.
Apresentei tudo isso para explicitar um dos motivos sobre o termo "experiências socialistas" estar incorreto, pois se foram experiências de alguma forma ou modelo político e econômico, não foi este o socialismo.
E antes de me chamarem de trotskista, esquerdocomunista e etc... vejam o que Lênin tem a dizer:
"Ninguém, eu acho, ao estudar a questão do sistema econômico da Rússia, negou seu caráter transitório. Nem, eu acho, algum comunista negou que o termo República Socialista Soviética implica a determinação do poder soviético de alcançar a transição para o socialismo, e não que o sistema econômico existente seja reconhecido como uma ordem socialista."
Mas isso significa que a União Soviética era então apenas uma ditadura do proletariado? Apenas em partes.
A Ditadura do Proletariado não se constitui apenas pela democracia direta dos trabalhadores na forma do autogoverno das comunas (que deixou de existir na URSS com o fim dos Conselhos Sovietes), com a geração da propriedade socializada dos meios de produção ou do conteúdo político do programa comunista que define sua direção; a ditadura do proletariado só pode existir se tudo isso existir.
A União Soviética foi uma autêntica ditadura do proletariado por um breve período de tempo, mas abandonou o autogoverno das comunas em 1921, que deveriam fazer emanar de baixo pra cima o poder proletário no partido, um elemento necessário para a ditadura do proletariado, como identifica Marx em sua disputa com Bakunin:
"Bakunin: Existem cerca de quarenta milhões de alemães. Todos os quarenta milhões serão membros do governo?
Marx: Certamente, porque tudo começa com o autogoverno da comuna."
O Estado, apesar disso, ainda seguia o programa comunista promovendo a associação trabalhista internacional (Profintern) e a revolução internacional (Comintern).
Isso tudo é abandonado quando os bolcheviques se tornam revisionistas e adotam o "socialismo em um só país", promovendo industrialização nacional através do acúmulo de capital. A União Soviética deixa de ser um estado de caráter marxista e proletário, para ser o estado apenas um grande burguês.
2) Propriedade Pessoal, Propriedade Privada e Artigos de Consumo
Quando os críticos do comunismo dizem que uma revolução retiraria dos indivíduos suas capacidades de terem propriedade sobre as coisas, muitos marxistas respondem erroneamente buscando justificar a abolição da propriedade privada numa distinção com a propriedade pessoal, mas essa justificativa é fruto do mais puro erro de concepção.
Muitos marxistas parecem não serem marxistas o suficiente, mostrando um medo do comunismo em sua essência e uma paixão apegada ao capitalismo e suas relações sociais.
Marx não fez distinção entre propriedade pessoal e propriedade privada como formas de propriedade existentes no capitalismo, mas sim se referiu a propriedade pessoal como a forma de propriedade do feudalismo, uma forma em extinção.
"o direito de adquirir pessoalmente propriedade como fruto do trabalho de um homem, propriedade que se alega ser a base de toda liberdade pessoal, atividade e independência. Você quer dizer a propriedade do pequeno artesão e do pequeno camponês, uma forma de propriedade que precedeu a forma burguesa? Ou você quer dizer a moderna propriedade privada burguesa? Tipo de propriedade que explora o trabalho assalariado." - Marx, em Manifesto Comunista
Bem, mas isso ainda significa que os artigos de consumo adquiridos pelos indivíduos serão também abolidos, expropriados e redistribuídos? Veja, sob uma perspectiva marxista, não existe distinção entre os itens consumo produzidos no capitalismo e a propriedade privada.
"O capital consiste não apenas de meios de subsistência, instrumentos de trabalho e matérias-primas, não apenas como produtos materiais; consiste tanto de valores de troca. Todos os produtos de que consiste são mercadorias. O capital, consequentemente, não é apenas uma soma de produtos materiais, é uma soma de mercadorias, de valores de troca, de grandezas sociais. O capital permanece o mesmo, quer coloquemos algodão no lugar da lã, arroz no lugar do trigo, navios a vapor no lugar das ferrovias" - Trabalho assalariado e capital
Amadeo Bordiga conclui em O Conteúdo Original Do Programa Comunista:
"Mas talvez alguém pense que há declarações de Marx que fazem uma exceção para a propriedade pessoal, propriedade individual; declarações sobre bens de consumo – pelo menos os pertencentes ao trabalhador assalariado, que certamente não traficou no trabalho dos outros. Deve-se mostrar que tal linha de raciocínio não está fundamentada no marxismo, mas em uma filosofia vaga e estéril de exploração. Para os marxistas, toda mercadoria na sociedade atual é Capital – na medida em que Capital não é nada além da massa de mercadorias que circulam; estamos falando do básico aqui! – e contém uma fração de valor excedente, de trabalho extorquido e não pago. Quem compra essa mercadoria com dinheiro e a consome apropria o trabalho dos outros, mesmo que dentro do ciclo produtivo outros tenham apropriado seu próprio trabalho em sua vez."
Então isso significa que não teremos nada no socialismo/comunismo? Sim e não.
"O Comunismo não priva nenhum homem do poder de apropriar-se dos produtos da sociedade; tudo o que faz é privá-lo do poder de subjugar o trabalho dos outros através de tais apropriações" - Manifesto Comunista.
Essa merda é impossível de abrir se tu não tiver dedos pequenos; sempre vai acabar deslizando e empurrando cada vez mais pra dentro.