u/IcyJuggernaut5693

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quando eu nasci, em 2001, o cocoricó, junto com a Xuxa, eram O MUST da minha rotina. minha mãe cantava as músicas (as vezes até hoje ela canta), e eu lembro como eu era apegada aqueles personagens. Xuxa, eu te amo, mas o foco agora é o cocoricó.

tudo começou depois de um dia de cama. enxaqueca e enjoos que não sei de onde vieram me reduziram em uma criatura descabelada, desleixada e confesso, precisando de um banho. eu fiquei o dia todo no escuro, e só fui tomar banho essa madrugada quando a dor finalmente foi embora, depois de 6 comprimidos que tomei ao longo do dia e muitas horas de sono. é aquilo, né: tem dias que precisamos parar.

me senti um pouco culpada porque não consegui trabalhar quase nada. essa semana teve feriado, teve crise de ansiedade, e depois essa enxaqueca e ânsia de vômito. mas aí acordei renovada às 4 da manhã de sexta feira, tomei um banho que colocou a alma de volta no corpo e, antes de trabalhar nos meu projetos (sou empreendedora digital), fui atrás de vagas remotas internacionais, como venho fazendo há um tempinho porque o empreendedorismo tá num momento meio instável. enfim, nessa, do nada me veio o cocoricó na cabeça.

mesmo estando sozinha, me senti envergonhada e abri uma guia anônima pra ouvir a música “chuva, chuvisco, chuvarada”. agora não me envergonho mais, não vejo problema em ser nostálgica. a música mal começou e eu já me vi sorrindo. depois de uns dias sem sorrir, o que me arrancou uma felicidade genuína foi ver aqueles fantoches cantando essa música que fala de coisas tão importantes, de forma alegre. é o rock rural, né…

como criadora de conteúdo, já logo comecei a querer monetizar esse sentimento. e aí só joguei no google “cocoricó” e vi a notícia de que o programa celebra 30 anos agora em 2026. então lembrei que meu cérebro adora tentar empreender qualquer coisa, mas que talvez o cocoricó não seja uma dessas coisas. um post no reddit já serviria pra eu abrir o meu coração.

eu sou uma pessoa extremamente nostálgica, mas as vezes me sinto envergonhada em reviver essas lembranças de quando eu era bem criança, antes dos 5 anos. eu culpo um pouco o machismo sim, porque vejo homens adultos cultivando as paixões de quando eram meninos sem nenhum olho torto (Pokemon, Naruto, empinar pipa, jogar videogame etc. não tô criticando, eu também gosto), mas quando uma mulher fala da Barbie, da Xuxa, do Cocoricó, nem sempre é tratada com normalidade. não sou generalista, claro que tem gente que não é hipócrita e ignorante. mas isso é algo que eu observo no meu ciclo social e ponto.

parando pra pensar, quando sinto nostalgia, é geralmente quando me recupero de alguma fossa, sabe. algum momento ruim. a nostalgia tá sempre presente em situações assim. outro dia ouvi o meu XSPB preferido da Xuxa (XSPB 3, o da fazenda), numa animação que fazia tempo que eu não sentia.

é muito fácil pra mim ser absorvida pelas preocupações e obrigações do dia a dia. e é nessas horas que a nostalgia costuma aparecer, meio que pra me lembrar de quem eu sou, de onde eu vim, o que eu quero. hoje vejo claramente uma relação entre os meus maiores sonhos de hoje com os programas e desenhos que eu assistia quando era bem pequena, e com as brincadeiras que eu mais gostava. e, falar pra você, depois que eu me propus a resgatar a brincadeira na minha vida, algo mudou. ando menos estressada, mais de bem com a vida e, mesmo ainda sendo uma pobre lascada, não me sinto mais tão mal por isso.

hoje, ouvindo cocoricó, pensei: nossa, e não é isso a vida? estar com quem amamos comendo um bolo de cenoura e banana quente num dia de chuva? e todo o ambiente de uma fazenda é algo que mexe profundamente comigo, porque INFELIZMENTE eu nasci na capital de São Paulo. desde que me entendo por gente, pedia aos meus pais pra irmos embora dessa cidade, chorava quando voltávamos das visitas aos meus parentes do interior, e me sinto verdadeiramente feliz praticamente apenas quando estou no meio do mato.

por isso não saio muito de casa, por isso larguei meu emprego dos sonhos pra trabalhar online. porque pra mim essa cidade é um pesadelo. o bom é que aqui em casa tem muita planta e bicho. eu sei que São Paulo tem as suas partes boas, mas isso também é relativo pra cada pessoa. pra mim, nunca foi o suficiente pra me fazer gostar de viver aqui. e eu só não surtei ainda porque tem uma jabuticabeira enorme no meu quintal e os bichos pra eu interagir.

mas chega de pesar o clima. e isso não é uma homenagem ao cocoricó, é só um texto egoísta e nostálgico, mesmo. esse texto não tá no patamar de homenagem, o cocoricó merece o mundo! TV cultura, eu te amo, obrigada por tudo! vou encerrar dizendo como eu tenho sorte de ter sido uma criança que assistiu TV cultura, brincou no quintal de casa em baixo de uma jabuticabeira e cresceu com bichinhos em casa. um beijo pra minha tartaruga e os 3 gatos, pros cachorros, gatos, hamsters e calopsitas da minha tia que também mora no meu quintal. acho que o cocoricó invadiu meu pensamento depois de um momento ruim pra me lembrar porquê devo continuar a perseguir meu sonho de ir embora daqui. lembrando:

“Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando

Júlio

Papagaio pisca o olho Cavalo mexe a crina A vaca vem cantando E olha o có-có-có-có-có começando

Tá na hora do Cocoricó Ta na hora da turma do Júlio O Júlio na gaita E a bicharada no vocal Fazendo rock rural

Cocoricó O Júlio na gaita E a bicharada no co-co-coral Cocoricó”

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u/IcyJuggernaut5693 — 20 days ago