O São Paulo Futebol Clube odeia o são-paulino
(Um texto de um são-paulino para outro)
Hoje é um dia triste. Na verdade, nem sei por que estou escrevendo isso; deve ser apenas o reflexo de estar completamente desolado.
Ontem, o suposto áudio vazado do presidente interino dizendo que não trocará ninguém porque "não tem dinheiro" foi a gota d'água. É exaustivo. Eu não aguento mais ver o Roger Machado à beira do campo. Por incrível que pareça, criei uma resistência tão grande a esse cara que não consigo ouvir um sotaque gaúcho sem ficar alterado. Sei que o treinador é apenas a ponta do iceberg, mas hoje ele é a figura que mais representa o desespero que sinto.
Minha paciência esgotou. Não tenho mais palavras para falar de Rui Costa, Rafinha, Harry Massis, Casares, Fidic, Baby, Arboleda, Belmonte, Olten... A lista é longa, mas o meu cansaço é maior.
Eu simplesmente cansei. Cansei de verdade. Perdi a vontade de ver os jogos. E o que mais me dói é que esse era o meu momento de lazer com o meu pai. O São Paulo está me tirando isso. Me sinto triste, magoado e, acima de tudo, sem esperança.
Sou uma pessoa pacífica. Nunca me envolvi em brigas ou discussões acaloradas, mas o que esse clube está fazendo comigo desperta sentimentos que eu não conhecia. Dá vontade de ir ao CT, olhar na cara do presidente e dizer tudo o que está entalado. Me sinto um trouxa sendo enganado por teatros arquitetados, como esse áudio, que para mim não passa de uma estratégia para fazer a gestão parecer vítima da situação.
Talvez eu esteja falando de teorias da conspiração, talvez seja só o desespero. Mas acredito que esse sentimento seja o de muitos. Eu só queria que governassem o time para os torcedores, para mim, para o meu pai, minha irmã e meus amigos, e não por interesses próprios.
Parei de assistir a programas esportivos. Não quero fugir das notícias, só não quero mais ver presidente defendendo diretor e técnico enquanto o torcedor sangra.
Isso tudo é um grande desabafo. Espero, de coração, que um dia eu volte a ter vontade de ver um jogo. Que eu volte a ter orgulho de vestir a camisa que juntei meses de salário para comprar. Que eu possa voltar a comemorar gols e vitórias sem o peso da decepção nas costas.
Deixo aqui meu abraço a quem se identificar. E deixo também um pedido desesperado às torcidas organizadas: mostrem sua força. Exijam mudanças reais.
O São Paulo é dos são-paulinos.