
Algum tempo atrás eu falei aqui sobre o Stop Killing Games (SKG). Um movimento global que muita gente no Brasil ignorou, seja porque acha que “aqui a gente pirateia mesmo”, seja porque acredita que o nosso mercado tem algum peso relevante só por ser grande em número de jogadores.
Não tem. O Brasil representa cerca de 1,3% das vendas globais de jogos. Isso não dá poder de negociação, não influencia decisão de empresa grande e não muda política de mercado.
Mesmo assim, o movimento avançou sem depender da gente. O Ross Scott, que lidera o SKG, foi ouvido no Parlamento da União Europeia e apresentou um ponto básico: quando você compra um jogo, ele não deveria simplesmente parar de funcionar porque a empresa decidiu desligar um servidor.
Isso não é opinião, é discussão de direito do consumidor.
Enquanto isso, aqui no Brasil, a resposta foi basicamente indiferença. Muita gente tratando como se não fosse problema, ou pior, como se fosse inevitável.
Só que não é inevitável. Lá fora, isso já está sendo discutido em nível legislativo.
E vale lembrar: essas empresas que muita gente aqui defende não estão nem aí pro Brasil. Ubisoft, Activision-Blizzard, Sony, Tencent… o nosso mercado não é prioridade pra elas. A gente não dita regra, a gente segue.
E mesmo assim, tem gente defendendo modelo onde você paga por um jogo e pode perder acesso a qualquer momento.
Não é sobre gostar do jogo ou da empresa. É sobre aceitar um modelo onde você não possui o que comprou.
No final, o problema não é ser brasileiro e não poder fazer nada.
O problema é escolher não fazer nada e ainda agir como se isso fosse normal.
Agora, o próximo passo do Stop Killing Games na Europa é tentar transformar essa discussão em regulamentação concreta. A ideia é pressionar por leis que obriguem empresas a manter jogos funcionais ou garantir algum tipo de preservação e acesso após o fim do suporte oficial.
Isso significa que, se avançar, empresas não vão mais poder simplesmente desligar um jogo e apagar ele da existência.
E isso já está acontecendo, com ou sem o Brasil.