u/Fearless_Olive823

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Seguindo o pensamento do Mario Sergio Cortella, hoje eu sou a versão mais atual de mim, e não a mais velha. Logo, quero olhar para trás e ver aquilo que envelheceu bem e que hoje é novo pra mim.

Eu nunca tive um NES. Eu cresci com um Mega Drive, SNES, PS1 e PC . E muito me intriga o porque que as versões menos rebuscadas dos jogos que viraram franquias nos meus consoles seriam aproveitáveis.

Então eu lembrei do livro atual que tô lendo, Miss Dólar, um conto do Machado de Assis. Pensei na música que eu ouvi hoje pela manhã, Último Romance, do Los Hermanos. Acabei ficando cansado de pensar tanto e fui assistir a um filme, Fogo Contra Fogo, com o Val Kilmer.

Eu não preciso me forçar e consumir tudo isso que eu citei, eu amo cada detalhe e a idade nem se passa pela minha cabeça.

É o caso clássico de subestimar o produto pela sua época, como se as pessoas não pudessem ser inteligentes o suficiente no passado, ou como se a tecnologia de ponta fosse a matéria prima para a qualidade, e sem isso, tudo é rudimentar.

Os egípcios construíram as pirâmides há 70 mil anos e ainda são alvo de admiração. BK gravou o Castelos e Ruínas num Celeron 420 e um microfone Clone, e ainda é um dos melhores álbuns de todos os tempos.

Dito isto, vou jogar Super Mario Bros.

Não há muita filosofia em um side-scrolling platformer, então eu vou ser muito breve.

Como jogos típicos de sua geração, não há muita introdução ou o conceito de ser cinematográfico. O Mario é um idoso italiano, ou alguém muito jovem numa época não tão antiga. As pessoas costumavam aparentar serem mais velhas antigamente, provavelmente pela dieta de cigarro e dióxido de carbono.

Mas há algo mais intrigante do que isso. Mario é claramente um ser humano, italiano, enquanto seus algozes são animais, alguns antropomorfizados, outros regurgitando toda sua bestialidade (estou falando de vocês, polvo e marreteiro).

Visualmente, ainda há construções em alvenaria e que remontam uma época pré vitoriana, algo mais funcional e menos refinado e aprazível aos olhos.

Os canos servem para a lore de encanador mas destoam da arquitetura comum. E tal qual como em Roma existia uma rede de encanamentos complexa, mas todo mundo mijava em um coletródomo, os canos do Mario servem ao mesmo propósito que o Proerd.

Quando tudo se alinha na jogabilidade, é impossível não saber exatamente o que fazer, é como se existisse uma memória genética, a mesma que te faz aprender a andar sem ninguém te ensinar, ou descobrir o preço abundante de todas as verdades.

Muitos dizem que o game design nasceu aqui, e essa facilidade e coerência na curva gradual de aprendizado é mérito de uma progressão de cenário, disposição de elementos, encontro com inimigos e jogabilidade muito bem ajustada. E eu concordo.

Porém, existem elementos que destoam do comum. Aumentar a pontuação sem que haja um retorno, ou que seja uma mecânica aproveitável competitiva, é uma mera artificialidade herdada dos arcades (digo isso hoje, porque em retrospectiva, tudo parece mais claro). Embora, a coleta de moedas tenha um ótimo motivo, porque ao chegar a 100, você ganha uma raríssima vida, um bibelô de altíssimo valor aqui.

Mario desliza e o chão é feito pra te surpreender, então não é nada aconselhável correr sem saber que vem pela frente, ou o que não vem pela frente. Não necessariamente eu vejo o controle do Mario como um problema, enxergo como algo único, é assim. Não me atrapalha, só me faz jogar de acordo com as regras.

E por último, as músicas não precisam de apresentação. Na verdade todo o trabalho sonoro é um ícone, a epitome do que eu mais amo na música. Não precisa ser rebuscado, virtuoso... É só bom. As melodias cantarolam sons familiares por décadas, quase como ouvir o assobio do Zap ou o início de Sweet Child of Mine, você sabe que envelheceu. Mas tá tudo bem.

Ah, e todo o meu desprezo aos mundos 7-4 e 8-4.

u/Fearless_Olive823 — 8 days ago