u/Far-Patient2345

Fuga do refrão

Mais um dia cedido ao tempo

E, mais uma vez estou,

Refletindo em meio a velhos hábitos

Que tão facilmente me levam ao pudor

Mas senhor...

Será que um dia escaparei dessa dor?

Ou será que estou condenado a depor?

Enfim, busco na loucura um alívio para a sanidade

Afinal, a saudade do que se foi, se mostra uma inimiga maior que pensei

Quem sabe, entre linhas tortas

sobreviva algum vestígio

do que eu procuro entender

Contudo, como encontrar algo que não existe?

A busca de um ideal é tão banal que,

Ultimamente,

Pode se tornar fatal ao espírito

E eu, agora contido, evito mais uma desilusão

Enquanto a solidão, se revela:

não como ausência,

mas como um verso fixo,

Um refrão que retorna

mesmo quando a música cessa.

E assim me encontro, com cada trago dado

Tentando encontrar algo

Uma inspiração

Para abdicar de vez dessa constante contradição

Então, me ponho a contemplar mais uma vez o refrão

E no meio da ociosidade

Eu almejo na cidade

Uma fuga da solidão

Por instantes, funciona

A noite me veste bem.

Faço da boêmia abrigo,

como se o excesso fosse cura,

como se o ruído

pudesse reescrever o silêncio.

E minha mente, agora dormente

Substitui o caos por algo mais agradável:

Conversas e risadas

Beijos e pecado

Enfim, vejo que todos meus escritos se voltam a ela

A perdição,

Essa que tão bela

Me inspira um novo refrão

Mas não

Volto à solidão

E agora, entre fumaça e resto,

quando tudo já perdeu o brilho,

eu volto a mim,

E no meio do nada que persiste,

deliro,

como quem ainda espera

que o eco, um dia, ressoe dentro de mim

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u/Far-Patient2345 — 14 hours ago

Pensamentos do álcool

​

Morte, venha até mim

Eu te aguardo

Corri de ti por muito tempo

E hoje medo de ti não tenho

Pois tu és uma condição inevitável do ser

E eu hei de te encontrar algum dia

Então venha

Pois medo não tenho

Mas saiba que,

se a mim não vieres hoje,

eu hei de viver

E viverei bem

Pois medo não mais tenho de ti

Afinal, como temer o inevitável?

E você nada mais é do que um ponto

Mas sempre após um ponto há a contemplação

A mim, tu não me assustas mais

Tu não me tornas incapaz de sonhar

Pois sonhos transcendem o medo

Sonhos são eternos e eles vivem

Seja aqui ou no depois,

são matérias do pensamento que se destacam

Talvez pela audaciosidade

Mas enfim,

esses escritos são para mim

Quero lembrar do dia em que finalmente entendi

Que você nada mais é do que a manifestação do medo que reside no ser

Que ama tanto a vida que um dia temeu morrer

Mas por quê?

Por que viver com medo,

se ele coíbe o viver

E mina o ser?

Quero a mim pertencer e não mais temer

Então a ti digo: que se foda

Não irei abaixar a cabeça para medos novamente

Traga a mim o seu pior, que irei encarar sem medo

E, se algum dia inevitavelmente te encontrar,

Quero que saibas que a cabeça não irei abaixar

Vou te encarar e recontar

A vida que você ousou tirar

E eu, já sem ar, vou respirar novamente

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u/Far-Patient2345 — 15 hours ago

Mais um dia de ócio

Esse que antes era dócil

Hoje é algoz

E eu já sem voz

Sonho novamente com a rotina

Para escapar dessa sina

De pensamentos cíclicos

Propensos ao vício

Me sinto preso numa ampulheta

onde o tempo, grão por grão,

me enterra devagar

enquanto finjo procurar razão

Mas, quanto mais me afundo, mais a minha essência se dispersa

E agora, sem ela

Preencho a solidão

Com a busca incansável do cifrão

Já não busco sentido

Nem me apego à razão

Apenas atravesso os dias

Um após o outro

E agora, com a rotina de volta

Me sinto amparado

E minha gana novamente me chama

Ou quem sabe clama

Para reacender a chama da ambição

Negligenciada pelo excesso das inibições

Mas volto a pensar

Como não me entregar a ela?

Se ela me vem como uma donzela

Tão sincera e bela

Provando que a noite

Antes gélida

Transborda de emoções

E quando a rotina se ausenta

Vejo que minha sina

É ceder as tentações

Então me envolvo novamente em seu abraço

Há calor nos excessos,

há vida no descontrole

E eu me entrego a ela por completo

Esquecendo do amanhã

Mas ele há de chegar

O tempo é inegociável

E dessa bela dama devo me despedir

E com sua partida me vejo perdido novamente

Como se a loucura apontasse caminhos

e a lucidez

erguesse muros.

Sei que não,

Deve ser ilusão

Mas me torno novamente, à procura do cifrão

Quem sabe ele há de me dar direção.

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u/Far-Patient2345 — 20 days ago