Indifferentia Carnis (Autoral)
Repousar o coração?
Caminhos rasurados, manchas de café,
o mapa já deteriorando,
as bordas queimadas
Aflige-me o rastro do que não conheço.
Minha alma, fugitiva, parte sem aviso,
vagueia por onde não escolhi pisar
e espera, ansiosa, que meu corpo a alcance.
Meus pulmões, já empretecidos de agonias,
não encontram o fôlego para a vida.
O drama alheio me parece fardo;
meu labirinto já ecoa pensamentos monótonos demais.
Minhas queridas sombras tomam chá de ervas estranhas
e o derramam, fervente, em meus sensoriais.
O destino chama meu nome,
mas arde a cabeça
levo minha mão à testa em falha de suportar
ao verrumante que causam as patas dos insetos
em minhas fibras cerebrais.
O crânio, brutalmente partido ao meio,
exposto à luz do alvorecer tão indiferente.
Pele em fina seda
a membrana que agoniza
no erro de tentar tatear o mundo.