Portugal tá cada ano pior
Tenho vergonha deste país. A sério.
Como é que é possível, em 2026, uma pessoa trabalhar 40h por semana e mesmo assim mal conseguir pagar uma renda, meter comida na mesa e encher o depósito? Isto não é “vida adulta”, isto é sobreviver com um salário que já nasce insuficiente.
Salários baixos como sempre mas agora com preços de país rico. Gasóleo a preços ridículos, como se toda a gente tivesse alternativa. Spoiler: não tem. Há quem trabalhe só para pagar combustível e contas. Literalmente.
Ir ao supermercado tornou-se um exercício de frustração. Pegas em meia dúzia de coisas básicas e já vais a olhar para o total com aquele pensamento: “como é que isto ficou tão caro?”. Comer bem virou luxo. Comer o mínimo já custa.
E depois vem o circo da habitação. Rendas absurdas, casas sobrevalorizadas, zero controlo. Jovens que não conseguem sair de casa dos pais, casais a dividir despesas até ao limite, pessoas a trabalhar e mesmo assim a não conseguir ter um teto estável. Isto devia ser o básico.Mas não.
O mais revoltante é ver cada vez mais gente na rua. Pessoas reais, com histórias reais, que simplesmente ficaram para trás. E o país segue como se fosse só mais um número.
E nós? Vamos aguentando. Fazemos memes, mandamos umas piadas, encolhemos os ombros e seguimos. Como se isto fosse normal.
Não é.
Não é normal trabalhar e continuar pobre. Não é normal não conseguir pagar uma casa. Não é normal ter medo de ir ao supermercado. Não é normal ver pessoas a viver na rua e aceitar isso como parte da paisagem.
Isto não é “azar”. Isto é um sistema que está a falhar e está a falhar muita gente.
E o pior? Já nem é a revolta. É a sensação de que ninguém acredita que isto vá mudar.