Eu não sei muito bem como escrever isso sem parecer confuso, porque a história inteira foi confusa, mas talvez esse seja justamente o ponto.
Eu vivi um relacionamento que, por alguns meses, pareceu uma das coisas mais intensas, bonitas e absurdas que já aconteceram comigo. E, ao mesmo tempo, foi uma das coisas que mais me destruíram emocionalmente.
Não foi só uma ficada, muito menos só um “quase relacionamento”.
Teve uma fase antes do namoro que foi ambígua, sim, com flerte, ligação, saudade, ciúmes, distância, planos, insegurança e uma intimidade que cresceu rápido demais, mas a partir de janeiro, a gente namorou de fato. Ela se comprometeu com isso. Eu me comprometi com isso. Não era mais só uma possibilidade jogada no ar.
E talvez seja por isso que ainda doa tanto.
Porque não foi só uma coisa que “quase aconteceu”. Aconteceu. Existiu. Ela esteve na minha vida, conheceu minha família, meus amigos, minha casa, minha rotina, a gente teve momentos de casal, compromissos, expectativas, e promessas, e acima de tudo amor.
Mas também teve mentira, trauma, ciúme, medo, crise, família envolvida, insegurança, versões diferentes da realidade e uma sensação constante de que eu estava tentando amar alguém que eu nunca conseguia entender.
Pra contexto eu conheci ela em São Paulo, numa viagem com amigos. A gente estava na BGS e acabou indo numa festa na casa de uma garota que era amiga de amigos nossos. Era para ser só uma noite aleatória. A gente nem ia para lá originalmente. O plano era outro, mas mudamos de ideia e fomos.
No começo foi só aquilo, uma festa, bebida, jogos, gente de cosplay, piada, conversas aleatórias e todo mundo se conhecendo.
Ela era a dona da casa.
Na época, eu não sabia praticamente nada sobre ela. Só sabia o nome que me falaram, a idade que ela dizia ter, e que ela tinha acabado de sair de um relacionamento meio complicado. Pelo menos era assim que parecia naquele momento, “complicado”. Eu não sabia ainda o quão problematico era de verdade
A gente começou a conversar naquela noite, ficamos mais afastados do pessoal por um tempo, sentados, trocando ideia, rindo, falando de varias coisas, teve química, aquela coisa meio bebada, estranha, engraçada, mas obvia e confortavel, e acabamos nos beijando lá.
Depois da festa eu voltei para o hotel e a viagem seguiu, o evento acabou, e eu achei que ia ser só isso, uma pessoa interessante que conheci em São Paulo e talvez nunca mais veria.
mas seguinte ela me mandou mensagem e aí começou tudo.
No começo era lev, a gente falava da festa, do evento, dos amigos, das coisas idiotas que tinham acontecido, depois começou a virar conversa todo dia, depois o dia inteiro, depois ligação, depois apelidos carinhosos, depois saudades, depois planos, depois ciúmes, depois aquela zona cinzenta em que ninguém pediu oficialmente nada ainda, mas emocionalmente os dois já estavam envolvidos demais.
E eu moro longe. Muito longe.
Então tudo acontecia pelo celular, mensagem era rotina, ligação criava intimidade, algumas demoras para responder viravam ansiedade, cada “bom dia” parecia importante, e cada silêncio parecia significar alguma coisa.
Eu comecei a gostar dela de verdade.
E acho que ela também gostava de mim, o que é uma das partes mais difíceis de aceitar, eu não acho que tudo foi falso, eu acho que existiu sentimento real, só que sentimento real não impediu o resto de ser um caos como vou falar mais pra frente,
O primeiro grande problema foi que eu comecei a descobrir que coisas básicas sobre ela não batiam.
Quando eu conheci ela, eu achava que ela tinha uma idade. Depois descobri que não era aquela. Eu achava que ela fazia cursinho pré vestibuilar. Depois descobri que a situação era outra. Eu achava que sabia o nome dela. Depois apareceu outro nome. e depois outro. Em um momento era um nome social, apelido ou uma forma de se apresentar. Em outro, outro nome. Em outro, um nome de conta bancária que ela dizia ser de outra pessoa, o que depois descobri que era de fato o nome real dela.
E o pior nem era o nome em si, se ela tivesse falado “olha, meu nome no documento é tal, mas eu odeio esse nome, me chama de tal”, eu teria entendido. Eu não ligaria, está tudo bem.
O problema era a mentira inútil.
Era a sensação de que eu tinha me apaixonado por alguém que me entregava versões diferentes da própria realidade.
Ela também me contou histórias muito pesadas do passado dela. Coisas envolvendo família, abuso, um irmão morto, um ex muito mais velho (motivo de mentir a idade), um relacionamento extremamente abusivo, isolamento, controle, situações que eu nem sei como uma pessoa aguenta carregar.
E eu fiquei com pena, não no sentido ruim, ru fiquei com vontade de proteger.
Eu olhava para ela e pensava: “caralho, ela sofreu demais, eu não quero ser mais alguém que machuca ela.”
Só que esse pensamento foi me prendendo.
Porque, a partir do momento em que eu comecei a ver ela como alguém quebrada, tudo o que ela fazia vinha com uma justificativa emocional.
Se ela mentia, talvez fosse trauma,
Se ela escondia alguma coisa, talvez fosse medo.
Se ela reagia mal, talvez fosse porque já tinha sofrido antes.
Se ela me deixava inseguro, talvez eu tivesse que ser mais paciente.
Se eu ficava machucado, eu pensava duas vezes antes de falar, porque não queria piorar o estado dela.
Eu fui tentando ser compreensivo, ser calmo, tentando ser seguro, e não repetir as coisas ruins que ela viveu.
Mas, tentando não quebrar ela, eu comecei a me perder.
A relação foi me deixando paranoico.
E eu odeio admitir isso, porque eu nunca quis ser esse cara. Eu nunca quis ser ciumento, desconfiado, investigador, inseguro, controlador ou ansioso, mas eu comecei a ficar.
Porque quando uma pessoa mente sobre coisas básicas, você não consegue mais confiar nas coisas pequenas.
Você começa a duvidar de tudo.
Ela dizia que ia para um lugar, eu me perguntava se era verdade.
Ela falava de um amigo, eu me perguntava qual era a história completa.
Ela dizia que alguém era só amigo, eu lembrava que antes também tinham coisas que eram “só” alguma coisa e depois viravam outra.
Ela me contava uma versão. Depois outra pessoa contava outra. Depois a mãe dela contava outra. Depois aparecia uma prova que parecia confirmar uma versão diferente.
E eu ia ficando maluco.
No meio disso, também existiam os caras ao redor dela.
Ela era de um meio de cosplay e evento, então tinha muita gente em volta. Gente que ela já tinha ficado. Gente que dava em cima. Gente que mandava coisa explícita sem ela pedir. Gente de outros estados. Gente de evento. Gente do passado dela. Gente que reaparecia depois de anos porque o relacionamento abusivo anterior tinha afastado ela de muita gente.
E eu tentava ser racional.
Antes do namoro, eu pensava: “a gente nem namora oficialmente, eu não tenho direito de cobrar nada”.
Mas emocionalmente eu já estava envolvido.
Depois de janeiro, a situação mudou. A gente namorava. Existia compromisso. Ela também tinha aceitado esse compromisso. Então algumas coisas que antes ficavam naquela zona cinzenta passaram a doer de outro jeito, porque agora não era mais só “será que eu posso me incomodar?”. Era uma relação assumida, e eu esperava o mínimo de cuidado, respeito e transparência.
Teve um cara que foi com ela a um evento, deu em cima dela, comprou coisas para ela e depois mandou foto explícita sem ela pedir. Ela me mostrou as conversas, e eu acreditei nela. Achei o cara nojento. Só que depois ela continuou mantendo contato com ele.
Teve outro cara que fez coisa parecida.
Teve gente do passado que voltou.
Teve amigo que ela dizia ser confiável, mas que para mim surgia dentro de uma história cheia de pontas soltas.
Teve uma situação específica em que um amigo dela reapareceu porque tinha uma ligação indireta com o ex abusivo dela. Ele chamou ela para conversar, ela foi encontrar ele, depois foram para a casa dela, conversaram com a mãe dela, e em algum momento os dois postaram uma foto deitados em uma cama, num privado, aparentemente para ver se o ex dela ainda stalkeava.
Pode não ter tido nada sexual. Eu acredito que talvez não tenha tido mesmo.
Mas imagina você estar namorando alguém, essa pessoa ter acabado de sair da sua casa, vocês terem vivido dias como casal, ela ter conhecido sua família, vocês terem um compromisso, e do nada ela aparece deitada numa cama com outro cara que você não conhece direito, sem te avisar antes, dentro de uma história que envolve ex, stalker, teste e segredo.
Eu fiquei mal.
E quando eu ficava mal, muitas vezes eu saía como o inseguro.
Só que era difícil não ser inseguro em uma relação onde o chão mudava o tempo todo.
Em janeiro que foi quando ela veio me visitar.
E essa parte é o que mais complica tudo na minha cabeça, porque foi real.
Ela viajou uma distância enorme para me ver. Ficou dias comigo. Conheceu meus amigos. Conheceu minha família. A gente assistiu coisas juntos, saiu, ficou em casa, conversou, riu, dormiu junto, viveu uma rotina de namoro.
Não era mais só conversa pelo celular, não era mais só um ideal.
Eu olhei para ela dentro da minha vida real.
Ela conheceu meu quarto, minha cidade, meus pais, meus amigos, meus lugares.
E tiveram momentos muito bons.
Muito bons mesmo.
Por isso dói tanto.
Porque se tivesse sido só mentira, eu teria como odiar e deixar pra trás.
Mas não foi só mentira.
Tinha carinho. Tinha cuidado. Tinha piada interna. Tinha apelido. Tinha conversa boba. Tinha abraço. Tinha ela ali comigo. Tinha um futuro que, por alguns dias, parecia possível.
Só que, mesmo nesses dias bons, as pontas soltas continuavam existindo.
Ela não gostava de tirar foto, dizia que se sentia mal com o próprio corpo. Eu respeitava. Só que depois isso virava cobrança, como se eu não postasse ela porque eu não queria assumir. Mas quando eu tentava tirar foto, ela não deixavam e nos raros momentos que dava, ela não queria que postasse. Depois, isso virava uma arma contra mim, “você prometeu que ia postar e não postou”.
E eu comecei a perceber uma coisa, muitas coisas que para mim eram frases carinhosas, exageros de começo de relacionamento ou intenções abertas, para ela viravam promessas absolutas.
Se eu falava “vou fazer tal coisa”, aquilo virava contrato, por mais absurdo que seja, como exemplo seria dizer algo como "quando você vier vou postar fotos suas toda hora", é óbvio que isso é impossível, e uma expressão de carinho meio exagerada, mas pra ela virava uma afirmação e obrigação, e nesse exemplo, ela mesma me impedia de cumprir como eu disse antes.
E sim, eu também errei.
Teve uma situação em que eu disse que ia bloquear uma menina que me seguiu e acabei não bloqueando, esqueci, deixei passar, e um tempo depois aceitei a solicitação sem pensar muito. Para mim foi uma burrice pequena, mas eu entendo que quebrou confiança dela.
Teve coisa que eu falei de um jeito e ela entendeu de outro.
Teve situação em que eu tentei explicar e provavelmente piorei.
Teve momentos em que eu insisti demais, perguntei demais, cobrei explicação demais, fiquei ansioso demais.
Eu não fui perfeito.
Mas o que me destruía era ver que os meus erros viravam prova de que eu era indigno de confiança, enquanto as mentiras dela sobre idade, nome, escola, família e passado pareciam sempre vir com uma explicação trágica por trás.
Era como se a dor dela tornasse tudo compreensível, e a minha dor tornasse tudo inconveniente.
Um adendo interessante também, ela sempre dizia não conhecer os amigos direito, eu perguntava pra ela, "ah com o que esse seu amigo trabalha?" logo depois de ela comentar sobre ele ter voltado do trabalho, e ela falava que não sabia, o que ta tudo bem, mas depois ela brigava comigo por sequer ter questionado, e o mesmo vale pra familia, eu perguntava coisas básicas, tipo o trabalho da mãe dela, e ela me falava que eu não devia perguntar isso, que cada família tem seus segredos, e etc, mas em fevereiro quando fui pessoalmente para são paulo, conhecer a familia dela, foi o completo oposto.
A familia dela adorava conversar sobre as histórias deles, sobre o que faziam, e tudo, eu nem perguntava as vezes e eles já estavam me contando as coisas, mas ela sempre parecia desconfortável com isso, o que mais tarde eu entendi o por que, as histórias que ela tinha me contado antes não batiam com as histórias que a familia dela me contava, por alguma razão ela mentia sobre isso, o que me deixa intrigado, já que as histórias eram completamente normais, não tinha nenhum absurdo que justificasse uma mentira assim.
Nesse mesmo tópico, ela sempre me afastou dos amigos dela, com exceção de 3 que conheci pessoalmente (e tive que mentir a idade dela para eles, já que ela mentiu isso pra isso pra todos), mas de forma geral, ela falava que todos os amigos dela iam me odiar, me achar um fardo, o que eu aceitei calado na época, afinal ela que conhecia eles, então deve ser verdade, mas depois conversando com a mãe dela em particular, o que ela me falou foi o completo oposto, disse que eles iam gostar muito de mim, e que não entendia por que a própria filha falou o contrário.
Depois, em março, as coisas começaram a desandar de vez.
A gente terminou, ou pelo menos entrou nesse estado horrível de término mal resolvido.
Ela dizia que não confiava mais em mim. Dizia que eu mentia. Que eu quebrava promessa. Que eu tinha feito mal.
E ao mesmo tempo, pelas atitudes, parecia que ela ainda queria que eu corresse atrás.
Ela dizia uma coisa, mas fazia outra.
Falava como se quisesse distância, mas demonstrava ciúmes.
Postava coisas que pareciam feitas para me atingir.
A mãe dela chegou a me dizer que ela queria me fazer ciúmes, que queria testar se eu ainda amava ela.
E isso me destruiu.
Porque eu não sabia mais o que ela queria.
Se eu ia atrás, eu me sentia humilhado.
Se eu me afastava, parecia que eu estava abandonando alguém que ainda estava mal.
Se eu demonstrava ciúme, eu alimentava o jogo.
Se eu não demonstrava, talvez ela interpretasse como falta de amor.
Eu fiquei preso num labirinto onde qualquer escolha parecia errada.
Teve uma noite em que ela estava bêbada, e falou algo sobre ter uma overdose de medicamento, e eu fiquei com medo, de verdade. Eu não sabia o que fazer à distância. Então falei com a mãe dela.
E sinceramente, essa é uma parte que eu não me arrependo, quando alguém que você ama e que tem histórico de overdose fala algo assim, você não fica brincando de orgulho, você chama alguém que está perto.
Mas depois disso a mãe dela virou parte da história.
E isso deixou tudo ainda mais insano.
Eu conversava com a mãe dela tentando entender o que estava acontecendo. A mãe dela me contava coisas. Eu contava coisas para a mãe dela. Às vezes a versão da mãe batia mais com a realidade do que a versão dela. Às vezes a mãe também não entendia a própria filha.
E aí eu me vi numa situação absurda, eu não era só o namorado ou ex namorado.
Eu era namorado, ex, investigador, mediador, suporte emocional, contato de emergência, pessoa tentando entender mentira, pessoa tentando acalmar crise, pessoa tentando descobrir se ela queria voltar ou se queria me destruir emocionalmente.
Isso não é saudável, é um cativeiro emocional.
E eu não digo isso como se ela fosse um monstro.
Acho que essa é a parte mais difícil.
Eu não acho que ela seja um monstro.
Eu acho que ela é uma pessoa quebrada, imatura, machucada, confusa, que provavelmente me amou do jeito torto que aprendeu com o passado conturbado.
Mas ela me machucou.
Ela me colocou em um estado constante de alerta.
Ela fez eu duvidar da minha percepção.
Ela fez eu sentir culpa por estar ferido.
Ela fez eu carregar dores que não eram minhas.
Ela fez eu sentir que, se eu fosse embora, alguma coisa horrível poderia acontecer.
E eu também deixei isso acontecer por tempo demais.
Porque eu amava ela.
Ainda amo, para ser sincero.
E eu odeio isso.
Não porque amar seja errado, mas porque parece humilhante amar alguém que me fez tão mal.
Já faz dois meses que a gente não se fala.
Dois meses sem mensagem, sem ligação, sem explicação final, sem conversa que resolva tudo, sem aquele fechamento bonito que a gente imagina que vai ter.
Só silêncio.
E mesmo assim eu ainda estou preso.
Não preso no sentido de querer voltar. Eu sei que essa relação estava me fazendo mal. Eu sei que eu estava deixando de ser eu. Eu sei que minha paz estava indo embora. Eu sei que, se eu voltar, provavelmente vou cair no mesmo ciclo.
Mas eu ainda sinto falta.
Sinto falta da versão dela que ria comigo.
Da versão que viajou para me ver.
Da versão que conheceu minha família.
Da versão que me chamava com carinho.
Da versão que parecia me escolher.
Da versão que talvez existisse de verdade, mas nunca por tempo suficiente para sustentar uma relação saudável.
Eu sinto falta do que foi.
E também sinto falta do que poderia ter sido.
Acho que esse é o luto mais difícil.
Perder a pessoa real e a possibilidade ao mesmo tempo.
Perder a vida que eu imaginei.
Perder a ideia de que tudo aquilo ia virar uma história bonita depois da tempestade.
Perder a esperança de que, se eu tivesse mais paciência, mais calma, mais amor, mais maturidade, tudo ia se ajeitar.
Mas não se ajeitou.
E talvez nunca fosse se ajeitar.
Porque amor não conserta mentira.
Amor não substitui terapia.
Amor não sustenta relação sem confiança.
Amor não justifica teste de ciúmes.
Amor não obriga ninguém a virar suporte emocional de outra pessoa.
Amor não deveria te fazer sentir que você está enlouquecendo.
Eu queria odiar ela.
De verdade.
Seria muito mais fácil.
Se eu odiasse, eu teria uma resposta simples: “ela foi horrível, acabou, segue a vida”.
Mas eu não odeio.
Eu lembro das coisas ruins e ainda sinto carinho.
Lembro das mentiras e ainda penso se ela está bem.
Lembro da ansiedade e ainda sinto saudade.
Lembro do caos e ainda tenho vontade de proteger a pessoa que me puxou para ele.
E isso é brutal.
Porque meu cérebro sabe que ela não me fazia bem.
Mas meu coração ainda lembra dos momentos em que ela parecia ser exatamente o que eu queria.
Então eu estou tentando aceitar uma coisa que parece contraditória, mas talvez seja a verdade.
Ela me amou e me machucou.
Ela sofreu e me fez sofrer.
Ela foi vítima de muita coisa e ainda assim foi injusta comigo.
Ela se comprometeu comigo e ainda assim não conseguiu sustentar uma relação segura.
Ela foi importante e ainda assim precisa ficar no passado.
Eu posso desejar que ela fique bem sem ser eu a salvar ela.
Eu posso amar alguém e escolher não voltar.
Eu posso sentir falta e ainda assim não mandar mensagem.
Eu posso reconhecer que o namoro foi real sem permitir que ele continue me destruindo.
Eu não sei quanto tempo isso demora para passar.
Hoje ainda parece que parte de mim ficou parada naquela história. Como se eu tivesse saído da relação, mas a relação não tivesse saído de mim.
Mas talvez seguir em frente não seja acordar um dia sem sentir nada.
Talvez seja só parar de alimentar.
Parar de reler.
Parar de tentar entender cada contradição.
Parar de procurar uma explicação perfeita.
Parar de esperar que ela vire a pessoa que eu achei que ela poderia ser.
Parar de achar que eu preciso odiar ela para ir embora.
Então é isso.
Eu namorei alguém que eu amava e que me fez mal.
Eu tentei ser porto seguro para alguém que era uma contradição ambulante.
Eu tentei entender mentiras que só me deixaram mais perdido.
Eu tentei salvar uma pessoa e quase me perdi junto.
Ainda amo ela.
Mas eu não posso mais amar alguém às custas de mim mesmo.