Não trabalhe em agências de publicidade, a exploração virou uma premissa
Tive um presencial essa semana, os chefes nos fizeram pagar o café da tarde de nossos bolsos. Fizeram a novata comprar bolo. Saímos do presencial e encontramos a Harley Davidson nova do dono da agência na garagem — era uma daquelas enormes que tem 300 baús e coisas nas laterais, que quase ocupam o lugar de um carro.
Trabalho mais do que todos os meus amigos, não tenho CLT e, fora o home office, não tenho nenhum benefício, como plano de saúde ou vale-alimentação. Ganho menos de um salário mínimo e meio, não nos pagam hora extra e, mesmo antes da reforma trabalhista do Temer, quase nenhum dos meus colegas teve emprego com CLT (pela maior parte do tempo).
A agência já fez pessoas contraírem dívidas por não orientá-las corretamente sobre MEI/ME. Não oferecem computadores nem auxílio quando os nossos quebram, não concedem licença-maternidade e já demitiram mulheres grávidas. Ainda assim, exigem que estejamos disponíveis e trabalhando em horário comercial, cumprindo 8 horas por dia registradas em um contador de tempo para cada tarefa.
Somos a classe mais desunida e desmobilizada possível e isso custou muito, muito caro. Vocês têm alguma ideia de mobilização?