u/ElGrego99

▲ 2 r/Poemas

Ó Sara, de cabelos cor da noite escura,
Que em fios de ébano o mistério encerra,
Tens na alvura da pele a luz mais pura,
Qual neve rara que o verão não ferra.

Teus olhos verdes, campos de esperança,
Onde a alma se perde, doce e cativa,
São fonte viva de serena bonança,
Que em mim desperta a chama mais altiva.

Nos modos teus habita a gentileza,
Suave como a brisa ao entardecer;
E em cada gesto mora tal beleza
Que o próprio tempo esquece de correr.

Se Amor, tirano, rege o meu destino,
Em ti encontrou seu trono mais divino.

reddit.com
u/ElGrego99 — 14 days ago

PRÓLOGO

CORIFEU

Não há nada no mundo
que nasça sozinho.

Nem cidade,
nem ruína,
nem homem.

Há sempre um sopro primeiro,
invisível,
que levanta o braço adormecido
e o separa do repouso.

Há algo
que empurra o homem
para fora de si.

Para além de si.

E ninguém sabe dizer
o que nele desperta

Se é chama…
ou começo da perda.

PÁRODO

CORO

Há um impulso.
Mas de onde vem ele?

Quem sussurra ao homem
que a medida não lhe basta?

Quem o arranca do chão seguro
e lhe promete o alto?

Quem move a mão
que levanta a cidade,
que ergue torres no vento?

Não é lei.
Não é razão.

É um fogo que não deixa cinza.

Um nome antigo
que os lábios recusam.

EPISÓDIO I

CORIFEU

Então nomeia essa força.

Dá-lhe voz
antes que nos consuma em silêncio.

ESTÁSIMO I

CORO

Não se nomeia o que não dorme.
Mas ele está em toda parte.

Na mão que constrói a cidade
antes de saber o preço da pedra.

No olhar que atravessa o horizonte
como se já tivesse perdido o presente.

Na palavra que se ergue
antes de conhecer o silêncio que virá depois.

É uma sede
que não conhece repouso.

Uma inquietação antiga
que caminha no peito dos homens
desde a primeira noite.

Por ela
abrimos o mundo
como quem rasga um fruto escuro.

Por ela
erguemos os olhos às estrelas
e nelas desenhamos caminhos.

Ela semeia visões:
cidades de fumo que se desfazem na boca,
reinos por nascer com cheiro a ferro e sangue,
formas que ainda não têm corpo.

Ela passa entre nós
como um vento invisível.

Na voz que se levanta
contra a injustiça.

Na palavra que arde
antes de ser dita.

Na ternura inesperada
que aproxima dois estranhos.

No olhar de quem hesita
à beira de um gesto.

Num lugar profundo
onde a inquietação
procura abrigo no coração de outro.

Mas no fundo
é sempre o mesmo fogo.

Não é algo no homem.
É o homem.

Uma voz muda
que se levanta por dentro
e diz:

mais.

Mais vida.
Mais altura.
Mais mundo.

EPISÓDIO II

CORIFEU

Esse fogo habita o humano
como um hóspede antigo.

Mas ouve.

A pedra que se ergueu contra o céu
não esquece o chão de onde veio.

O abraço que parecia eterno
já traz em si a distância futura.

O beijo que inflamava
apaga-se.
Sem aviso.

E o que foi luz
aprende a sombra
quando já é tarde demais para voltar.

Porque onde não há medida
nasce a ruína.

ESTÁSIMO II

CORO

O fogo e o vento dançam juntos.
O impulso que cria.
O vento que arrasta cidades.
O mesmo impulso que apaga estrelas

Toda ascensão carrega o peso da queda.
Toda glória tem o seu eco no vazio.

O excesso cresce
como onda sem margem.

E quando quebra
leva consigo
torres, nomes,
memória e carne.

ÊXODO

CORO

E mesmo assim
o homem ergue os olhos.

Mesmo ferido,
mesmo sabendo,

abre de novo o mundo
como quem insiste no impossível.

Porque o desejo
não se extingue.

Arde.

Invisível,
insaciável,
eterno.

E enquanto arder,
haverá impulso.

E enquanto houver impulso,
haverá risco.

E enquanto houver risco
haverá tragédia

reddit.com
u/ElGrego99 — 16 days ago

PRÓLOGO

CORIFEU

Não há nada no mundo
que nasça sozinho.

Nem cidade,
nem ruína,
nem homem.

Há sempre um sopro primeiro,
invisível,
que levanta o braço adormecido
e o separa do repouso.

Há algo
que empurra o homem
para fora de si.

Para além de si.

E ninguém sabe dizer
o que nele desperta

Se é chama…
ou começo da perda.

PÁRODO

CORO

Há um impulso.
Mas de onde vem ele?

Quem sussurra ao homem
que a medida não lhe basta?

Quem o arranca do chão seguro
e lhe promete o alto?

Quem move a mão
que levanta a cidade,
que ergue torres no vento?

Não é lei.
Não é razão.

É um fogo que não deixa cinza.

Um nome antigo
que os lábios recusam.

EPISÓDIO I

CORIFEU

Então nomeia essa força.

Dá-lhe voz
antes que nos consuma em silêncio.

ESTÁSIMO I

CORO

Não se nomeia o que não dorme.

Mas ele está em toda parte.

Na mão que constrói a cidade
antes de saber o preço da pedra.

No olhar que atravessa o horizonte
como se já tivesse perdido o presente.

Na palavra que se ergue
antes de conhecer o silêncio que virá depois.

É uma sede
que não conhece repouso.

Uma inquietação antiga
que caminha no peito dos homens
desde a primeira noite.

Por ela
abrimos o mundo
como quem rasga um fruto escuro.

Por ela
erguemos os olhos às estrelas
e nelas desenhamos caminhos.

Ela semeia visões:
cidades de fumo que se desfazem na boca,
reinos por nascer com cheiro a ferro e sangue,
formas que ainda não têm corpo.

Ela passa entre nós
como um vento invisível.

Na voz que se levanta
contra a injustiça.

Na palavra que arde
antes de ser dita.

Na ternura inesperada
que aproxima dois estranhos.

No olhar de quem hesita
à beira de um gesto.

Num lugar profundo
onde a inquietação
procura abrigo no coração de outro.

Mas no fundo
é sempre o mesmo fogo.

Não é algo no homem.
É o homem.

Uma voz muda
que se levanta por dentro
e diz:

mais.

Mais vida.
Mais altura.
Mais mundo.

EPISÓDIO II

CORIFEU

Esse fogo habita o humano
como um hóspede antigo.

Mas ouve.

A pedra que se ergueu contra o céu
não esquece o chão de onde veio.

O abraço que parecia eterno
já traz em si a distância futura.

O beijo que inflamava
apaga-se.
Sem aviso.

E o que foi luz
aprende a sombra
quando já é tarde demais para voltar.

Porque onde não há medida
nasce a ruína.

ESTÁSIMO II

CORO

O fogo e o vento dançam juntos.
O impulso que cria.
O vento que arrasta cidades.
O mesmo impulso que apaga estrelas

Toda ascensão carrega o peso da queda.
Toda glória tem o seu eco no vazio.

O excesso cresce
como onda sem margem.

E quando quebra
leva consigo
torres, nomes,
memória e carne.

ÊXODO

CORO

E mesmo assim
o homem ergue os olhos.

Mesmo ferido,
mesmo sabendo,

abre de novo o mundo
como quem insiste no impossível.

Porque o desejo
não se extingue.

Arde.

Invisível,
insaciável,
eterno.

E enquanto arder,
haverá impulso.

E enquanto houver impulso,
haverá risco.

E enquanto houver risco
haverá tragédia

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u/ElGrego99 — 16 days ago