Ó Sara, de cabelos cor da noite escura,
Que em fios de ébano o mistério encerra,
Tens na alvura da pele a luz mais pura,
Qual neve rara que o verão não ferra.
Teus olhos verdes, campos de esperança,
Onde a alma se perde, doce e cativa,
São fonte viva de serena bonança,
Que em mim desperta a chama mais altiva.
Nos modos teus habita a gentileza,
Suave como a brisa ao entardecer;
E em cada gesto mora tal beleza
Que o próprio tempo esquece de correr.
Se Amor, tirano, rege o meu destino,
Em ti encontrou seu trono mais divino.