A linha tênue entre a indiferença e o amor
Conheci um cara bom, gentil, meu primeiro relacionamento. Embora eu nunca tivesse namorado antes, sei como as coisas funcionam, porque vejo relacionamentos ao meu redor, tanto bons quanto ruins, e nunca quis ser o tipo de pessoa que se contenta com qualquer coisa.
Sempre deixei claro que queria um pedido de namoro formal, com aliança e, quem sabe, um buquê de girassóis. Estamos juntos há 5 meses e isso me entristece. Ao mesmo tempo, acho que sou imatura por pensar assim, porque ele estava passando por problemas financeiros e eu entendi. Mas foi aí que novas diferenças apareceram.
Ele está mais impaciente e eu, de verdade, mais distante. O beijo dele passou a não me despertar desejo, as brincadeiras começaram a me irritar e eu já não tenho mais expectativa de ele comprar uma aliança. E, sinceramente, se ele chegar agora com uma, não vou sentir a mesma empolgação que teria sentido se ele tivesse me dado um tempo atrás. É como se eu já não esperasse mais nada dele, como se eu não quisesse mais nada dele.
Não é só sobre ele não poder me dar isso. É sobre ele viver gastando com iFood ao invés de juntar dinheiro para comprar uma rosa e uma aliança. Percebi que a prioridade dele é a droga de um iFood.
Quando amamos alguém, criamos expectativas, sejam elas conscientes ou não. Afinal, as expectativas nascem do carinho, da admiração e da idealização que sentimos por alguém. Elas são reflexos desse amor quase platônico que construímos dentro de nós.
E quando isso se perde, já não resta mais tanta coisa além da indiferença. Um vazio silencioso, um grande “tanto faz” onde antes existia entusiasmo, esperança e vontade de permanecer.