Sobre esta última imigração brasileira e a equivalência do ensino básico.
Vou colar aqui, uma resposta que fiz a outro utilizador sobre o porquê de a equivalência do ensino básico ser uma péssima ideia e isto sem sequer tocar no tópico da qualidade de ensino.
O problema aqui é a história que o governo brasileiro tem, e continua a forçar aos brasileiros, em que demonizam os portugueses.
- O Brasil não existia, ponto final, parágrafo.
- O Brasil tem a área que tem, tem as bases culturais que tem, justamente porque ser uma construção portuguesa tanto que 60/70% daquilo que te orgulhas por ser brasileiro foi uma caldeirada induzida por portugueses.
- O Brasil era uma região portuguesa.
- O Brasil era português até ao início do séc. XIX e a partir desta altura, passou a ser de vossa responsabilidade.
Tens, já desde o século passado, uma lusofobia que funcionou e continua a funcionar como:
- ferramenta política.
- para construir a identidade brasileira.
- mecanismo simbólico de separação nacional.
- e, como bode expiatório para tensões económicas e sociais internas.
...
Lê se quiseres.
Dizer que houve escravidão, etc, é ser-se ou profundamente desonesto intelectualmente ou profundamente energúmeno para querer impôr ética do séc. XXI a um período entre inícios do séc. XVI e finais séc. XVIII.
Pára de economizar a tua própria inteligência e pensa um bocado. Logísticamente, não tinhamos a quantidade de homens para fazer a magnitude das atrocidades que referes. E mais, de todos os países (Holanda, Espanha, Reino Unido, etc) que tiveram colónias (e esta comparação nem se quer é justa porque o brasil não foi uma colónia no sentido anglosaxónico) fomos OS mais brandos. Sim! Leste bem! Os mais brandos! Os mais brandos quando comparados com a autêntica chacina aos nativos que estes países fizeram. Pelo contrário, os portugueses tiveram uma abordagem de enculturação e acolhimento (contextualiza para a época e não sejas energúmeno ao aplicar a ética do séc. XXI).
Houve atrocidades?
Claro que sim, aos nossos olhos de hoje em dia. Mas mesmo para a época não foi numa magnitude minimamente comparável aos impérios contemporâneos. E o resultado? É teres um território vasto e uma diversidade cultural grande dentro do próprio Brasil tendo a Portugalidade como artéria comum.
Compara com os espanhóis em que, como resultado, tiveram uma mão cheia de países.
O que vos ensinam na escola é descrito por uma palavra: indoutrinação.
O Brasil é tão vasto, que os governos precisaram de qualquer coisa para unir o povo, de algo que quebrasse a ligação do próprio Brasil com Portugal, algo comum que pudesse ser rápidamente espalhado e partilhado entre o povo. E a resposta a isto é a lusofobia.
Enquanto isto, o Brasil adotou ideias modernas europeias enquanto mantinha:
- escravidão até 1888.
- e, forte desigualdade social.
Ou seja, falava-se em “progresso" mas a estrutura social permanecia bastante excludente.
Depois da independência de 1822, o novo Império precisava de responder: “O que é ser brasileiro?”
O problema era que:
- a língua era portuguesa;
- a religião era 'portuguesa';
- as instituições vinham de Portugal;
- a elite era em grande parte luso-brasileira.
Ou seja, havia pouca distinção cultural clara.
Assim, surgiu um discurso nacionalista que frequentemente retratava o português como:
- explorador colonial;
- monopolista do comércio;
- inimigo da autonomia brasileira;
- símbolo do “atraso colonial”.
Isso ajudava a criar um “outro” contra o qual a identidade brasileira podia se formar.
Esta lusofobia tornou-se popular no século XIX que foi quando ocorreram vários episódios de tensão entre brasileiros e portugueses.
E no final do século XIX e início do XX, parte do republicanismo e do nacionalismo brasileiro reforçou esta diferenciação.
O português passou a aparecer em caricaturas como:
- comerciante explorador;
- conservador;
- monarquista;
- símbolo do velho mundo.
Ao mesmo tempo, os intelectuais tentavam construir uma identidade “autónoma” brasileira:
- exaltação da miscigenação;
- culto ao território nacional;
- ideia de “povo brasileiro”.
E mesmo assim (tomara ...) a cultura brasileira permaneceu fortemente lusa.
Agora, não há é já um pingo de paciência para aturar com as consequências do que andaram vocês a comer e que vos deixou arrogantes.
Não vos devemos nada.
Nem os nossos antepassados devem aos teus (eram os mesmos).