Isso talvez pareça improvável, mas vou tentar.
No domingo de Páscoa, à tarde, eu estava na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, perto do Pão de Açúcar. Em algum momento, reparei em uma mulher lendo Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf.
Ela estava de boné, óculos de sol, com um pote de frutas cortadas — lembro de ter visto cenoura também — e continuava lendo enquanto ventava muito. Teve uma hora em que o guarda-sol dela soltou da areia e voou para trás. Ela segurou, ajeitou tudo, e voltou para aquele momento dela.
Não sei explicar direito, mas aquela cena ficou presa na minha cabeça. Não foi só aparência; foi o conjunto inteiro: o livro, a praia, o vento, o silêncio, a forma como ela parecia estar ali no próprio mundo.
Eu não falei com ela na hora, e talvez nunca mais a veja. Mas se essa pessoa estiver aqui, ou se alguém conhecer uma mulher que estava nesse dia na Praia Vermelha lendo Virginia Woolf, eu gostaria muito de conversar.
Sem exposição, sem invasão de privacidade. Se for você e quiser responder, me chama e me diz algum detalhe daquele momento para confirmar.