
Spec, The Ripper
Depois de alguns anos como policial, Eliot foi promovido para investigador.
Ele rapidamente ganhou reputação dentro do departamento.
Não era o mais agressivo.
Não era o mais forte.
Mas era o mais persistente.
Quando pegava um caso, ele não largava até encontrar a verdade.
Seus colegas diziam que Eliot tinha uma habilidade rara: ele conseguia entender como um criminoso pensava.
Isso o tornava extremamente eficiente.
Mas também significava que ele passava muito tempo mergulhado na mente de pessoas perigosas.
Algo que, mais tarde, cobraria um preço.
Apesar da vida difícil no trabalho, Eliot tinha algo que o mantinha equilibrado: sua família.
Ele conheceu Sara em um café perto da delegacia. Ela trabalhava como designer e tinha um senso de humor que quebrava facilmente a seriedade de Eliot.
Eles se apaixonaram rápido.
Alguns anos depois, tiveram um filho: Ethan.
Ethan era o orgulho de Eliot.
Nos dias de folga, ele levava o filho ao parque, ensinava a andar de bicicleta e prometia que um dia mostraria a ele como funcionava uma investigação de verdade.
À noite, quando voltava do trabalho, Eliot costumava sentar no sofá com Sara enquanto Ethan dormia.
Era nesses momentos simples que ele se sentia verdadeiramente em paz.
Durante meses, Eliot e sua equipe investigavam uma organização criminosa extremamente perigosa, responsável por tráfico de armas, drogas e diversos assassinatos.
O grupo era conhecido por ser extremamente violento e difícil de infiltrar.
Depois de semanas de escutas telefônicas e vigilância, finalmente surgiu uma oportunidade.
Um carregamento importante da organização seria entregue em um armazém abandonado na zona industrial da cidade.
Era a chance perfeita para prender vários membros importantes de uma só vez.
Eliot lideraria a operação.
A equipe que acompanhava Eliot naquela noite era formada por homens que ele confiava plenamente.
Mark Rivera – seu parceiro mais próximo. Trabalhavam juntos havia quase cinco anos. Mark era brincalhão, sempre tentando aliviar o clima nas operações.
Samuel Ortiz – especialista tático, sempre calmo em situações de risco.
Luca Bennett – o mais jovem da equipe, mas extremamente dedicado.
Antes de sair da viatura, Mark olhou para Eliot e deu um sorriso.
— Depois disso vamos precisar de uma cerveja.
Eliot respondeu com um meio sorriso.
— Primeiro vamos terminar o trabalho.
Nenhum deles sabia que seria a última conversa.
A equipe cercou o armazém silenciosamente.
As luzes estavam apagadas e tudo parecia quieto demais.
Eliot sentiu algo estranho no ar.
Mas naquele momento ele acreditou que era apenas nervosismo.
— Entrando em três… dois… um…
A porta foi arrombada.
E então tudo deu errado.
Assim que entraram, refletores se acenderam de repente.
O interior do armazém estava cheio de homens armados.
Muito mais do que a equipe esperava.
Era uma emboscada.
Antes que pudessem reagir, tiros começaram a ecoar por todo o lugar.
O barulho era ensurdecedor.
Balas atingiam paredes, caixas e estruturas metálicas.
Samuel tentou avançar para cobertura, mas foi atingido quase imediatamente.
Luca tentou arrastar Samuel para trás de um contêiner, mas também foi baleado.
Eliot começou a disparar, tentando abrir caminho.
— Recuar! Recuar agora! — ele gritou.
Mas já era tarde.
Mark estava ao lado de Eliot quando aconteceu.
Eles tentavam sair pela porta por onde haviam entrado.
Um criminoso apareceu no segundo andar do armazém com um rifle.
Eliot viu o brilho da arma.
— MARK, CUIDADO!
O disparo veio antes que ele pudesse terminar.
Mark levou dois tiros no peito.
Ele caiu no chão, ofegando.
Eliot se ajoelhou ao lado dele.
— Não… não… fica comigo!
Mark tentou falar.
Sangue escorria por sua boca.
— Você… vai… pegar esses caras…
Seus olhos ficaram vazios.
Eliot ficou paralisado por um segundo.
Foi nesse momento que uma bala atingiu Eliot na lateral do corpo.
A dor foi imediata.
Ele caiu.
Os tiros continuavam ao redor.
Mas para Eliot… tudo ficou distante.
O mundo começou a escurecer.
Quando a polícia finalmente chegou com reforços, o armazém estava cheio de corpos.
Policiais.
Criminosos.
Sangue por toda parte.
Entre todos os homens no chão…
Apenas um ainda respirava.
Eliot Simons.
Ele foi levado às pressas para o hospital.
Durante dias, ficou entre a vida e a morte.
Quando acordou, recebeu a notícia que mudaria sua vida para sempre:
Todos os membros da equipe estavam mortos.
Ele era o único sobrevivente.
A partir daquele momento, algo mudou dentro de Eliot.
Ele não conseguia parar de pensar em uma única coisa:
A operação era dele.
A decisão de entrar foi dele.
Na mente de Eliot, a conclusão era inevitável:
Se ele tivesse escolhido outro plano…
Se tivesse esperado reforços…
Se tivesse percebido a emboscada…
Seus amigos ainda estariam vivos.
Essa culpa começou a crescer silenciosamente dentro dele.
E seria exatamente essa culpa…
Que abriria espaço para a escuridão que viria depois.
Depois de semanas internado no hospital por causa da operação fracassada, Eliot finalmente recebeu alta.
Seu corpo ainda doía, e as cicatrizes dos tiros ainda estavam frescas. Mas a dor física não era nada comparada ao peso que carregava na mente.
Seus companheiros estavam mortos.
Ele era o único sobrevivente.
Mesmo assim, havia algo que ainda o mantinha de pé: sua família.
Durante todo o tempo no hospital, sua esposa Sara o visitava sempre que podia. Ela segurava sua mão e repetia a mesma coisa:
— Você não tem culpa.
Seu filho Ethan, de apenas oito anos, levava desenhos para o pai. Em quase todos eles apareciam três pessoas de mãos dadas.
Uma família.
Eliot prometeu a si mesmo que, quando saísse do hospital, tentaria reconstruir a vida.
Na noite em que voltou para casa, a cidade estava silenciosa.
As ruas estavam quase vazias, iluminadas apenas por alguns postes fracos.
Quando Eliot estacionou o carro em frente à casa, sentiu algo estranho.
Algo estava errado.
A luz da sala estava apagada.
Sara sempre deixava aquela luz acesa quando ele chegava tarde.
Ele saiu do carro lentamente.
O silêncio da rua parecia pesado.
Então ele viu algo que fez seu coração acelerar.
A porta da frente estava entreaberta.
— Sara? — Eliot chamou.
Nenhuma resposta.
Ele empurrou a porta devagar.
A casa estava escura.
E silenciosa.
O cheiro veio primeiro.
Pólvora.
E algo metálico.
Sangue.
O coração de Eliot começou a bater mais rápido.
Ele caminhou pela sala.
Uma cadeira estava caída no chão.
A mesa estava quebrada.
Vidros espalhados pelo chão.
Havia sinais claros de luta.
— Sara?! Ethan?!
Silêncio.
Então ele ouviu um som fraco vindo do corredor.
Algo caiu no chão.
Eliot correu.
As paredes tinham marcas de tiros.
Quadros estavam destruídos.
Quanto mais Eliot caminhava, mais sangue aparecia no chão.
Até que ele chegou à porta do quarto.
Ela estava aberta.
Eliot empurrou lentamente.
E o mundo parou.
Sara estava no chão.
Imóvel.
Seu corpo estava cercado por manchas de sangue.
Perto dela estava Ethan.
Pequeno.
Sem se mover.
Eliot ficou parado na porta por alguns segundos.
Seu cérebro se recusava a aceitar o que seus olhos estavam vendo.
Ele caminhou lentamente até eles.
Se ajoelhou.
— …Sara?
Nenhuma resposta.
Ele tocou a mão dela.
Fria.
Então olhou para Ethan.
O brinquedo que ele sempre carregava estava no chão ao lado dele.
Um pequeno carrinho vermelho.
Eliot pegou o carrinho com mãos tremendo.
Seu corpo começou a tremer.
Um som estranho saiu de sua garganta.
Não era um grito.
Nem um choro.
Era algo quebrado.
Quando a polícia chegou, Eliot ainda estava ajoelhado no quarto.
Segurando o carrinho do filho.
Sem dizer uma palavra.
Um detetive analisou a cena.
No espelho do quarto, havia algo escrito com sangue.
Uma mensagem simples.
“Você deveria ter morrido com os outros.”
A assinatura da organização criminosa que Eliot investigava.
Aquilo não era apenas um assassinato.
Era uma vingança.
Eles não queriam apenas matá-lo.
Queriam destruir tudo que ele amava.
E conseguiram.
Depois daquela noite, Eliot Simons desapareceu emocionalmente.
Ele ainda respirava.
Ainda caminhava.
Mas algo dentro dele havia morrido naquele quarto.
Os funerais aconteceram alguns dias depois.
Chovia.
Eliot não chorou.
Não falou.
Não demonstrou emoção.
Ele apenas ficou parado olhando para os caixões.
Dentro de sua mente, porém, algo estava acontecendo.
Algo perigoso.
A culpa da primeira tragédia.
A dor da segunda.
A raiva.
O ódio.
Tudo começou a se misturar.
E em algum lugar profundo dentro de Eliot…
uma nova voz começou a nascer.
Uma voz que não sentia culpa.
Uma voz que não sentia dor.
Uma voz que queria apenas uma coisa:
vingança.
Após o assassinato de sua esposa e de seu filho, Eliot Simons não dormiu por dias.
A casa estava vazia.
Silenciosa.
Cada cômodo trazia uma lembrança.
Cada lembrança trazia dor.
Ele passava horas sentado no escuro da sala, olhando para o pequeno carrinho vermelho de Ethan.
A polícia continuava investigando, mas Eliot já sabia a verdade.
A organização criminosa tinha feito aquilo.
E provavelmente nunca pagaria por isso.
A justiça… havia falhado.
Com o passar dos dias, Eliot começou a perder o controle da própria mente.
Ele revivia constantemente duas cenas:
seus companheiros morrendo no armazém
sua família morta no quarto
Essas imagens nunca desapareciam.
Às vezes ele acordava no meio da noite ouvindo tiros.
Outras vezes jurava ouvir o filho chamando por ele.
Mas então algo diferente começou a acontecer.
Uma voz.
No início era apenas um pensamento.
Um sussurro.
“Eles merecem morrer.”
Eliot tentou ignorar.
Mas a voz voltava.
Mais forte.
Mais agressiva.
“Você sabe onde eles estão.”
“Você sabe o que precisa fazer.”
Uma noite, Eliot estava no banheiro.
Ele levantou o rosto lentamente e olhou para o espelho.
Seus olhos estavam vermelhos de exaustão.
Então ele falou sozinho:
— Eu não sou um assassino…
Por alguns segundos houve silêncio.
Então sua própria voz respondeu.
Mas não parecia dele.
Baixa.
Fria.
Distorcida.
— Não…
— Você é apenas fraco.
Eliot congelou.
— …quem está aí?
O reflexo no espelho sorriu.
Mas Eliot não estava sorrindo.
— Eu sou a parte de você que não tem medo.
— A parte que quer justiça.
— Eu sou o que nasceu naquela noite.
Eliot começou a tremer.
— Não…
Certa noite, Eliot decidiu sair de casa para caminhar.
A cidade estava fria e úmida, iluminada apenas por postes fracos e luzes distantes.
Ele caminhava sem destino.
A mente estava cheia de pensamentos confusos.
“Eu deveria ter morrido naquela operação.”
“Eles ainda estariam vivos.”
“Tudo é minha culpa.”
Então ele ouviu a voz novamente.
Baixa.
Fria.
Dentro da própria mente.
— Eles estão por perto.
Eliot parou.
— Quem…?
— Aqueles que destruíram sua vida.
Eliot segurou a cabeça.
— Eu não estou ouvindo isso…
A voz respondeu calmamente:
— Eu estou apenas acordando.
O mundo começou a girar.
A visão de Eliot ficou turva.
E então…
Tudo ficou preto.
Eliot abriu os olhos algumas horas depois.
Ele estava em um beco.
Seu corpo estava dolorido.
Seus punhos estavam machucados.
Suas roupas tinham manchas escuras.
Quando olhou ao redor, viu três homens caídos no chão.
Nenhum deles estava se movendo.
Eliot se levantou rapidamente, confuso.
— O que… aconteceu aqui?
Ele tentou lembrar.
Mas sua mente estava completamente vazia.
Nada.
Apenas um buraco negro na memória.
Ele saiu do beco rapidamente, tentando ignorar o medo que começava a crescer dentro dele.
Mas aquilo era apenas o começo.
Na manhã seguinte, Eliot ligou a televisão.
Uma notícia chamou sua atenção imediatamente.
Três homens ligados a uma organização criminosa haviam sido encontrados mortos durante a madrugada em um beco da cidade.
A polícia descreveu a cena como extremamente violenta.
Eliot sentiu um frio percorrer sua espinha.
Ele reconheceu o lugar.
Era o mesmo beco onde havia acordado.
Sua respiração ficou pesada.
— Não… isso não pode ser…
Mas dentro de sua mente…
Ele ouviu uma risada baixa.
Nos dias seguintes, os apagões começaram a acontecer novamente.
Às vezes Eliot perdia minutos.
Outras vezes… horas.
Ele acordava em lugares diferentes.
Sempre cansado.
Sempre com ferimentos.
E sempre com aquela sensação horrível de que algo dentro dele estava tomando controle.
Então, uma noite, aconteceu de novo.
Mas dessa vez…
Ele viu.
Eliot estava andando por uma rua industrial quando viu quatro homens saindo de um bar.
Ele os reconheceu.
Membros da organização criminosa responsável pela morte de sua família.
Seu coração começou a bater mais rápido.
A raiva subiu como um fogo dentro dele.
Mas então algo diferente aconteceu.
Ele ouviu a voz novamente.
Agora mais clara.
Mais viva.
— Finalmente.
Eliot sussurrou:
— Não…
— Eles merecem.
— Eu não sou um assassino…
Silêncio.
Então a voz respondeu com um tom quase divertido:
— Você não.
— Mas eu sou.
A visão de Eliot começou a escurecer.
Ele tentou lutar.
Tentou se mover.
Mas seu corpo não respondia.
A última coisa que Eliot viu…
Foi seu próprio reflexo em uma janela.
Sorrindo.
Quando os homens perceberam Eliot parado na rua, começaram a rir.
— Olha quem está aqui.
— O policial que perdeu tudo.
Um deles deu um passo à frente.
— Você deveria ter morrido com sua família.
Foi nesse momento que Eliot levantou a cabeça lentamente.
Seus olhos estavam vazios.
Calmos.
Assustadoramente calmos.
Ele inclinou a cabeça de lado.
E falou com uma voz diferente.
Mais fria.
Mais escura.
— Spec ouviu isso.
Os homens se olharam confusos.
— Quem?
Eliot sorriu.
— Spec.
Nos minutos seguintes, a rua se transformou em caos.
Spec se moveu com uma violência brutal, alimentada por toda a raiva acumulada dentro de Eliot.
Os homens tentaram reagir.
Tentaram fugir.
Mas não tiveram chance.
Durante semanas, Eliot Simons tentou lutar contra o que estava acontecendo dentro de sua mente.
Cada vez que acordava coberto de sangue, cada vez que via mais notícias de criminosos encontrados mutilados pela cidade, ele entendia que algo dentro dele estava crescendo.
Algo que ele não conseguia controlar.
No começo, Eliot ainda conseguia resistir.
Às vezes ele sentia quando Spec estava prestes a assumir o controle — uma pressão na cabeça, a visão ficando escura, uma raiva esmagadora subindo do fundo do peito.
Mas a cada noite… ficava mais difícil lutar.
Certa noite, Eliot finalmente quebrou.
Ele estava sentado no chão da sala, cercado por fotos da família e pelos relatórios da investigação da organização criminosa.
Todos os nomes.
Todos os rostos.
Todos os responsáveis.
Ele sussurrou para si mesmo:
— Eu vou acabar com vocês…
Então a voz respondeu imediatamente.
— Nós vamos.
Eliot apertou a cabeça com força.
— Não… eu não vou deixar você fazer isso…
A resposta veio em um tom calmo e cruel.
— Você já deixou.
— Cada vez que você perdeu o controle… fui eu.
— Cada vez que eles gritaram… fui eu.
Eliot começou a respirar mais rápido.
— Eu posso parar você…
Então a voz riu.
Uma risada baixa, fria e distorcida.
— Você não entendeu ainda…
— Eu não sou uma parte de você.
— Eu sou o que sobrou.
Naquela mesma noite, Eliot decidiu acabar com tudo.
Ele pegou sua arma de serviço.
Sentou-se na cama.
Colocou o cano contra a própria cabeça.
Suas mãos tremiam.
— Se eu morrer… você morre comigo…
Silêncio.
Por alguns segundos, não houve resposta.
Então Spec falou.
Mais calmo do que nunca.
— Você realmente acha que tem coragem?
Eliot fechou os olhos.
Lembrou do rosto de Sara.
Lembrou de Ethan.
E apertou o gatilho.
Mas no último segundo… sua mão travou.
Ele não conseguiu.
A arma caiu no chão.
E foi nesse momento que Spec venceu.
Eliot caiu de joelhos no chão.
Chorando.
Exausto.
Quebrado.
— Eu… não consigo mais…
Spec respondeu.
— Eu sei.
A pressão na mente de Eliot aumentou.
Era como se algo estivesse empurrando ele para trás dentro da própria cabeça.
Sua visão começou a escurecer.
Seu corpo ficou pesado.
— O que está acontecendo…?
Spec respondeu com satisfação.
— Você lutou bem.
— Mas agora é minha vez.
A consciência de Eliot começou a desaparecer lentamente.
Ele tentou gritar.
Tentou se mover.
Mas era tarde demais.
Quando Eliot abriu os olhos novamente…
Ele não era mais Eliot.
Ele se levantou lentamente do chão.
O corpo estava calmo.
Relaxado.
Livre.
Ele olhou para o espelho do quarto.
E sorriu.
Mas aquele sorriso não tinha humanidade.
Era vazio.
Predatório.
Ele inclinou a cabeça levemente e falou consigo mesmo:
— Finalmente.
— Sem interferência.
— Sem culpa.
— Sem fraqueza.
Ele pegou a arma no chão… e a jogou fora.
— Armas são rápidas demais.
— Spec prefere sentir a faca estripando.
Ele caminhou até a porta da casa.
Antes de sair, parou por um momento.
Olhou para uma foto da família de Eliot sobre a mesa.
Ficou alguns segundos em silêncio.
Então pegou a foto… e a virou de cabeça para baixo.
— Você perdeu tudo.
— Agora o corpo é meu.
Nos dias seguintes, a cidade começou a mudar.
Membros da organização criminosa começaram a desaparecer.
Alguns eram encontrados mortos.
Outros simplesmente nunca mais eram vistos.
As cenas dos crimes eram brutais.
Corpos rasgados.
Marcas de luta violentas.
Sinais claros de alguém que não apenas queria matar…
Mas destruir.
A polícia começou a investigar um novo assassino.
Um predador.
Um homem que parecia atacar com pura fúria.
Mas também com uma estranha precisão.
Algumas testemunhas disseram ter visto uma figura caminhando pelas ruas à noite.
Um homem alto.
Olhos vazios.
Andando calmamente… como se estivesse procurando algo.
Porque ele estava.
Dentro da mente de Eliot Simons, a última parte de consciência estava presa em um lugar escuro.
Assistindo.
Sem poder fazer nada.
Enquanto Spec, o Estripador, caminhava livremente pelo mundo.
E agora…
Nada mais podia pará-lo.